<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413</id><updated>2012-02-23T04:05:39.882Z</updated><category term='Opinião'/><category term='Divulgação'/><category term='Críticas'/><title type='text'>O Papiro de Seshat</title><subtitle type='html'>Uma caixa de pensamentos sobre as palavras e histórias que definem as vidas que leio ao longo do tempo que vivo a minha.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>60</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1093473667830589785</id><published>2012-02-23T04:03:00.000Z</published><updated>2012-02-23T04:03:36.822Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>"Nas Trevas Exteriores" - Cormac McCarthy</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-STQ4dej2fmQ/TkHuSM42gZI/AAAAAAAAAEU/8TM14Tan59g/s1600/nastrevasexteriores.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" lda="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-STQ4dej2fmQ/TkHuSM42gZI/AAAAAAAAAEU/8TM14Tan59g/s1600/nastrevasexteriores.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ficha Técnica:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Outer Dark&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Cormac McCarthy&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução: &lt;/strong&gt;Paulo Faria&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Junho de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.relogiodagua.pt//" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Relógio D'Água Editores&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;9789896412371&lt;/span&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rinthy e Culla Holme vivem no seu próprio mundo, isolados como Adão e Eva num paraíso miserável até ao dia em que Culla abandona na floresta o fruto incestuoso da relação entre os dois irmãos. Tomada de uma fé inabalável de que o bebé continua vivo, Rinthy abandona a cabana isolada atrás do bufarinheiro que julga ter levado o bebé, enquanto Culla vai por seu turno atrás da irmã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mundo que encontrarão é um cruel retrato de inescapável miséria e redenção impossível. À sua maneira, Culla e Rinthy Holme lembram-me o Caim bíblico; ele, bode expiatório de tudo o que ocorre de errado nas terras por onde divaga, carregando sobre as costas um crime que não consegue reparar; ela, miserável e andrajosa mas virginal inocente pecadora atrás de um filho incestuoso, marcada pelo leite que lhe jorra dos seios ao longo de toda a sua demanda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ler Cormac McCarthy é sempre pesado, penoso até, mas não deixa de ser igualmente sublime. A escrita do Norte-Americano é forte, rica, metafórica, por vezes onírica, e os seus retratos da natureza humana permanecem talvez inigualáveis pela grande maioria dos escritores. São os trejeitos, as expressões, são também os costumes e o realismo dos pequenos e inconfessáveis hábitos pessoais de um&amp;nbsp;desfile de personagens decadentes onde - como diz de resto uma personagem - "nem um homem em cada três tem um fato preto para descer à sepultura". Ou seja, não é tanto o "realismo", mas a nudez despudorada com que o âmago é exposto sem concessões e as máscaras se estilhaçam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;McCarthy é um talentoso (genial talvez) descritor da malvadez fria e do miserável, da luta daqueles que nada têm por insignificantes migalhas, mas é, ainda mais que isso, um incontornável retratista da essência do que é viver, uma constante caminhada em direcção ao desconhecido. Só uns poucos afortunados sabem para onde caminham, deixando para todos os outros o deambular incessante atrás de ilusões, ou de objectivos que são ínfimos e desprezivelmente irrelevantes para o todo do mundo. É assim a busca de Rinthy por um filho que ninguém viu e ninguém sabe onde está, e de Holme pela sua irmã; o mundo parece pouco interessado em ajudá-los, cada personagem autocentricamente focada nas suas próprias misérias, imersa em convicções arreigadas, mas no fundo talvez o serem mais do que Culla não passasse de ilusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Holme não é um personagem com o qual consigamos simpatizar, pelo menos de início. Afinal o seu acto é desprezível por qualquer padrão moral. Mas com o desenrolar do enredo sinto que nos identificamos um pouco com ele, a sua&amp;nbsp;impotência perante os boatos e as acções maiores que o condenam, o infrutífero da sua demanda. É de facto um Caim&amp;nbsp;do qual todos somos filhos, um homem rude, sem nada realmente seu, tão agnóstico quanto McCarthy, e como Caim há uma autoridade maior que o prende à sua maldição. No caso de Holme, esta toma a forma de uma trindade que assassina todos aqueles que incomodam Holme, como se cristalizassem&amp;nbsp;os demónios internos&amp;nbsp;de um homem vergado e humilhado a cada novo acontecimento e exteriorizassem os seus desejos mais reprimidos. Ou como se uma divindade tentasse activamente ensinar-lhe algo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De resto, creio que tenho de destacar mais uma vez a tradução de Paulo Faria. Traduzir todas as preciosidades linguísticas do dialecto retratado por McCarthy não pode ser fácil, e fazê-lo sem perder a atmosfera so sul da América ainda mais difícil será. Mas estas expressões peculiares, a própria construção frásica, fazem parte da aura do livro e das personalidades de cada personagem. Captá-las num novo idioma exige certamente aquela milha extra por parte do tradutor, para importar não meras palavras, mas também significados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E porque o casal é expulso do seu microcosmos, lançado na hostilidade de um mundo ao qual são em grande parte estranhos, que melhor título que &lt;strong&gt;"Nas Trevas Exteriores"&lt;/strong&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um livro extraordinário, tanto mais se considerarmos que foi o segundo romance de McCarthy, e que não se deixa ficar pelo sombrio cruel dos seus retratos mas é também um livro com momentos de grande sabedoria. Neste nosso vaguear pelo mundo sem nunca sabermos realmente o que nos atirará à face o destino, que melhor metáfora do que o cego, para nos darmos conta da nossa própria cegueira tantas vezes negada?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma leitura poderosa, &lt;strong&gt;"Nas Trevas Exteriores"&lt;/strong&gt; é também um daqueles raros livros que pedem para ser lidos com um lápis à mão, porque haverá frases que não queremos perder, e pensamentos que se transbordarão como cataratas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1093473667830589785?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1093473667830589785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2012/02/nas-trevas-exteriores-cormac-mccarthy.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1093473667830589785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1093473667830589785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2012/02/nas-trevas-exteriores-cormac-mccarthy.html' title='&quot;Nas Trevas Exteriores&quot; - Cormac McCarthy'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-STQ4dej2fmQ/TkHuSM42gZI/AAAAAAAAAEU/8TM14Tan59g/s72-c/nastrevasexteriores.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-2296683911577623476</id><published>2012-02-03T16:17:00.000Z</published><updated>2012-02-03T16:17:48.567Z</updated><title type='text'>Primeiras aquisições de 2012!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E profundamente acidentais que foram, quando uma quebra de comunicação com a faculdade levou à aquisição dupla de um livro técnico pelo qual seria, à partida reembolsado. Ora com dois livros não valia a pena gastar dinheiro à faculdade, pelo que optei por encaixar a despesa e trocar o livro em causa por outros três.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como sempre, a dificuldade numa livraria é&amp;nbsp;"qual", porque me sinto como uma criança numa loja de rebuçados sem barriga nem carteira para provar toda a miríade de sabores e possibilidades, e as opções dividem-se entre o que levaremos num instante, e o que anotaremos para referência futura, numa esperança (muitas vezes vã) de eventualmente as adquirirmos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, primeiras compras de 2012, ano que se adivinha fraco:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Cerco de Krishnapur"&lt;/strong&gt;, de J. G. Farrell. Parte da trilogia "Império", o livro lida com as consequências do colonialismo Britânico e a que é a típica "fleuma Britânica", durante o cerco prolongado à cidade imaginária de Krishnapur. Porto Editora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Último Livro"&lt;/strong&gt;, de Zoran Zivkovic. Quando um cliente morre numa livraria de causa desconhecida enquanto lê um livro, ninguém poderia suspeitar que essa seria apenas a primeira de várias mortes. Zoran Zivkovic, autor de "A Biblioteca", é um desses escritores onde os livros são uma constante dos seus enredos, o que desde logo me deixa sempre bastante interessado. Cavalo de Ferro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O P´rincipe da Neblina"&lt;/strong&gt;, de Carlos Ruiz Zafón. Porque não posso passar por um Zafón sem o querer ler, e não devo ser o único, visto que tão depressa o comprava, logo o cedia. Este é o primeiro de uma nova trilogia, de certo modo é a história típica de uma família que se muda para uma velha mansão onde ainda se sente a presença de uma desgraça passada, neste caso Jacob, filho dos anteriores donos. No entanto, um pouco como é apanágio de Zafón, os temas adultos misturam-se sublimemente com o imaginário juvenil e infantil para uma leitura promissora. Planeta Editora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Actualizações nas leituras, continuo a ler lentamente "Nas Trevas Exteriores" do meu favorito Cormac McCarthy, ao qual se adiciona a companhia na mesinha de cabeceira de "Eu Mato", de Giorgio Faletti. Não tem o segundo a elegância e profundidade do primeiro, mas é precisamente por isso que os leio a par...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tha... thari... thari... that's all folks.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-2296683911577623476?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/2296683911577623476/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2012/02/primeiras-aquisicoes-de-2012.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2296683911577623476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2296683911577623476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2012/02/primeiras-aquisicoes-de-2012.html' title='Primeiras aquisições de 2012!'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-6144971483702250806</id><published>2012-01-13T13:05:00.000Z</published><updated>2012-01-13T13:05:00.358Z</updated><title type='text'>De volta!</title><content type='html'>Se alguém se perdeu e visitou o blogue nos últimos dois dias poderá ter notado que aparecia como removido. Aparentemente no dia 11 a minha conta gmail foi hackeada&amp;nbsp;e imenso spam ou vírus enviados a partir de lá, pelo que a Google a congelou, juntamente com o Papiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece estar tudo bem e não espero que ninguém dos meus conhecidos tenha recebido um email duvidoso. Felizmente fui avisado por uma querida seguidora ou a situação poderia ter-se prolongado por mais alguns dias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, ainda não é desta que actualizo o blogue, infelizmente... mas para os próximos dias... prometido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-6144971483702250806?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/6144971483702250806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2012/01/de-volta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6144971483702250806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6144971483702250806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2012/01/de-volta.html' title='De volta!'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-4629120857272978355</id><published>2011-12-05T01:31:00.001Z</published><updated>2012-01-01T03:12:03.615Z</updated><title type='text'>O Olho de Hertzog - João Paulo Borges Coelho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6Cw0OKBpgPs/TtwennRqVrI/AAAAAAAAAFo/mdWLrRmRpUM/s1600/olho_de_hertzog.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" dda="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-6Cw0OKBpgPs/TtwennRqVrI/AAAAAAAAAFo/mdWLrRmRpUM/s1600/olho_de_hertzog.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; João Paulo Borges Coelho&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Março de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.leya.com/"&gt;Leya&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896600396&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Finalmente consegui terminar outro livro por estes dias em que o trabalho não pode abrandar e deveria ser ainda mais intensivo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em defesa de &lt;strong&gt;"O Olho De Hertzog"&lt;/strong&gt;, a qualidade do receptor do Prémio Leya 2009 não tem qualquer relação com a lentidão com que o livro foi lido. Pelo contrário, a impressão com que se fica é a de uma trama complexa e repleta de voltas, contada com uma narrativa eloquente, elegante e atractiva. &lt;strong&gt;"O Olho de Hertzog"&lt;/strong&gt; é, a diversos níveis, um livro marcante, viciante, e uma leitura que me agarrou como poucas... enfim, todos os superlativos serão poucos para descrever este livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que procura Hans Mahrenholz na Lourenço Marques de 1918, que o leva a esconder a sua identidade?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Curiosa história esta do tenente Mahrenholz, que se lança de pára-quedas a partir de um Zeppelin para se juntar ao contingente do General von Lettow-Vorbeck que por então combatia nas fronteiras da colónia Portuguesa de Moçambique, para vir parar a uma Lourenço Marques onde toda a gente tem uma história para contar, e outra para esconder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escondendo-se atrás do nome falso de Henry Miller, jornalista, Hans muito depressa descobre no labirinto da sua procura misteriosa, que não é apenas ele a esconder a sua identidade. O que procura ele afinal?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa é a grande beleza de &lt;strong&gt;"O Olho de Hertzog"&lt;/strong&gt;. Se é frequente conhecermos o crime ou o móbil, e depois se desvenda o como ou o porquê, aqui passaremos grande parte da história sem saber o que procura afinal Hans Mahrenholz e como se cruzou esta demanda com a sua vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Borges Coelho consegue manter o interesse nesta estranha forma de contar o enredo através de uma narrativa muito hábil, ao longo da qual Mahrenholz deambula pelo presente e pelo passado na selva Africana ao lado de von Lettow-Vorbeck e do misterioso Coronel Glück. Existe apenas um nome na sua cabeça, o de Rapsides, mulato cujo papel em toda a história ele não conhece ainda, e que se evade da sua compreensão como tudo, à medida que Mahrenholz se deixa embalar nas meias verdades daqueles com que se cruza, cada um com um papel ainda por descobrir em toda a trama.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não bastam estes habilidosos revezes narrativos que mantêm Hans desnorteado. Para lá disso, a trama vai-se desenvolvendo cada vez mais na sua complexidade, mas o que me parece mais atraente é o próprio estilo de Borges Coelho, a narrativa rica, a descrição da vida de Lourenço Marques através dos seus cartazes publicitários, a introspecção, o colorido das memórias e a profundidade das personagens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há que dizer que este parece ser um livro profundamente investigado. Efectivamente, a linha entre realidade ficção perde-se frequentemente, já que Mahrenholz se cruza com personagens inesperadamente reais, por exemplo Valérie "Wally" Neuzil, em tempos musa de Klimt. Outra personagem chave é João Albasini, esse sim, jornalista verdadeiro e histórico, que em 1918 é um dos fundadores de "O Brado Africano" jornal semanal em Português e Ronga que muito faz para verbalizar as preocupações e reclamações dos nativos. Nas páginas de &lt;strong&gt;"O Olho de Hertzog"&lt;/strong&gt;, tal como os cartazes publicitários, também as crónicas de Albasini, sob os seus vários pseudónimos, ganham vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se parece inesperado que um Alemão de Hamburgo se lance de pára-quedas sobre África, o voo é de facto real: o Zeppelin L59 passou mesmo por três continentes, da Alemanha à Tanzânia, passando por Turquia e Egipto ao longo de vários dias, antes de voltar para trás. Outros pormenores narrativos&amp;nbsp;mostram uma profunda investigação, por exemplo a utilização por parte do contingente de von Lettow-Vorbeck do armamento retirado do cruzador Königsberg, afundado no estuário do rio Rujifi na Tanzânia em 1915.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como historiador que é, Borges Coelho não poderia mesmo falhar nestes pormenores históricos, mas há que lhe dar o mérito de, porquanto sejam exactos os factos históricos relatados, é na mente das personagens, nos pensamentos do próprio Mahrenholz, que se concentra a narrativa. Os combates, inclusivamente, não são meros banhos de sangue e carnificina, antes, são as considerações e pensamentos sobre eles, do próprio Mahrenholz, com nuances e particularidades, como todas as realidades construídas a partir de memórias. Assim, todas as oportunidades desenvolvem a personagem e solidificam a sua posição no mundo, arrastando-nos muito mais que para a história, para a alma de Hans Mahrenholz, aka Henry Miller.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na Lourenço Marques de 1918, no rescaldo da grande guerra, em plena Primeira República, cruzam-se personagens peculiares cuja interligação presente, sem o saberem, já estava predeterminada pelas decisões cruciais que fizeram, inclusivamente décadas antes, noutros países, noutras circunstâncias, e que inevitavelmente as levaram ali. Entrecruzando facto histórico com liberdade artística, Borges Coelho cria uma trama credível e perfeitamente montada, onde competem aspirações pessoais e desejos nacionais, ideologias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se &lt;strong&gt;"O Olho de Hertzog"&lt;/strong&gt; mostra algo, é que todos os passados têm consequências, e a elegância com que o faz, a riqueza e a intimidade da linguagem, serão com toda a certeza um deleite para todos os leitores que gostarem de mistérios e intrigas difíceis de desmontar, surpreendentes até, e com a verdade sempre mais além do que é óbvio para o primeiro olhar. Dito de outra forma, vivamente recomendado a todos os amantes de boa literatura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-4629120857272978355?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/4629120857272978355/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/12/o-olho-de-hertzog-joao-paulo-borges.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/4629120857272978355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/4629120857272978355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/12/o-olho-de-hertzog-joao-paulo-borges.html' title='O Olho de Hertzog - João Paulo Borges Coelho'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-6Cw0OKBpgPs/TtwennRqVrI/AAAAAAAAAFo/mdWLrRmRpUM/s72-c/olho_de_hertzog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-9007855326635238585</id><published>2011-11-19T05:11:00.000Z</published><updated>2011-11-19T05:11:21.713Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Staying Alive</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Argh... Onde ando eu por estes tempos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deram pela minha falta? Chamaram a polícia, a Interpol, os bombeiros ou a família? Ficaram sossegadinhos no vosso canto, não foi? Pois, pois foi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em boa verdade, a ausência deve-se a um acréscimo de actividade numa outra arte, a fotografia, na qual tenho investido algum tempo e recursos com resultados variáveis. Se desejarem, é com muito gosto que vos convido a visitar a minha galeria em &lt;a href="http://www.zoompixel.net/users/view/1251"&gt;http://www.zoompixel.net/users/view/1251&lt;/a&gt;&amp;nbsp;e decidirem se há desculpa legítima para esta ausência prolongada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ghf979Pet4Y/Tsc6KS3tYeI/AAAAAAAAAFg/qQE9X3SiOSU/s1600/DLuis+blogue.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="210" src="http://2.bp.blogspot.com/-ghf979Pet4Y/Tsc6KS3tYeI/AAAAAAAAAFg/qQE9X3SiOSU/s320/DLuis+blogue.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fosse essa a única razão, e ficaríamos por aqui. Simples, eficaz, curto. Mas não. Claro que continuo a ler, tanto quanto posso, e para dizer a verdade &lt;strong&gt;"O Olho De Herzog"&lt;/strong&gt; de João Paulo Borges Coelho está a ser uma leitura preciosíssima, com um enredo denso, e uma escrita elegante que nos levam até um tempo em que o mundo ainda arrefecia da Primeira Guerra Mundial. Infelizmente, o eterno atraso no doutoramento tem-me providenciado com noitadas até noite bem adentro, limitando aquele ritual que me é tão caro de ler um pouco antes de desligar a luz e mergulhar no sono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, não será tanto o que investi em material fotográfico, mas mais a troika, a crise, o IVA, o emprego garantido por mais meio ano na melhor das hipóteses, mas um dia caminhava por uma dita "feira" e atingiu-me subitamente um gélido pensamento que não me lembro de ter tido em tempos recentes: tão caro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os livros foram sempre assim tão caros? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que sim. Seja como for, em contenção que estou, não me sinto muito inclinado para pagar os preços exorbitantes que tenho visto nas prateleiras, pelo que sou agora um comprador de rigor orçamental. Adoro as novidades, tento manter-me atento, mas a carteira custa cada vez mais a abrir, então é quando existem negócios realmente atractivos que adquiro livros. Hoje foi precisamente uma dessas ocasiões e trouxe comigo algumas leituras interessantes (ou não, mas por favor: não me corrijam. Se correrem mal, prefiro um "uhm... eu devia ter-te avisado" posterior):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zy_ERqOyb7c/Tsc5Tfq9atI/AAAAAAAAAFI/nwB6RAXyxUU/s1600/acatedraldomar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-zy_ERqOyb7c/Tsc5Tfq9atI/AAAAAAAAAFI/nwB6RAXyxUU/s200/acatedraldomar.jpg" width="139" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;Em primeiro lugar, o regresso à minha preferência pelos escritores latinos com &lt;strong&gt;"A Catedral Do Mar"&lt;/strong&gt;, de Ildefonso Falcones, uma trama na Barcelona do século XIV, mais precisamente durante a construção da igreja de Santa María del Mar (não "de la" como indica a capa do livro). Não é somente o tema histórico que me interessa, se bem que tenha sempre sido um terrível adorador dos livros que me levassem a um passado distante, mas igrejas e catedrais são também (ou têm sido) um dos meus temas de fotografia favoritos.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-aIinQPc-tYU/Tsc5KfORiKI/AAAAAAAAAFA/yqgtanCr35s/s1600/acruzdoocidente.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-aIinQPc-tYU/Tsc5KfORiKI/AAAAAAAAAFA/yqgtanCr35s/s1600/acruzdoocidente.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguem-se dois livros da série &lt;strong&gt;"A Cruz do Ocidente"&lt;/strong&gt; de Max Gallo, que me parece um incontornável autor Francófono e que me foi ficando na mente desde há uns anos com a adaptação à televisão de &lt;strong&gt;"Napoleão"&lt;/strong&gt;, com Christian Clavier, Gérard Depardieu ou John Malkovich. Bem, não é de modo algum do mesmo século que falamos, já que os dois livros nos transportam para o século XVI, primeiro das lutas entre Cristãos e Muçulmanos, e depois entre Cristãos sectários em pleno Massacre de São Bartolomeu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-d8UkMQQgneM/Tsc5cCX6csI/AAAAAAAAAFQ/rTBIctjghow/s1600/ainfantaeopintor.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-d8UkMQQgneM/Tsc5cCX6csI/AAAAAAAAAFQ/rTBIctjghow/s1600/ainfantaeopintor.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E porque não há duas sem três, de Jean-Daniel Baltassat, &lt;strong&gt;"A Infanta e o Pintor"&lt;/strong&gt;, um romance que explora a vinda a Portugal de Jan van Eyck para pintar a infanta Isabel, filha de D. João I e D. Filipa de Lencastre. van Eyck terá pintado dois retratos da infanta no castelo de Avis, posteriormente levados por mensageiros ao pretendente de Isabela, Filipe o Bom. Ora ambos os retratos desapareceram para sempre, restando apenas um desenho muito mais tardio (século XVIII) que representará um desses retratos, pintado entre Janeiro e Fevereiro de 1429 num estilo que os eruditos consideram um ascendente directo de La Gioconda de Leonardo DaVinci. Van Eyck foi um grande da divulgação da arte Flamenga na Península Ibérica, que tem nos Painéis de São Vicente um dos seus mais belos expoentes (a propósito, recomenda-se a leitura de &lt;strong&gt;"O Evangelho do Enforcado"&lt;/strong&gt; de David Soares). Parecem argumentos interessantes para despertar o interesse? A mim pareceram...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ltDA38BPYMk/Tsc5horIAzI/AAAAAAAAAFY/hNdugVChNEc/s1600/amecanicadocora%25C3%25A7ao.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" hda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-ltDA38BPYMk/Tsc5horIAzI/AAAAAAAAAFY/hNdugVChNEc/s1600/amecanicadocora%25C3%25A7ao.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, para não ser tudo romance histórico, um peculiar livro que há muito desejava adquirir, mas adquirido agora a um preço razoavelmente mais baixo. Trata-se de &lt;strong&gt;"A Mecânica do Coração"&lt;/strong&gt;, de Mathias Malzieu. Uma peculiar história, que me invoca Tim Burton ou Neil Gaiman, &lt;strong&gt;"A Mecânica do Coração"&lt;/strong&gt; fala-nos de Jack, nascido no mais frio dia de sempre, com um coração congelado. Para que possa sobreviver, Jack recebe um relógio de madeira que lhe mantém o coração em funcionamento, mas em contrapartida o jovem Jack não pode emocionar-se e muito menos amar. Mas alguma vez, poderia alguém deixar de amar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E pronto, até daqui a nada, com mais críticas e opiniões!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;M.T.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-9007855326635238585?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/9007855326635238585/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/11/staying-alive.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/9007855326635238585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/9007855326635238585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/11/staying-alive.html' title='Staying Alive'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ghf979Pet4Y/Tsc6KS3tYeI/AAAAAAAAAFg/qQE9X3SiOSU/s72-c/DLuis+blogue.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-8641228420276911920</id><published>2011-09-19T15:10:00.000+01:00</published><updated>2011-09-19T15:10:35.865+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>As Desventuras do Sr. Pinfold - Evelyn Waugh</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-TgmEK2iMs8I/TkHuLBieBjI/AAAAAAAAAEQ/h8t6e6QUK5o/s1600/asdesventuras.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" rba="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-TgmEK2iMs8I/TkHuLBieBjI/AAAAAAAAAEQ/h8t6e6QUK5o/s1600/asdesventuras.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&lt;/strong&gt; The Ordeal of Gilbert Pinfold&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Evelyn Waugh&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução:&lt;/strong&gt; Maria Teresa e João Carlos Beckerd d'Assumpção&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Julho de 2011&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.relogiodaguaeditores.blogspot.com/"&gt;Relógio D'Água&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896411909&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos 50 anos, Gilbert Pinfold, escritor de renome, não está já na flor da idade. Dominado pelos fármacos e claramente dependente do álcool, deteriora-se-lhe o humor, o corpo e inclusivamente a obra, estagnada. Sucedem-se vários episódios em que o Sr. Pinfold acaba por compreender que a sua mente já lhe prega partidas e, resolvido a rejuvenescer, decide embarcar num cruzeiro para o Oriente a bordo do S. S. Caliban. Espera descansar, curar-se das suas dependências e acabar enfim o seu romance, mas o seu sossego rapidamente é destruído quando o que ele toma por um velho sistema de intercomunicações instalado durante a guerra começa a fazer-lhe chegar aos ouvidos peculiares e mesmo terríveis actos que ocorrem um pouco por todo o navio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pinfold dá rapidamente por si no meio de uma batalha travada entre si e poderosos adversários... todos na sua mente. Mas suponho que um Britânico, ainda que perto da loucura, enfrenta os seus dissabores com típico fleuma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este é efectivamente um romance semi-autobiográfico de Evelyn Waugh, que, no início dos anos 50 embarca numa viagem para Ceilão, procurando repor a sua mente, mas em vez disso sofre de alucinações severas, como resultado de uma automedicação com fármacos incompatíveis entre si, tomados à revelia dos seus médicos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"As Desventuras do Sr. Pinfold" &lt;/strong&gt;servem então um propósito catártico para a mente confusa do escritor de quem Pinfold é apenas um alter-ego. A sua conversão religiosa, os vícios que se esperavam dos eruditos afectados, das drogas à homossexualidade, todos os fantasmas que fora reprimindo no decorrer da sua vida. Inclusivamente, não deixa de haver no livro algum simbolismo, a começar pelo próprio nome do navio, "Caliban", a funesta personagem de Shakespeare, até aos hábitos musicais e boémios dos seus antagonistas alucinatórios, talvez o símbolo de uma nova geração de escritores com os quais a literatura de Waugh, anterior, competia&amp;nbsp;em termos cada vez menos vantajosos. Certamente será um livro tão mais interessante quanto mais conhecermos as circunstâncias de vida do próprio Waugh.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os chorrilhos de acusações e preconceitos típicos de um Império Britânico em decadência, a pose altiva e a atitude prosaica de Pinfold, colidem de tal modo que uma luta pela sanidade mental adquire uma aura humorística banhada de clichés Britânicos e conceitos da época. Por si só, esta abordagem daria para perceber que Waugh se encontrava, por então, plenamente recuperado, porque capitalizando a decadência psíquica de que por então sofria, Evelyn Waugh transforma-a habilmente em obra, mostrando talvez que (pelo menos quando vencidos) os dissabores da vida podem ser olhados com um sorriso trocista e contados com impressionante alarido. Como quem afasta os fantasmas, gritando-lhes que sabe estarem lá.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-8641228420276911920?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/8641228420276911920/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/09/as-desventuras-do-sr-pinfold-evelyn.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/8641228420276911920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/8641228420276911920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/09/as-desventuras-do-sr-pinfold-evelyn.html' title='As Desventuras do Sr. Pinfold - Evelyn Waugh'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-TgmEK2iMs8I/TkHuLBieBjI/AAAAAAAAAEQ/h8t6e6QUK5o/s72-c/asdesventuras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-2675472637902277162</id><published>2011-09-15T05:06:00.000+01:00</published><updated>2011-09-15T05:06:46.312+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>O Cemitério de Praga - Umberto Eco</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_mErPCUfirM/TkHuscTZ3nI/AAAAAAAAAEY/A97HQG85BH0/s1600/o-cemiterio-de-praga.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" rba="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-_mErPCUfirM/TkHuscTZ3nI/AAAAAAAAAEY/A97HQG85BH0/s1600/o-cemiterio-de-praga.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Il Cimitero di Praga&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Umberto Eco&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução: &lt;/strong&gt;Jorge Vaz de Carvalho&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2011&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.gradiva.pt/"&gt;Gradiva Publicações&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896164089&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Algumas considerações iniciais:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O boato espalha-se tão mais depressa e intensamente, quanto mais ignorantes forem aqueles que o propagam, em relação ao alvo desse mesmo boato. A maioria dos que acreditam em boatos sobre culturas e indivíduos, nunca tiveram real contacto com nenhum deles. Aqueles que têm conhecimento de causa, tenderão a conseguir distinguir entre rumor e realidade, entre preconceito e facto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Judenhass". O ódio aos judeus é milenar, tão vincado e específico, que merece um termo próprio. É baseado em concepções erradas, preconceitos e boatos, perpetuados na ignorância daqueles que pouco conheciam da sua cultura, precisamente o tipo de meio em que boatos malévolos se espalhariam, porque é o medo, o alarme, que precisamente os tornam mais apetecíveis e interessantes. Os sacrifícios de sangue há muito que haviam sido proscritos no Antigo Testamento, mas por milénios se disse que os Judeus raptavam e sacrificavam crianças Cristãs. Desconfiava-se e acusava-se feitiçaria, pacto com o demónio, por serem menos propensos a morrer nas epidemias que dizimavam os restantes habitantes das cidades, quando a solução era tão simples quanto tomarem banho e queimarem as roupas dos enfermos. Dizia-se que cheiravam mal, um tipo característico de cheiro. Sabe-se hoje&amp;nbsp; um nome para a origem desse cheiro ofensivo para os Cristãos medievais: sabonete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para compreender o NAZIsmo não podemos remeter-nos apenas para a Alemanha, para o Século XX, ou para as condições humilhantes do Tratado de Versalhes e a trapalhada que gerou na Palestina. É preciso retroceder ao Romantismo Alemão do Século XIX, e ao nacionalismo emergente que nesse mesmo século vê uma Europa em tumulto, com o nascimento das nações modernas como a Itália e a Alemanha, e as guerras quase constantes que abriram cicatrizes profundas na Europa. Os idealismos exacerbados, o fantasma do comunismo, as guerras entre republicanos e monárquicos, as lutas pela independência: todos os revezes necessitam de uma desculpa, uma justificação que ilibe os seus culpados, e nada melhor que os bodes expiatórios que não estão tão perto que possam ser verificados, nem tão longe que sejam irrelevantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os judeus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É deste clima de fanatismo e ambiciosas jogadas políticas que nos dá conta Umberto Eco em &lt;strong&gt;"O Cemitério de Praga"&lt;/strong&gt;, cruzando com uma hábil agulha as intrigas que por então assombravam a mente comum das nações Europeias. Com óbvia inteligência, Eco interliga uma série de episódios cujas implicações finais acabam por transcender a importância fugaz de cada um deles, até que cada pequeno parágrafo plagiado e tomado por verdadeiro acaba por dar origem a uma das mais basilares peças de ódio da era moderna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falo de &lt;strong&gt;"Os Protocolos dos Sábios de Sião"&lt;/strong&gt;, falsificação onde se "expõe" uma gigantesca conspiração Judaica para minar a civilização Cristã e conquistar o mundo. Falsificação, certamente, uma que alimentou os fogos do Holocausto NAZI e foi ensinada nas escolas Alemãs às crianças, ainda que a sua falsidade há muito houvesse sido descoberta. Mas como diz Umberto Eco frequentemente ao longo deste seu mais recente romance, se alguém se deu ao trabalho de o falsificar, então deve ser verdadeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É neste clima de hipocrisia e profecias auto-realizadas que Umberto Eco traça a génese dos protocolos, quase meio século antes da sua vinda a público, ao nos apresentar Simonini, mestre falsário que ganha a vida vendendo conspirações e fabricando revoluções ao serviço das polícias secretas Francesas e Piemontesas, em cenários que vão desde a guerra da independência Italiana de Garibaldi, à guerra Franco-Prussiana que culminou com o desastre de Sedan e a deposição de Napoleão III, passando ainda pelo Caso Dreyfus, ou pela repressão da Comuna de Paris. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mais extraordinário nesta sucessão rápida de golpes baixos de parte a parte, é que como o autor promete, todas (ou pelo menos a maioria) destas personagens existiram, escreveram, disseram e fizeram o que lhes é atribuído. Talvez imaginassem ou não, que as suas jogadas perdurariam muito para lá das suas próprias existências e interesses, mas foi precisamente o que aconteceu. É neste século que se inicia a chamada "literatura de conspiração", então através de folhetins, como hoje através da internet, mas por então vivia-se num mundo onde o comum dos cidadãos não tinha acesso a informação suficiente para detectar os embustes. Se já hoje a ignorância é rampante, imagine-se por então.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda esta realidade é reconstituída através do diário de Simonini, iniciado num dia em que a memória lhe falha e a sua realidade se parece alternar com a do abade Dalla Picolla que habita um anexo da sua habitação, mas está consciente apenas quando o próprio Simonini dorme. Serão ambos uma e só personagem? As respostas chegam inevitavelmente, no final de um enredo que prende o leitor, apesar de ser difícil de seguir, principalmente se não se tem algumas noções históricas dos acontecimentos relatados e dos conceitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez mais difícil de digerir seja o facto de nenhuma das personagens inspirar simpatia. Agentes secretos preconceituosos, intriguistas, falsários, racistas, que espalham mentiras em prol dos seus interesses e inventam falsidades para justificar os seus ódios pessoais, com intenção de prejudicarem grupos inteiros de indivíduos, ou simplesmente não se ralando isso, chegando ao ponto do perverso orgulho profissional de Simonini sempre que as suas maquinações e invenções resultam numa prisão, num castigo, ou a sua visão retorcida do mundo que o leva a acreditar na verdade das suas próprias falsificações. As suas acusações injustificadas, a ignorância manifesta num século de luzes, mais do que liberdades artísticas, realidades historicamente documentadas, fazem-nos ferver o sangue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pintando um Século XIX sombrio e preconceituoso, &lt;strong&gt;"O Cemitério de Praga"&lt;/strong&gt; mostra Umberto Eco em topo de forma nos enredos de conspirações que ele parece manejar tão bem, e transporta-nos para a origem - dir-se-ia irónica - de uma das maiores tragédias da humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-2675472637902277162?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/2675472637902277162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/09/o-cemiterio-de-praga-umberto-eco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2675472637902277162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2675472637902277162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/09/o-cemiterio-de-praga-umberto-eco.html' title='O Cemitério de Praga - Umberto Eco'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_mErPCUfirM/TkHuscTZ3nI/AAAAAAAAAEY/A97HQG85BH0/s72-c/o-cemiterio-de-praga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-5497257155297892518</id><published>2011-08-11T03:17:00.001+01:00</published><updated>2011-08-12T12:46:05.933+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>"O tempo dos Imperadores Estranhos" - Ignacio Del Valle</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-mBZ6BFu-qGo/TkM7fc6faZI/AAAAAAAAAEg/VjNZK5b4Zzs/s1600/otempodosimperadoresestranhos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-mBZ6BFu-qGo/TkM7fc6faZI/AAAAAAAAAEg/VjNZK5b4Zzs/s1600/otempodosimperadoresestranhos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;El tiempo de los imperadores estraños&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Ignacio Del Valle&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução: &lt;/strong&gt;Alcinda Marinho&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2008&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://portoeditora.pt/"&gt;Porto Editora&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789720041548&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Se já ninguém se importa com os vivos, imagine com os mortos."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um excelente modo de começar &lt;strong&gt;"O Tempo dos Imperadores Estranhos"&lt;/strong&gt;, segundo livro da trilogia dedicada ao (des)afortunado Arturo Andrade, desta vez soldado raso no seio da Divisão Azul, em plena Frente Russa, escassos meses antes da hecatombe de Leningrado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Arturo é chamado a investigar um estranho caso quando um soldado da Divisão é encontrado morto, no que é um cenário dantesco que seria uma pena revelar aqui em jeito de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;spoiler&lt;/i&gt;. Com a ajuda do seu sargento e do humorado cabo Aparício, Arturo deve encontrar o homicida e desvendar as suas razões, antes que escalem as rivalidades que dividem os dois lados da Divisão Azul, por um lado o exército, por outro os Falangistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tal como em &lt;strong&gt;"Demónios de Berlim"&lt;/strong&gt;, Ignacio Del Valle oferece-nos um policial exímio, num &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;setting&lt;/i&gt; muito próprio, ao qual o autor dá vida com o mesmo nível de conhecimento de causa que nos mostrou anteriormente, um conhecimento quase anedóctico dos pequenos pormenores que edificam o quotidiano da guerra, as pequenas artimanhas de sobrevivência, os "desenrascanços" que tornam a narrativa quase intimista. Flagrantes, notei apenas dois erros muito notórios onde ou a investigação falhou, ou falhou a revisão:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um, onde se lê KW-1 e KY-1 relativamente a tanques Soviéticos,&amp;nbsp;deveria ler-se KV-1. A sigla KV vem de Kliment Voroshilov, nome do comissário da defesa Soviético, do mesmo modo que os posteriores tanques pesados viriam a ser baptizados com as siglas IS-1/2/3, IS de Iosef Stalin. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num momento de diálogo, Arturo e o Sargento Espinosa encontram-se a admirar um tanque pesado Tiger.&amp;nbsp;e mencionam o seu&amp;nbsp;canhão de 7,5cm. O Tiger tinha sim um canhão de 8,8cm de 43 calibres, de reputação lendária, uma adaptação para blindados de uma arma antiaérea cuja eficácia contra blindados fez dela uma das armas mais decisivas de todo o conflito. Canhões de 7,5 teriam o Panzer IV e o Panther (43 e 70 calibres, respectivamente); o primeiro não receberia o assombro das personagens por ser comum, e o segundo não entrou em serviço até depois do fim cronológico do livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com toda a certeza não estou a ler as minhas "Tank Zone" ou a "Batailles &amp;amp; Blindés", onde estes erros seriam imperdoáveis. Para o leitor comum serão questões que não têm importância, mas destacam-se face a um pano de fundo de resto extremamente exacto. De resto, é louvável como Del Valle nos consegue localizar geográfica e historicamente, com a descrição pormenorizada das especificidades daquele momento e local da história humana, das pérolas de sabedoria popular, às interacções politicamente incorrectas entre invasores e indígenas, por vezes simbióticas e tácitas, perturbadas apenas pela brutalidade dos &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;einsatzgruppen&lt;/i&gt;, eufemisticamente descritos como grupos que “fazem as pessoas desaparecer”. Efectivamente eram grupos dentro das SS encarregues de limpezas étnicas “in loco”, levando a cabo execuções em massa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fez-me lembrar da (talvez apócrifa) história da velha camponesa que vivia na estepe com uma bandeira Alemã e outra Soviética, tal era a inconstância da linha da frente, que ela mostrava uma bandeira conforme o exército que avançava naquele dia para evitar ser executada e roubada por qualquer um dos lados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com este colorido muito especial, Arturo, tal como em &lt;strong&gt;"Os Demónios de Berlim"&lt;/strong&gt;, tenta encontrar um perigoso homicida num mundo que lhe escapa ao controlo, povoado de grandes intrigas e apostas capazes de decidir o destino de nações,&amp;nbsp;jogos&amp;nbsp;e megalomanias que deixam pouco espaço para preocupações com um assassinato cometido numa terra coberta de sangue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por oposição ao cataclísmico dos dias finais de Berlim, a estepe Russa é um ambiente quase bucólico, onde as vidas se desperdiçam na indiferença da neve, sob um sol que nada aquece por mais que brilhe em esforço, o que faz com que em &lt;strong&gt;"O Tempo dos Imperadores Estranhos"&lt;/strong&gt;, a história tenha uma longa preparação e só no último terço do livro acelera em direcção à sua conclusão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso é por vezes um livro impaciente onde as soluções faltam e os becos sem saída abundam, mas nunca se socorre das artimanhas fáceis e baratas que por vezes tornam os policiais peças de leitura incrivelmente toscas. Todas as malhas estão efectivamente lá, mas falta a agulha para as atravessar. A espera vale a pena, o desfecho é bastante fatalista, exemplificativo da pequenez dos protagonistas no grande esquema das coisas, e se há algo a dizer sobre Ignácio Del Valle é que a sua narrativa é bastante pessoal e opinativa. Dir-se-ia inclusivamente clarividente. As suas indagações e divagações deitam outra luz sobre os acontecimentos, sempre perspicazes e conscientes da ironia subjacente, até previdentes das nefastas consequências que aguardam cada acto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É um modo de agir muito atento e analítico que pude ver na agradável conversa que tive com Ignácio na última feira do livro de Lisboa. Deste modo, &lt;strong&gt;"O Tempo dos Imperadores Estranhos"&lt;/strong&gt;, à semelhança de &lt;strong&gt;"Os Demónios de Berlim"&lt;/strong&gt;, é um livro rico e de apontamentos filosóficos que vale a pena ler, pelo mistério que desvenda, e por muito mais que isso. Um excelente policial de altas aspirações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-5497257155297892518?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/5497257155297892518/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/08/o-tempo-dos-imperadores-estranhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5497257155297892518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5497257155297892518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/08/o-tempo-dos-imperadores-estranhos.html' title='&quot;O tempo dos Imperadores Estranhos&quot; - Ignacio Del Valle'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-mBZ6BFu-qGo/TkM7fc6faZI/AAAAAAAAAEg/VjNZK5b4Zzs/s72-c/otempodosimperadoresestranhos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-7890068308454481775</id><published>2011-08-10T14:37:00.001+01:00</published><updated>2011-08-10T20:49:41.336+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Porque arde Londres?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Psicólogos e Sociólogos conseguem ser académicos incrivelmente pouco imaginativos. Algures ao longo do processo de amadurecimento das ciências, a percentagem de pensadores inovadores face aos excelsos decalcadores de ideias parece ter-se diminuído.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje encontramo-nos no quarto dia de pilhagens e motins em algumas das principais cidades Britânicas, e os canais televisivos socorrem-se de "peritos", uns atrás dos outros, com o objectivo de explicarem às massas ignorantes de espectadores porque andam os jovens Britânicos a roubar e a pilhar. A quase completa ausência de explicações "off the grid" e o apelo às mesmas explicações "shake and bake" de sempre só rivaliza com a mesma atitude de economistas de tempos recentes, demasiado apegados às suas formatações académicas para transcenderem os manuais e decidirem sobre o mundo real.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez esteja a ser demasiado duro com estes meus "semi" colegas, mas sempre que alguém atira pedras numa democracia ocidental surgem as usuais explicações de terceiras gerações de imigrantes desenquadradas, da opressão dos guetos, etc., às quais se juntam agora as "meh... pode ter que ver com as medidas de austeridade".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certíssimo. Ainda que todos os países tenham medidas de austeridade, e nem todos reajam com pilhagens generalizadas. Nem mesmo o fenómeno Grego pode ser analisado à mesma luz; a crise económica era muito mais grave, e a violência dava-se em manifestações e em ataques claros a "símbolos" (reais ou não) das razões da crise.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é o que se passa em Inglaterra. São poucos os que parecem exigir algum tipo de liberdade ou mudança social face à situação social que os técnicos dizem que potenciam estes eventos. São ainda menos os que parecem ter algo a dizer e&amp;nbsp;a reclamar, e nenhuns se organizam em forma de protesto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É criminalidade pura e simples, por mais que tentemos dourar a coisa com teorias académicas que em nada contribuem para percebermos que não é um problema de imigrantes, descendentes, etnias ou guetos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu entendo que haja um apelo fácil das explicações prontas para microondas, mas no Reino Unido a violência gratuita e como passatempo é endémica. Estamos a falar de uma nação que deu à luz o boxe moderno, mas que tem criado nos últimos cem anos, década atrás de década, culturas de classe média que fazem do desafio à ordem instituída o seu modo de agir, em flagrante respeito por regras que consideram opressivas, desenquadradas da realidade, injustas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foram os Teddy Boys nos anos 50, os Punks nos anos 70, e pelo meio os Skinheads, os Oi!, sem esquecer que o Reino Unido é o berço do Hooliganismo e, em tempos recentes, da cultura Yob/Yobbo, meninos Anglo Saxões desocupados que fazem dos seus dias a delinquência, a provocação e confrontação. Há que compreender porque é que o Reino Unido gera tão facilmente movimentos em que o pontapé e o murro são a moeda de troca corrente, antes de se lançar irresponsavelmente o pânico ao se afirmar que este tipo de tumultos se podem espalhar pelo resto da Europa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certamente tanto se atiram pedras e se incendeiam edifícios na Líbia, quanto na Grécia, na Inglaterra como no Egipto, mas o substrato ideológico é diferente, tal como a cultura que gera o comportamento, e a Inglaterra tem um húmus centenário de desacatos e desordem de juventude revoltada, muito antes do problema poder ser imputado aos imigrantes. Afinal, estamos a falar do mesmo país que todos os anos vê os partidários de Guilherme de Orange desfilar pelas ruas Irlandesas numa orgulhosa atitude de provocação que gera invariavelmente conflitos com a comunidade Irlandesa Católica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É uma carga histórica demasiado óbvia e omnipresente para a falta de imaginação dos técnicos a tentar explicar apenas em termos de clichés de guetos e opressão de minorias, ainda que estes factores existam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todavia&amp;nbsp;há algo bem mais irónico que me preocupa. A revolta das pessoas que assistem ao vandalismo e exigem segurança e uma mão forte da polícia. Pedras, tiros e incêndios são um modo muito ruidoso de roubar, de perdermos o negócio pelo qual lutamos anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, tudo isso tem acontecido de modo mais silencioso com os ataques dos mercados, com os fundos de risco e a completa falta de ética dos investidores das bolsas que brincam sem dó nem piedade com as vidas e poupanças das pessoas. O roubo armado que esses indivíduos têm perpetrado contra as economias e as vidas das pessoas é pelo menos tão grave e tão danoso quanto os delírios primários de jovens delinquentes, e nenhum dos dois é desculpável, quer se ande de autocarro e se viva num bairro, ou se conduza um BMW e se viva na Quinta da Marinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Uma adenda: algumas horas após a missiva original chegou-me aos olhos uma contundente e visceralmente sarcástica "carta aberta"&amp;nbsp;aos pais de&amp;nbsp;David Cameron, &lt;em&gt;premier&lt;/em&gt; Britânico. Porque, ao fim e ao cabo, é preciso manter a perspectiva. Percam tempo a ler; é uma peça soberba: &lt;a href="http://nathanieltapley.com/2011/08/10/an-open-letter-to-david-camerons-parents/"&gt;http://nathanieltapley.com/2011/08/10/an-open-letter-to-david-camerons-parents/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-7890068308454481775?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/7890068308454481775/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/08/porque-arde-londres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7890068308454481775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7890068308454481775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/08/porque-arde-londres.html' title='Porque arde Londres?'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-5204646039085406566</id><published>2011-08-10T03:40:00.000+01:00</published><updated>2011-08-10T03:40:10.433+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Divulgação'/><title type='text'>Aquisições do mês...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;... à falta de melhor título e porque há na sua&amp;nbsp;definição temporal um certo fatalismo que me leva a pressupor que tão cedo não volto a adquirir livros, as finanças assim o ditam. Isto se não voltar a ter um devaneio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que foi precisamente o que aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade é que tudo começou com um inocente encontro com uma excepcional amiga de longa data, após o qual necessitei de queimar algum tempo. As prateleiras de uma livraria são para mim algo com o calibre de sedução que têm para algumas mulheres as ourivesarias, ou os stands de automóveis para determinados homens. O cão é o melhor amigo do homem, os diamantes os melhores das mulheres. Eu prefiro os livros, e trato-os um pouco como os &lt;em&gt;gadgets&lt;/em&gt; pelos quais as multidões amorfas fazem filas intermináveis à porta das lojas, de modo a obterem os mais recentes lançamentos das marcas da moda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olho-os alinhados, com esse talento tão especial que têm as grandes livrarias para exporem tudo de modo a incentivar a compra, e é com algum esforço que tento distinguir entre os sabores do dia e o que vale realmente a pena. Todavia, sempre com aquela sensação de que aquelas prateleiras são volúveis como as mulheres de &lt;em&gt;Rigoletto&lt;/em&gt;, imagino que o que não agarrar naquele instante será uma fugaz fagulha na minha mente para ser levada por uma brisa e jamais voltar a assomar-me ao espírito. Inevitavelmente sucumbo como mariposa à chama.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tal é a taxa de reciclagem da literatura hoje em&amp;nbsp;dia, gostemos disso ou não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E sem mais demoras, ruminações ou protelações, as aquisições do mês são (inserir rufar de tambor aqui):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-TgmEK2iMs8I/TkHuLBieBjI/AAAAAAAAAEQ/h8t6e6QUK5o/s1600/asdesventuras.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-TgmEK2iMs8I/TkHuLBieBjI/AAAAAAAAAEQ/h8t6e6QUK5o/s1600/asdesventuras.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;1 - "As Desventuras do Sr. Pinfold"&lt;/strong&gt;, de Evelyn Laugh. Publicação da Relógio D'Água.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;Resumo:&lt;/strong&gt; Pinfold, um escritor de meia-idade e com problemas de saúde, decide embarcar num cruzeiro até Ceilão, embarcando no SS Caliban, um veterano da II Guerra mundial. Se o seu objectivo era recuperar a sua saúde mental e terminar o romance que está a escrever, as suas alucinações, as vozes que ouve, irão estragar-lhe os planos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;strong&gt;Opinião: &lt;/strong&gt;Interessante: nas primeiras páginas de &lt;strong&gt;"As Desventuras do Sr. Pinfold"&lt;/strong&gt;, é como a descrição do escritor nos seus 50 anos lembra tanto a própria vivência de Laugh pela mesma altura da sua vida. O livro tem desde logo diversos elementos que me atraíram para a compra: literatura Inglesa de um mestre de estilo que é até este momento inédito para mim, o tema da loucura e... navios velhos com corredores a transpirar história e mitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-STQ4dej2fmQ/TkHuSM42gZI/AAAAAAAAAEU/8TM14Tan59g/s1600/nastrevasexteriores.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-STQ4dej2fmQ/TkHuSM42gZI/AAAAAAAAAEU/8TM14Tan59g/s1600/nastrevasexteriores.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;2 - "Nas Trevas Exteriores"&lt;/strong&gt;, de Cormac McCarthy. Publicação da Relógio D'água.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;strong&gt;Resumo:&lt;/strong&gt; Uma mulher tem um filho do seu irmão. Este abandona o bebé na floresta, dizendo-lhe que a criança morrera de causas naturais. Quando a mulher descobre a mentira, parte em busca do filho. Ambos os irmãos vagueiam sozinhos pelas zonas rurais enquanto são perseguidos e aterrorizados por três estranhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Opinião: &lt;/strong&gt;Curioso como o título invoca o termo Bíblico onde se diz que haverá choros e ranger de dentes; Culla assume um papel de Caim, um errante que não consegue&amp;nbsp;deixar de se deparar com a tragédia para onde quer que vá.&amp;nbsp;Mas esta ruralidade sulista Americana, o incesto, a perversão, a desconfiança de estranhos,&amp;nbsp;são quase pilares de um certo tipo de terror que parece inspirar desde McCarthy até aos filmes de terror Classe B. Esta fábula de dois irmãos com destinos tão diferentes não poderia jamais deixar-me indiferente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_mErPCUfirM/TkHuscTZ3nI/AAAAAAAAAEY/A97HQG85BH0/s1600/o-cemiterio-de-praga.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-_mErPCUfirM/TkHuscTZ3nI/AAAAAAAAAEY/A97HQG85BH0/s1600/o-cemiterio-de-praga.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;3 - "O Cemitério de Praga"&lt;/strong&gt;, de Umberto Eco. Publicação da Gradiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;strong&gt;Resumo: &lt;/strong&gt;Quando o Capitão Simone Simonini é chamado a investigar um homicídio, acaba por se defrontar com um fio de acontecimentos e intrigas que irão moldar toda a Europa do século XX, a culminar no holocausto. Trata-se de uma viagem ao anti-semitismo moderno, trasversal aos falsos "Protocolos dos Sábios de Sião", ao criminoso Caso Dreyfus, incluindo conspirações maçónicas e laivos revolucionários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;strong&gt;Opinião: &lt;/strong&gt;Onde andei eu desde Março? Umberto Eco é a todos os níveis um escritor fabuloso, na crítica aos costumes e dogmas, na fluidez e sagacidade da sua escrita, na mestria das suas intrigas e na profundidade das suas simbologias. &lt;strong&gt;"O Cemitério de Praga"&lt;/strong&gt; é um verdadeiro épico que oferece inteligência e humor em qualquer página aberta ao acaso. Experimentem. Encontrarão sempre algo que vos marcará a memória, nem que seja a mais banal frase escrita com óbvia elegância. Não admira que já vá na 5ª edição, e será com toda a certeza um livro a devorar. A tentação de o agarrar ferve-me efectivamente nas veias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-yNQw_CRmCOk/TkHvJ1AJPoI/AAAAAAAAAEc/4vf7WjiQ2RU/s1600/BlackStatic_22.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" naa="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-yNQw_CRmCOk/TkHvJ1AJPoI/AAAAAAAAAEc/4vf7WjiQ2RU/s1600/BlackStatic_22.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;4 - "Black Static" #22&lt;/strong&gt;, que para quem não sabe é uma premiada e já veterana revista de literatura de horror, publicada no Reino Unido, e incluíndo além de contos, notícias e críticas. Este mês, &lt;strong&gt;"The Salt Of Eliza" &lt;/strong&gt;de Alan Wall, &lt;strong&gt;"Durgeon's Party" &lt;/strong&gt;de Tim Lees, &lt;strong&gt;"Black Feathers" &lt;/strong&gt;de Alison J. Littlewood, &lt;strong&gt;"Child"&lt;/strong&gt; de Simon Kurt Unsworth, e a promissora&amp;nbsp;&lt;strong&gt;"This Is Mary Moon"&lt;/strong&gt; de Steven Pirie.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O termo em inglês é "stash". São as bolotas na bochecha do esquilo, o stock de maquetes que não teremos tempo de montar durante a vida toda, são as bolachas empacotadas para azedarem antes de terem tempo de nos alimentar no apocalipse nuclear que só existe na nossa paranóia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O meu "stash" de livros começa a ser maior que o meu "stash" de papel moeda, daí que o último mês tenha sido nulo em aquisições, fora os usuais periódicos, "TnT", "Batailles&amp;nbsp;&amp;amp; Blindés", "Aerojournal", etc. Não faz mal... posso não ter tempo em toda a vida para ler tudo o que vale a pena, mas tenho tempo suficiente pela frente para ler mais do que necessito para me sentir bem comigo próprio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho... péssima altura para me lembrar do historial de diabetes e cancro na família.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-5204646039085406566?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/5204646039085406566/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/08/aquisicoes-do-mes.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5204646039085406566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5204646039085406566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/08/aquisicoes-do-mes.html' title='Aquisições do mês...'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-TgmEK2iMs8I/TkHuLBieBjI/AAAAAAAAAEQ/h8t6e6QUK5o/s72-c/asdesventuras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-7541513683213523278</id><published>2011-07-29T23:07:00.000+01:00</published><updated>2011-07-29T23:07:16.031+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>"O Terror - Vol. 2 de 2" - Dan Simmons</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-eD7w_LZL_uc/TjMl1XTWz2I/AAAAAAAAAEM/PYuEwUHjHyU/s1600/oterrorvol2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-eD7w_LZL_uc/TjMl1XTWz2I/AAAAAAAAAEM/PYuEwUHjHyU/s1600/oterrorvol2.jpg" t$="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Dan Simmons&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução:&lt;/strong&gt; Ester Cortegano&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2011&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.saidadeemergencia.com/"&gt;Saída de Emergência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896373573&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois da influência e fascínio que exerceu em mim o primeiro volume de &lt;strong&gt;"O Terror"&lt;/strong&gt;, o natural seria mesmo não deixar escapar a oportunidade de ler o quanto antes, a continuação da saga, o que a Saída de Emergência tornou possível com a sua cortesia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Compreende-se bem porque optou Dan Simmons por uma publicação em dois volumes. Apesar da linha contínua entre ambos os livros, é como se uma serpente tivesse deixado para trás a pele velha. Se no primeiro volume a tripulação da expedição perdida de Sir John Franklin enfrentava um monstro, mas acima de tudo a natureza hostil para a qual não estava preparada, em &lt;strong&gt;"O Terror Vol. 2"&lt;/strong&gt;, assistimos à ameaça omnipresente dos mesmos perigos naturais, mas o grande antagonista é mesmo a própria natureza humana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após os acontecimentos relatados no 1º volume, as tripulações do HMS Erebus e do HMS Terror encontram-se desfalcadas e desmoralizadas. Sem soluções fáceis com que salvarem as suas vidas, os sobreviventes da expedição avançam pelo gelo com notória falta de preparação ou habilidade, em direcção a um socorro que pode estar sempre longe&amp;nbsp;demais. São infindáveis noites de pesadelos, surpresas mortíferas e esperanças goradas, que dilaceram homens no limiar da sobrevivência, esfomeados, desmoralizados, perto do desespero, ou da insurreição. São risos de kârmica malevolência de uma natureza trocista, impassível e indiferente à tragédia que se desenrola sem abrandar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com este pano de fundo, &lt;strong&gt;"O Terror Vol. 2"&lt;/strong&gt; é um&amp;nbsp;catálogo de naturezas humanas em conflito, um catálogo do melhor e pior que pode um homem fazer para lidar com uma situação de crise extrema. Ao mesmo tempo, o livro apresenta um enfoque mais místico, creio que invocativo mesmo de Stephen King, onde a sombria epopeia se torna, para um homem, o reencontro com ele próprio. Dá-se também o grande choque cultural entre a ambição Inglesa e os esquimós, com os seus rituais e artefactos primitivos mas plenamente adaptados ao ambiente, com as suas tácticas sobrevivência&amp;nbsp;eficazes, face a perfeita ignorância dos &lt;em&gt;kabloona&lt;/em&gt;. Para Francis Crozier, são duras e assombrosas lições que poderiam ter salvo os seus homens e outros exploradores que se lhe seguiram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase um século depois, quando Robert F. Scott pereceu durante a expedição ao Pólo Sul, a sua equipa ainda não valorizava os skis ou as roupas de pele que Amundsen aproveitou dos Inuit, muito mais eficientes que as lãs e impermeáveis de Scott e também Franklin. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É neste ponto que Dan Simmons nos apresenta habilmente&amp;nbsp;a inspiração&amp;nbsp;mitológica da sua história: as lendas e mitos de criação do povo Inuit. Também aqui podemos verificar o resultado de uma profunda e extensa investigação&amp;nbsp;onde o mito se junta&amp;nbsp;à história para um thriller&amp;nbsp;cruel e uma poderosa metamorfose espiritual. Este novo elemento fornece ao enredo um grande &lt;em&gt;twist&lt;/em&gt; para desembocar no que me pareceu um fim ironicamente trágico e digno do livro que encerra, uma dessas&amp;nbsp;preciosas instâncias em que a última pontuação deixa o leitor com a certeza que o desfecho foi o que deveria ser.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parte do &lt;em&gt;déjà vu&lt;/em&gt; que me invocou &lt;strong&gt;"O Terror&lt;/strong&gt;"&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;logo no primeiro volume, foi a recuperação do mesmo mito criador, de um &lt;em&gt;setting&lt;/em&gt;&amp;nbsp;levemente parecido e de algumas semelhanças entre personagens, com que há alguns anos teci um livro. Escrito&amp;nbsp;a propósito de um concurso promovido pela Saída de emergência, acabou tão encalhado na escuridão quanto a expedição perdida de Franklin. É&amp;nbsp;que a mim e a&amp;nbsp;Dan Simmons, separam-nos um oceano de água, e outro de talento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, vi-me numa posição em que, havendo lido e tido algumas ideias relativamente semelhantes, pude verificar onde o autor havia ido infinitamente mais longe e fundo na sua investigação. Desse modo, os meus erros e falhas foram aparentes, tal como as minhas limitações a lidar com algumas variáveis e encarei &lt;strong&gt;"O Terror"&lt;/strong&gt; como uma oportunidade de aprendizagem. Como tal, esta é uma obra que me suscita alguma admiração e um afecto particular por ter interligações com o meu próprio imaginário. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para todos os outros leitores, &lt;strong&gt;"O Terror Vol. 2"&lt;/strong&gt; tem essa característica frequentemente fugidia de trazer a um grande épico um desfecho condigno e satisfatório sem cair na tentação de tentar desmistificar e privar da sua aura aquele que será, certamente para sempre, um dos mais trágicos e indecifráveis capítulos da história da exploração polar. Simmons especula talvez mais neste segundo e último volume, mas faz ainda assim honra a homens que levaram com eles os factos que os arrancaram ao seio das suas famílias e os fizeram entrar na imortalidade da história como silenciosos túmulos na banquisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Mas não totalmente silenciosos, porque à sua maneira também os mortos falam, e 150 anos depois, continuam a contar os segredos que em vida não sabiam possuir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://1.gvt0.com/vi/xXjeRYNcY6k/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xXjeRYNcY6k&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/xXjeRYNcY6k&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-7541513683213523278?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/7541513683213523278/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/07/o-terror-vol-2-de-2-dan-simmons.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7541513683213523278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7541513683213523278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/07/o-terror-vol-2-de-2-dan-simmons.html' title='&quot;O Terror - Vol. 2 de 2&quot; - Dan Simmons'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-eD7w_LZL_uc/TjMl1XTWz2I/AAAAAAAAAEM/PYuEwUHjHyU/s72-c/oterrorvol2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-7900245786112763539</id><published>2011-07-06T02:07:00.001+01:00</published><updated>2011-07-06T02:08:13.921+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>"O Terror Vol 1. de 2" - Dan Simmons</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-sL8czM10v-0/ThO0kawCqCI/AAAAAAAAAEI/h_Rm8PKbELw/s1600/oterror.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" i$="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-sL8czM10v-0/ThO0kawCqCI/AAAAAAAAAEI/h_Rm8PKbELw/s1600/oterror.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Dan Simmons&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução:&lt;/strong&gt; Ester Cortegano&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2011&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.saidadeemergencia.com/"&gt;Saída de Emergência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896373290&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;No dia 19 de Maio de 1845, reforçados para aguentar as agressões do gelo,&amp;nbsp;e com mantimentos para 5 anos de sobrevivência, os HMS Erebus e Terror partiram de Inglaterra numa expedição para encontrar a&amp;nbsp;"Passagem do Noroeste", um caminho que - postulava-se - permitiria passar do Atlântico para o Pacífico, viajando pelas perigosas águas&amp;nbsp;glaciares&amp;nbsp;entre os continentes Americano e o&amp;nbsp;Árctico.&amp;nbsp;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Ambos os navios tinham tripulações experientes, e as próprias embarcações haviam já sido imortalizadas em distantes latitudes, nomeadamente nos montes Erebus e Terror, dois grandes vulcões Antárcticos, mas apesar disto toda a expedição de 134 homens se perdeu, e o seu destino tornou-se o tecido de mitos e lendas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Volvidos mais de cem anos, com o mundo cartografado com recurso a satélites, com sistemas de navegação avançados e uma capacidade de comunicação a longas distâncias&amp;nbsp;incompreensível há&amp;nbsp;escassas décadas,&amp;nbsp;é-nos difícil perceber que tipo de fibra seria necessário possuir em primeira instância se arriscar assim a vida,&amp;nbsp; e para então se passarem anos a fio, em barcos apinhados, com mantimentos a escassearem, no mais puro e gélido breu. É precisamente para esta época e para estas circunstâncias em si mesmas aterradoras, em que a vida dos homens valia menos que os seus feitos e a glória se escrevia em sangue e se registava em&amp;nbsp;pedras tumulares, que nos transporta &lt;b&gt;"O Terror"&lt;/b&gt;, de Dan Simmons.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;A narrativa encontra-nos em pleno Inverno Árctico, com ambos os navios irremediavelmente aprisionados no gelo, imersos numa pérfida escuridão e acossados por um monstro ainda mais terrífico que a brutalidade da geografia e da meteorologia polares. Num estilo contido e sólido, Simmons mostra-nos o desenlace dos &amp;nbsp;acontecimentos do ponto de vista de diversas personagens, uma em cada capítulo, oferecendo-nos diferentes pontos de vista, motivações e percursos de vida. Acresce o recurso frequente à analepse, o que permite compreender como a narrativa chegou àquele momento, sem o entediante e massudo que seria seguir uma ordem cronológica para acontecimentos ao longo de anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Apesar de Simmons introduzir um elemento sobrenatural e mitológico, o peso próprio de uma aventura épica, historicamente real, é o real ponto fulcral em &lt;b&gt;"O Terror" &lt;/b&gt;e o elemento fantástico não retira importância à historicidade, o que parece apenas sensato, tendo em conta a brutalidade dos factos puros e duros de uma aventura que terminou em fome, doença, canibalismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Simmons parece estar razoavelmente bem informado sobre as circunstâncias e antecedentes da missão e dos homens que dela fizeram parte, ainda que se socorra tanto dos factos históricos, quanto de alguns factos de origem mais duvidosos (o possível cecear do capitão Fitzjames), mas de um modo geral são poucas as concessões detectadas à factualidade histórica. Por exemplo, John Franklin aparece no livro como um organizador algo teimoso perante objecções do "Conselho do Árctico", quando o seu real papel nos preparativos foi diminuto e o comando só lhe foi entregue em vésperas da partida, mas entende-se esta discrepância para apresentar as características da expedição de modo mais fluido. Onde a história tem pontos em branco, as conjecturas de Simmons são informadas e fundamentadas. Muito facilmente poderíamos tomar &lt;b&gt;"O Terror"&lt;/b&gt; por um sensível e hábil romance histórico.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Dois pormenores de somenos importância: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;1 - O baleeiro "Prince of Wales" é repetidamente escrito como "Prince Of Whales"... nome interessante para um baleeiro, mas "Prince Of Wales" é o nome correcto;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;2 - Tanta palavra alterada pelo Acordo Ortográfico. Por mero acaso este é um livro onde palavras como "receção" e, fundamentalmente, "Ártico"&amp;nbsp;aparecem inúmeras vezes (este blogue apoia o Acordo... mas como viram, não o segue à risca).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;"The Last Place On Earth"&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;, de 1985, e retratando as circunstâncias trágicas da expedição ao Pólo Sul de Robert Falcon Scott, é das séries de televisão mais distantes que a minha memória marcou. Brilhante, poderosa, deixou-me um gosto indelével pelo dantesco da exploração polar do século XIX e início do século XX. Com mestria e intensidade,&amp;nbsp;&lt;b&gt;"O Terror"&lt;/b&gt; reaviou em todo o seu deleite esse antigo fascínio de infância: a um fundo histórico ao qual não falta tragicidade, o autor acrescenta o seu toque pessoal e&lt;b&gt; "O Terror&lt;/b&gt;"&amp;nbsp;devora-se avidamente, para mim, efectivamente num tempo recorde de 5 dias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se procuram um thriller de fundo histórico sólido, algo sombrio e arrepiante, não procurem mais: Está aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mau, terrível, será mesmo aguentar a espera pelo segundo volume.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.saidadeemergencia.com/uploads/books/samples/srm_TerrorSimmonsVol1.pdf"&gt;Ler excerto desta obra&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-7900245786112763539?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/7900245786112763539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/07/o-terror-vol-1-de-2-dan-simmons.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7900245786112763539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7900245786112763539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/07/o-terror-vol-1-de-2-dan-simmons.html' title='&quot;O Terror Vol 1. de 2&quot; - Dan Simmons'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-sL8czM10v-0/ThO0kawCqCI/AAAAAAAAAEI/h_Rm8PKbELw/s72-c/oterror.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-6017177045199167183</id><published>2011-06-29T22:52:00.000+01:00</published><updated>2011-06-29T22:52:38.741+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>"O Assédio" - Arturo Pérez-Reverte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-zM0kYp4KZio/TcSGUdfMW7I/AAAAAAAAADA/eoraa3zYmKg/s1600/O_assedio.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Arturo Pérez-Reverte&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título original:&lt;/strong&gt; El Asedio&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Tradutor: &lt;/strong&gt;Helena Pitta&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Abril 2011&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.asa.pt/"&gt;Edições Asa&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789892313382&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Eis-me de volta, quase um mês depois, mas em abono da verdade, 650 páginas, mais ou menos, não são fáceis de ler quando o tempo não abunda. Em defesa de Pérez-Reverte, um dos mais prestigiados autores Espanhóis contemporâneos, &lt;b&gt;"O Assédio"&lt;/b&gt; não tem páginas a mais, e o enredo flui bem do início ao fim.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;"O Assédio"&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt; leva-nos até ao cerco de Cádis em 1811, durante as Guerras Napoleónicas. Cercada pelas tropas Francesas, a próspera metrópole mercantil mantém-se activa, fruto da sua posição geográfica que invalida uma invasão ou um bombardeamento efectivo. Mas o aparecimento de uma jovem assassinada acaba por se mostrar apenas o início de um desafio de monta para o inspector Rogélio Tizón: cada rapariga assassinada surge num local onde cai uma bomba Francesa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Rogélio Tizón, polícia da velha guarda, tem de apanhar o criminoso enquanto em Cádis se movem interesses económicos e políticos, numa altura de grandes transformações para a nação Espanhola. Até que ponto tudo isto está relacionado ou não, Pérez-Reverte mantém no segredo dos deuses. Em &lt;b&gt;"O Assédio"&lt;/b&gt;, assistimos às demandas paralelas de um inspector da polícia, um salineiro transformado em guerrilheiro, um corsário, uma herdeira de uma companhia de navegação&amp;nbsp;e um capitão de artilharia Francês, a par com espiões, traficantes, políticos, prostitutas e, claro, um misterioso e indecifrável assassino em série.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Habilmente, as personagens encontram-se, chegam até a trocar palavras, mas as suas histórias movem-se independentemente umas das outras, cada uma alheia à tragédia pessoal da outra, e deste modo &lt;b&gt;"O Assédio"&lt;/b&gt; parece reunir - como a crítica o afirma - tudo aquilo sobre que Pérez-Reverte gosta de escrever. Ao tema das guerras Napoleónicas, junta-se o policial, os combates de capa-e-espada, a intriga e a espionagem, gerando um enredo bastante completo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;A narrativa é de resto bastante diversificada, entre o mistério do seu enredo policial e o visceral das acções militares, entre os jogos políticos e os amores incómodos. Pérez-Reverte alterna bastante bem uns e outros, ora lançando um longo e detalhado pano de fundo, ora cortando para cenas que a narração apanha já a meio, em plena adrenalina, num estilo quase cinematográfico. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Rigorosamente investigado, &lt;b&gt;"O Assédio"&lt;/b&gt; transporta-nos muito bem para a época que relata, usando uma linguagem fluída e rica, onde são claros os traços de Pérez-Reverte, o seu frequente humor velado, a caracterização das personagens deixando sempre um véu de mistério e profundidade, a exactidão dos pormenores, as descrições ricas mas sem rebuscado exagero. Fãs do autor Espanhol encontrarão assim aqui características, quer de obras como "A sombra da Águia", "O Hussardo", etc.. Ao mesmo tempo que assim se agrada aos leitores assíduos do autor, &lt;b&gt;"O Assédio"&lt;/b&gt; também deve alguma da sua mística às narrativas navais reminiscentes da genial série &lt;b&gt;"Aubrey-Maturin"&lt;/b&gt; de Patrick O'Brian, mais conhecida talvez entre nós por ter inspirado o filme &lt;b&gt;"Master And Commander"&lt;/b&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, &amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT;"&gt;Romance naval, romance policial, de espionagem, um romance histórico também, &lt;b&gt;"O Assédio" &lt;/b&gt;reúne características díspares que o tornarão apelativo a públicos diversificados. Uma excelente leitura, que vai vivamente recomendada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-6017177045199167183?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/6017177045199167183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/06/o-assedio-arturo-perez-reverte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6017177045199167183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6017177045199167183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/06/o-assedio-arturo-perez-reverte.html' title='&quot;O Assédio&quot; - Arturo Pérez-Reverte'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-zM0kYp4KZio/TcSGUdfMW7I/AAAAAAAAADA/eoraa3zYmKg/s72-c/O_assedio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-7724955697300800217</id><published>2011-06-06T00:11:00.001+01:00</published><updated>2011-06-09T00:37:09.470+01:00</updated><title type='text'>Era uma vez um excêntrico.</title><content type='html'>Agora são 2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-7724955697300800217?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/7724955697300800217/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/06/era-uma-vez-um-excentrico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7724955697300800217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7724955697300800217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/06/era-uma-vez-um-excentrico.html' title='Era uma vez um excêntrico.'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-2732119500630228765</id><published>2011-06-04T00:02:00.002+01:00</published><updated>2011-06-04T00:05:27.297+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>A importância da educação...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagino que não traga nada de novo, e que a maioria das pessoas o tenha já notado, mas hoje, confrontado com&amp;nbsp;voluntários (?)&amp;nbsp;que ofereciam jornais-panfleto do PS, aceitei um. Sou um indivíduo curioso quanto ao que dizem todos os partidos, confesso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem demérito das propostas do partido, não pude deixar de puxar do telemóvel perante o que encontrei numa das páginas:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Jaok9iLwIpE/TelnOSMiJMI/AAAAAAAAAEE/2-XK2ffBnLo/s1600/Foto0277.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="239" src="http://4.bp.blogspot.com/-Jaok9iLwIpE/TelnOSMiJMI/AAAAAAAAAEE/2-XK2ffBnLo/s320/Foto0277.jpg" t8="true" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo ali? Alguns diriam tratar-se de algo perfeitamente sintomático do investimento educativo nacional nos últimos anos, outros protestariam tratar-se de um exemplo muito claro dos atalhos que por cá se têm tomado. Muitos diriam muitas coisas, mas "irónico" é talvez a palavra que melhor o expressa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou não. Vindo de onde vem, "sarcasmo" não parece impossível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Educação: é realmente importante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-2732119500630228765?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/2732119500630228765/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/06/importancia-da-educacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2732119500630228765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2732119500630228765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/06/importancia-da-educacao.html' title='A importância da educação...'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Jaok9iLwIpE/TelnOSMiJMI/AAAAAAAAAEE/2-XK2ffBnLo/s72-c/Foto0277.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-8157184613269043999</id><published>2011-05-21T01:03:00.002+01:00</published><updated>2011-05-21T01:05:25.385+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Divulgação'/><title type='text'>Contra o fim do Ministério da Cultura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostaria de fazer eco da divulgação por parte de &lt;strong&gt;Os Cadernos de Daath&lt;/strong&gt;, da petição iniciada pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) que visa a possibilidade do próximo governo nacional despromover o Ministério da Cultura para simples Secretaria de Estado, com todas as limitações de poderes, funções e potencialidades, que essa medida acarretaria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O país vive de facto uma crise, com cortes cegos e de eficácia dúbia, difíceis de compreender mesmo para quem se possa identificar com ideologias económico-partidárias mais à direita, mas medidas eleitoralistas que sacrifiquem e prejudiquem a produção cultural em Portugal, não são somente inúteis para resolver a crise maior, como podem representar danos a longo prazo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se tratará com certeza de alimentar criancinhas esfomeadas ou aliviar o fardo da classe média, porque para isso, consegue-se pensar em algumas medidas bem mais danosas. O orçamento do Ministério da Cultura não representa mais do que 0,4% da despesa&amp;nbsp;da Administração Central&amp;nbsp;prevista no orçamento de 2011. Certamente a sua passagem a secretaria de estado teria efeitos bem mais importantes do lado da perda de competências, que do lado da poupança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem se trata de extinguir um ministério que para o senso comum pouco mais faz que alimentar artistas excêntricos. Os impactos serão sentidos também nas bibliotecas, nos museus, no nosso património histórico, profundamente maltratado e pouco rentabilizado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assinem, se assim considerarem pertinente, e espalhem palavra: &lt;a href="http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N9960"&gt;http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N9960&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-8157184613269043999?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/8157184613269043999/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/05/contra-o-fim-do-ministerio-da-cultura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/8157184613269043999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/8157184613269043999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/05/contra-o-fim-do-ministerio-da-cultura.html' title='Contra o fim do Ministério da Cultura'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-3838231733232153147</id><published>2011-05-20T19:30:00.000+01:00</published><updated>2011-05-20T19:30:27.195+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>David Soares - Batalha</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4z1hnmsx264/TdE5BYCFpeI/AAAAAAAAADI/OIVKjFYQvkA/s1600/batalha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-4z1hnmsx264/TdE5BYCFpeI/AAAAAAAAADI/OIVKjFYQvkA/s1600/batalha.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; David Soares&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ilustrações: &lt;/strong&gt;Daniel Silvestre da Silva&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2011&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.saidadeemergencia.com/"&gt;Saída de Emergência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896373184&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Foi sem dúvida um dos pontos altos da última edição da Feira do Livro de Lisboa&amp;nbsp;- para mim, entenda-se - a possibilidade de apertar a mão a David Soares no pré-lançamento do seu novo trabalho, &lt;strong&gt;"Batalha"&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Batalha"&lt;/strong&gt; é uma prosa atípica para David Soares, que se aventura aqui por águas menos previsíveis para os que seguem esta promessa das letras nacionais. Não&amp;nbsp;tem com certeza, coisa alguma que ver com trabalhos anteriores, mas neste aventureirismo literário, cria algo que, apesar de novo, não foge ao seu estilo. Aqui permanecem as imagens vivas, a frieza da condição do ser vivo, o léxico tão imprevisível quanto os enredos. Bem verdade, a escrita de David é frequentemente um trovão saído do azul.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez sejam as horas a ler &lt;strong&gt;"The Mice Templar"&lt;/strong&gt;, quiçá o belicismo erótico de &lt;strong&gt;"Solo"&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;ou&amp;nbsp;a narrativa de sobrevivência em&amp;nbsp;&lt;strong&gt;"Maus"&lt;/strong&gt;, mas o antropomorfismo da ratazana Batalha suscitou-me algum fascínio desde o início, pela verosimilhança do seu comportamento. À ratazana que quer ser homem, David imprime realisticamente uma humanidade tão frequentemente ausente daqueles que sendo homens, como ratos se comportam e agem. Fá-lo com a medida certa, para que ratazana seja, mas com a humanidade a identifiquem, e fá-lo com a usual capacidade para invocar imagens recorrentes na nossa mente. &lt;strong&gt;"Batalha"&lt;/strong&gt; é de facto um desses livros que facilmente se vêm tanto quanto se lêem, virtude também do empurrão dado pelas ilustrações de Daniel Silvestre da Silva. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem deixar de ter alguns elementos&amp;nbsp;reminiscentes de &lt;strong&gt;"O Triunfo dos Porcos"&lt;/strong&gt;, de George Orwell, &lt;strong&gt;"Batalha"&lt;/strong&gt; configura-se como uma peculiar&amp;nbsp;e bem conseguida alegoria que se entrecruza com a história da nação Portuguesa, sobre o sentido da vida, a sua frequente crueza e tudo o que fica por concretizar quando por fim ela termina. Fala-nos da religião e do divino, da salvação adiada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que sobra então daquilo que fomos, o que não leva o vento quando transporta as cinzas dos sonhos caídos por terra?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A obra, certamente, fica para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-3838231733232153147?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/3838231733232153147/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/05/david-soares-batalha.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3838231733232153147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3838231733232153147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/05/david-soares-batalha.html' title='David Soares - Batalha'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4z1hnmsx264/TdE5BYCFpeI/AAAAAAAAADI/OIVKjFYQvkA/s72-c/batalha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-2735926127539185537</id><published>2011-05-16T15:55:00.001+01:00</published><updated>2011-05-16T18:04:24.316+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Divulgação'/><title type='text'>Feira do Livro de Lisboa - O Balanço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-spFZlPRaxb8/TdE4_-D7c9I/AAAAAAAAADE/ilGJ2BDIQBw/s1600/extasemortal.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-4z1hnmsx264/TdE5BYCFpeI/AAAAAAAAADI/OIVKjFYQvkA/s1600/batalha.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-uTVaoLC0ukY/TdE5CRKFn2I/AAAAAAAAADM/x-v-51AYkCY/s1600/lisboatriunfante.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-adW1IMZt_MY/TdE5D_eQ3rI/AAAAAAAAADQ/b1wn_wNgUTM/s1600/tempodosimperadoresestranhos.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-AmWmc8qUcXQ/TdE5FGeAXEI/AAAAAAAAADU/DvLyTpXqVD0/s1600/A_Arte_de_Matar_Dragoes.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-tHI5g9QBeo8/TdE5HW4l58I/AAAAAAAAADY/An6AX0WaT_U/s1600/grandedeuspa.JPG" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tarde e a más horas, para além do mais com reduzido orçamento, foi assim que me desloquei à Feira do Livro somente por três ocasiões, inclusivamente ontem, quando o fecho pontual do evento me impediu de fazer algumas compras que adiara até à última hora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com seis livros comprados e três ofertas (uma das quais convertida em prenda), a minha usual predilecta Saída de Emergência onde o atendimento é sempre de louvar, foi a campeã incontestável das aquisições, numa eclética mescla de géneros e temas, entre o terror, a realidade alternativa, e o fantástico:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Grande Deus Pã"&lt;/strong&gt;, de Arthur Machen&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"A Chave Gaudí"&lt;/strong&gt;, de Esteban Martín&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Pavana"&lt;/strong&gt;, de Keith Roberts&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"La Magdalena"&lt;/strong&gt;, de William M. Valtos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Homem Do Castelo Alto"&lt;/strong&gt;, de Phillip K. Dick&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Terror"&lt;/strong&gt;, de Dan Simmons&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Êxtase Mortal"&lt;/strong&gt;, de J. D. Robb&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Lisboa Triunfante"&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;"Batalha"&lt;/strong&gt;, de David Soares&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Baralhando ainda mais as escolhas, as visitas muito rápidas e intencionais a outras editoras, acrescentaram:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Bilhar às Nove e Meia", de&lt;/strong&gt; Heinrich Böll&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"A Derrocada de Baliverna"&lt;/strong&gt;, de Dino Buzzati&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Gente Independente"&lt;/strong&gt;, de Halldór Laxness&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Eu Mato"&lt;/strong&gt;, de Giorgio Faletti&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"A Arte de Matar Dragões"&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;"O Tempo dos Imperadores Estranhos"&lt;/strong&gt;, de Ignacio del Valle&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo somado, a visita deste ano à Feira do Livro de Lisboa valeu pelo afortunado das companhias que tive o prazer de ter ao meu lado, pela cortesia das pessoas atrás do balcão, sempre prestáveis e cordiais apesar das horas avançadas, e pelos autógrafos de David Soares e Ignacio del Valle, ambos autores que aprecio apesar de se encontrarem em espectros bem distantes da literatura. O diálogo com Ignacio del Valle foi particularmente interessante, produtivo, e abrangendo temáticas que em muito transcenderam o escritor. Com agrado fiquei a saber que adaptação ao cinema de &lt;strong&gt;"O Tempo Dos Imperadores Estranhos"&lt;/strong&gt;, filmada desde Fevereiro na Lituânia correu bem. Sob a direcção de Gerardo Herrero (o mesmo que dirigiu "O Segredo Nos Seus Olhos", filme a não perder), aguarda-se um filme de elevado interesse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para o ao há mais!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;img border="0" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-ujTAMLB-fdo/TdE5oHkwgFI/AAAAAAAAADc/8FhB7PUsAYQ/s1600/achavegaudi.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-6lYaQSNvlkU/TdE5pjGvZFI/AAAAAAAAADg/8HwJ-zkTP5I/s1600/pavana.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-tupyjQ2osSk/TdE5qCNOiuI/AAAAAAAAADk/u0KSAYXA9VY/s1600/Terror_Dan%252520Simmons.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-4cxrdvm25bk/TdE5q4cUBEI/AAAAAAAAADo/oW6FwL43eYc/s1600/lamagdalena.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-iw6C9Jjpu-8/TdE5rVwPUeI/AAAAAAAAADs/UJsNZ-NH0PE/s1600/ohomemdocasteloalto.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-pzlvVzpVtPQ/TdE6VzrDFAI/AAAAAAAAAEA/EAdaL1dqpHs/s1600/genteindependente.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-7-xaFM6gQ-s/TdE5sdHDSfI/AAAAAAAAADw/g22lh8HKVhs/s1600/bilharasnoveemeia.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-bm8z6Y_5s0g/TdE5tGVJyAI/AAAAAAAAAD0/WYCdcVhjbC0/s1600/Baliverna.jpg" /&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-ClM0wLBXhgo/TdE5wEIwdmI/AAAAAAAAAD8/xAksqcCOsNU/s1600/eu_mato.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-2735926127539185537?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/2735926127539185537/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/05/feira-do-livro-de-lisboa-o-balanco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2735926127539185537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2735926127539185537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/05/feira-do-livro-de-lisboa-o-balanco.html' title='Feira do Livro de Lisboa - O Balanço'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-spFZlPRaxb8/TdE4_-D7c9I/AAAAAAAAADE/ilGJ2BDIQBw/s72-c/extasemortal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1063392727631451834</id><published>2011-05-07T00:38:00.001+01:00</published><updated>2011-05-07T00:41:00.486+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Divulgação'/><title type='text'>Sinais de vida...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zM0kYp4KZio/TcSGUdfMW7I/AAAAAAAAADA/eoraa3zYmKg/s1600/O_assedio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" j8="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-zM0kYp4KZio/TcSGUdfMW7I/AAAAAAAAADA/eoraa3zYmKg/s1600/O_assedio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deuses... é uma daquelas alturas em que respirar parece ser um desperdício de um tempo que não temos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É uma daquelas alturas em que as mudanças nos fazem sentir como serpentes que cresceram para lá da sua pele. Seria absolutamente deleitoso que a metáfora escolhida fosse a da crisálida que se transforma numa borboleta, mas as mudanças raramente são assim tão milagrosas; ainda mais raramente nos dão asas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes são apenas mudanças, com a dor da perda, com a esperança do futuro, mas nada mais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De qualquer modo não parei, não morri nem abrandei. Na verdade, há que dizer que prossegue a degustação de livros, e a aquisição por diversos meios. Eis então um gentil "update" do que aqui se passa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;A ler:&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Assédio"&lt;/strong&gt;, de Arturo Pérez-Reverte: para já uma leitura excepcional, que confirma o vaticinado na capa do livro. Das guerras Napoleónicas, às conspirações, passando pelo lado mais aventuroso de algumas das suas histórias, este livro parece condensar todos os elementos de Pérez-Reverte, gerando uma narrativa típica do autor Espanhol, com humor, elegância, personagens chamativas e muita investigação de fundo. Excelente livro. Mas com 650 páginas... demora um bocadinho a ler. Resumidamente, é um livro de Pérez-Reverte: compra-se e não tem de se pensar mais nisso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Santuário"&lt;/strong&gt;, de William Faulkner: nada melhor para justificar uma nova aquisição, a compra de laranjas. Porque foi precisamente pela necessidade de comprar laranjas que me deparei com este peculiar e magistral livro acabado de chegar às prateleiras do supermercado. E por pouco não comprava as laranjas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Aquisições de literatura:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Cego de Sevilha"&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;"A Companhia de Estranhos"&lt;/strong&gt;, de Robert Wilson&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Olho de Hertzog"&lt;/strong&gt;, de João Paulo Borges Coelho (Muito, muito ansioso por este)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Quando Lisboa Tremeu"&lt;/strong&gt;, de Domingos Amaral (idem)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Cidade do Medo"&lt;/strong&gt;, de Pedro Garcia Rosado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"A Criança nº 44"&lt;/strong&gt;, de Tom Rob Smith&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Um Dia de Cólera"&lt;/strong&gt;, de Arturo Pérez-Reverte (oferta com a aquisição de &lt;strong&gt;"O Assédio"&lt;/strong&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Casa de Campo"&lt;/strong&gt;, de José Donoso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Felizmente alguns vão direitinhos para uma amiga querida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Aquisições jornalísticas, biográficas ou científicas:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Salazar"&lt;/strong&gt;, de&amp;nbsp;Filipe Ribeiro Menezes: Vá, não é necessário ser-se adepto do senhor, muito menos seu inimigo, para se ler com detalhe o seu impacto na história recente de Portugal. A marca de Salazar continua cá, bem profunda no nosso atraso, numa certa imaturidade democrática e dificuldade em mudar, e o que a biografia de Filipe Ribeiro Menezes transmite com muito interesse é o carácter simbiótico da identidade nacional e da identidade Salazarista. Salazar foi Portugal, Portugal foi Salazar, o Estado foi Salazar, de um modo que poucas personagens na história nacional terão conseguido. As referências internacionais, as notícias na imprensa, era quase como se o país fosse Salazar. E isso - concorde-se ou não, abomine-se ou louve-se - é algo muito peculiar de compreender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"A Ciência em Portugal"&lt;/strong&gt;, de Carlos Fiolhais: mais um ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, disponível baratíssimo em qualquer supermercado, uma daquelas coisas que nos mostra que só não está informado quem não quer. Neste caso em específico, aborda-se o estado da Ciência em Portugal, do ensino à investigação e à sua divulgação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Economia, Moral e Política"&lt;/strong&gt;, de Vítor Bento: é interessante extraír a economia do domínio mais científico da matemática, das leis e das regras, e analisá-la à luz dos preceitos morais que frequentemente orientam as decisões económicas, mesmo quando se tenta reduzir esta ciência (e outras) a uma concepção meramente científica, "amoral" como questiona o próprio autor. Com um capítulo dedicado à actual crise económica, é uma leitura interessante, até porque não deixa de atribuir alguma culpa parcial à outra crise, a de moral e valores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Segurança Social: O futuro hipotecado"&lt;/strong&gt;, de Fernando Ribeiro Mendes: eis outro livro de leitura incontornável quando sopram os ventos do FMI e se abate sobre nós a conta de anos e anos de despesismo e aquisições a crédito (não nós, nos nossos plasmas e telemóveis, mas o Estado), mas que transcende a análise matemática da reforma e coloca o foco na justiça entre gerações. Afinal, os direitos de qualquer geração são irrevogavelmente financiados pelas restantes, quer posteriores, quer anteriores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde é que eu vou ter tempo para ler isto tudo? Simples: não vou. Não tão cedo. Ainda mais com as incursões pela&amp;nbsp;&lt;strong&gt;"História"&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;pela&amp;nbsp;&lt;strong&gt;"Navires &amp;amp; Histoire"&lt;/strong&gt;, outras revistas que tais.&amp;nbsp;Não com aquele pesadelo dos Projectos Educativos que eu bem projectaria, sem qualquer educação, janela fora, deste meu maravilhoso 10º andar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E sabem o que é irónico? Ainda nem sequer fui à Feira do Livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tenho por ler... aquisições da do ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecem algum destes livros? Comentem, barafustem, salvem-me dos maus...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1063392727631451834?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1063392727631451834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/05/sinais-de-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1063392727631451834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1063392727631451834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/05/sinais-de-vida.html' title='Sinais de vida...'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-zM0kYp4KZio/TcSGUdfMW7I/AAAAAAAAADA/eoraa3zYmKg/s72-c/O_assedio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-4107820199947979669</id><published>2011-04-20T18:15:00.000+01:00</published><updated>2011-04-20T18:15:06.747+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>O Irmão Grimm - Craig Russell</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Xu9ejssgsGM/Ta8S_DgpOSI/AAAAAAAAAC8/meIq5SQLHWo/s1600/irmaogrimm.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" i8="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-Xu9ejssgsGM/Ta8S_DgpOSI/AAAAAAAAAC8/meIq5SQLHWo/s1600/irmaogrimm.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Brother Grimm&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Craig Russell&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução: &lt;/strong&gt;José Luis Luna&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2009 &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.bertrand.pt/"&gt;Bertrand Livreiros&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789722519625&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este não era definitivamente o livro que deveria ter lido depois de Gabriel García Márquez...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar da insipidez do estilo de escrita de Russell, bom, mas banal, sem grande beleza, bem distante da assertividade narrativa de Márquez, esse não foi o maior problema de &lt;strong&gt;"O Irmão Grimm"&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A premissa é excelente: tudo começa com o cadáver de uma jovem abandonado na praia, seguido alguns dias depois de um casal de amantes degolados e com uma referência aos contos dos irmãos Grimm. Em breve novos crimes surgem, e tudo parece indicar uma ligação com esses contos do folclore Europeu que todos nós conhecemos de um modo ou de outro, afinal, quem nunca ouviu A Gata Borralheira, Capuchinho Vermelho, ou a história de Hansel e Gretel?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um ávido leitor das adaptações à BD dos contos dos irmãos Grimm (&lt;strong&gt;"Grimm Fairy Tales"&lt;/strong&gt;, publicado pela Zenescope), onde o cariz inerentemente sexual e perverso de alguns contos é explorado, esperava francamente muito mais do enredo de &lt;strong&gt;"O Irmão Grimm"&lt;/strong&gt;, onde os crimes não são particularmente perturbadores, a perversidade quase ausente. Russell não consegue criar empatia pelas vítimas, umas apresentando-as de antemão, outras nem por isso; umas já mortas, outras descrevendo-se os seus homicídios, mas sempre de um modo que para um &lt;em&gt;thriller&lt;/em&gt; simplesmente não chega.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde está o macabro? O perverso? O cruel? O chocante? O retorcido? Os homicídios não passam de um "tau: estás morto" insosso e superficial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Irmão Grimm"&lt;/strong&gt; não arrepia, não cria tensão, não cria empatia, e o enredo não é tão inteligente quanto é na verdade desconexo. As pistas até vão surgindo aqui e ali, mas ao fim de algumas centenas de páginas o homicídio resolve-se com um insight. Nada mau, dir-se-ia que as pistas teriam ficado no subconsciente do protagonista que uma noite acorda simplesmente para elas, mas por todo o livro há momentos, pistas e acontecimentos que acabam por ficar por concretizar, não levando a lado nenhum. Haveria alguma redenção nestas divagações que frequentemente surgem quando o enredo se desvia dos crimes para nos atirar com a vida pessoal dos protagonistas, não fossem os diálogos corriqueiros, pouco profundos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim de repente, se havia algo de intrinsecamente Espanhol em &lt;strong&gt;"Os Demónios de Berlim"&lt;/strong&gt;,&amp;nbsp;em &lt;strong&gt;"O Irmão Grimm"&lt;/strong&gt;, facilmente se teria substituído Hamburgo por qualquer outra cidade, e as características culturais continuariam a ser indiferenciadas. Das poucas características que realmente poderíamos considerar idiossincráticas,&amp;nbsp;destaca-se complexo de culpa pelo holocausto, mas exigia-se algo mais para lá do óbvio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que realmente me perturbou neste livro, foi a paupérrima edição. Poderia culpar a edição nacional, mas li as mesmas críticas noutras línguas: este livro tem tantas gralhas que se torna insuportável. São as chamadas de diálogo no meio do texto sem razão alguma, os diálogos de personagens diferentes no mesmo parágrafo, mas são também as constantes repetições da mesma coisa, do mesmo nome ou expressão, e ainda as falhas ortográficas com um mesmo nome escrito de modo diferente na mesma página ou logo a seguir. &lt;strong&gt;"O Irmão Grimm"&lt;/strong&gt; é por isso dos únicos (se não o único) em que me lembro de uma mão cheia de gralhas que tornaram a sua leitura irritante e quase me fizeram largá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não o fiz por pura teimosia, por perseverança à espera que de algum modo os crimes aproveitassem mais o lado sombrio e pagão das origens medievais e pré-Cristãs dos contos dos irmãos Grimm, que possuíssem eventualmente maior teatralidade e dramatismo, mas nunca chegam a tal e na vida real veremos coisas bem piores que este assassino em série. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há apenas alguma excitação quando o criminoso é finalmente encurralado, mas depois a sua confissão faz pouco mais do que resumir tudo aquilo que já se sabia sobre ele e as suas motivações. Não teria ficado menos por explicar se por mero acaso lhe tivessem dado um tiro na cabeça. As ruminações sobre as origens dos contos também são interessantes, mas não contribuem em nada para a solução do crime e apesar da interessante tese da nossa substituição dos antigos mitos, dos medos das criaturas das florestas, por mitos urbanos, mais tecnológicos, esta é uma tese académica que não é nova para mim, e ali não me deixa com mais do que a sensação de que acabei de ler um parco resumo da questão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em suma, parece-me raro&amp;nbsp;que tão excelente premissa acabar tão pobremente aproveitada, ainda mais num livro cuja escrita se revela repleta de problemas estilísticos. &lt;strong&gt;"O Irmão Grimm"&lt;/strong&gt; consegue-o, tornando-se um dos livros menos satisfatórios que alguma vez li. Surpreendente, tendo em conta a chancela e as referências do autor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se nunca tiveram em mãos nenhuma adaptação dos contos dos irmãos Grimm, imagino que possam achar alguma piada a este livro, mas nesse caso façam um favor à vossa carteira, e comprem-no numa feira ou promoção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-4107820199947979669?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/4107820199947979669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/04/o-irmao-grimm-craig-russell.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/4107820199947979669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/4107820199947979669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/04/o-irmao-grimm-craig-russell.html' title='O Irmão Grimm - Craig Russell'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Xu9ejssgsGM/Ta8S_DgpOSI/AAAAAAAAAC8/meIq5SQLHWo/s72-c/irmaogrimm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-5821546566648869730</id><published>2011-04-05T00:05:00.001+01:00</published><updated>2011-04-05T00:06:20.104+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Do Amor e Outros Demónios - Gabriel García Márquez</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-tcJFBTETgu8/TZpOdGWh0XI/AAAAAAAAAC4/1L-rCj3uCFQ/s1600/doamoreoutrosdemonios.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-tcJFBTETgu8/TZpOdGWh0XI/AAAAAAAAAC4/1L-rCj3uCFQ/s1600/doamoreoutrosdemonios.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Del Amor y otros Demonios&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Gabriel García Márquez&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução: &lt;/strong&gt;Maria do Carmo Abreu&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;9ª edição Agosto 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://dquixote.pt/"&gt;D. Quixote&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789722012041&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fruto de um casamento de farsa&amp;nbsp;há muito azedado, Sierva Maria viveu desde sempre com os escravos dos seus pais, comendo e bebendo das suas tradições e língua, sem que ninguém lhe prestasse grande atenção até ao dia em que a jovem é mordida por um cão com raiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de não desenvolver qualquer sintoma, Sierva Maria não deixa de despertar a preocupação dos que a rodeiam. O seu comportamento exuberante e difícil nunca lhe valeu os afectos dos seus pais, principalmente da sua mãe, uma alcoólatra da nobreza de balcão desgraçada pelos seus vícios a quem a criança parece ter prazer em provocar,&amp;nbsp;e um marquês dominado por temores e frustrações. Mas perante a possibilidade da sua doença, o sentimento de culpa leva o seu pai a tentar todo o tipo de curas para um mal que não existe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O maior infortúnio de Sierva Maria não é a sua personalidade estranha, ou o carácter vincado, mas a sua prisão entre a culpa de um pai que tenta compensar a negligência de anos, médicos e charlatães sem reais respostas, e uma hierarquia religiosa que, na ausência de melhor, só consegue ver nela uma possuída.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encerrada num convento onde as freiras lhe atribuem prodígios mais afins da sua imaginação delirante que dos actos da criança, Sierva Maria recebe as visitas frequentes do sacerdote Cayetano Delaura&amp;nbsp;e é em plena cela que ambos descobrem o amor proibido. Ali onde a encontra ferida pelos grilhões e rodeada dos seus dejectos, Delaura apaixona-se com um desafio que o mundo não deixará passar impune.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Do Amor&amp;nbsp;e Outros Demónios"&lt;/strong&gt; é supostamente inspirado por uma lenda que a avó de García Márquez lhe contava, relembrada quando em 1949, nas obras de demolição do Convento de Santa Clara, Márquez - então um repórter - assiste ao desenterro de um esqueleto com cabelos ruivos de vinte e dois metros de comprimento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com uma arte irrepreensível, o laureado com o prémio Nobel traz para a vida as pitorescas personagens da lenda e imprime-lhes a profundidade só ao alcance dos melhores. Por fascinante que seja a lenda em si mesma, Márquez transforma-a num poderoso retrato social, com os seus chavões e convicções arcaicas e moralidade decadente. Sierva Maria vê-se rodeada de personagens demasiado dogmáticas nas suas áreas de autoridade para admitirem qualquer erro de juízo ao ponto de se tornarem incongruentes, num mundo em que quer a razão científica, quer a religiosa, não conseguem dissociar-se da superstição e do mito. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim de contas, Sierva Maria sofre as consequências de jogos e desilusões dos quais não é mais do que um resultado, e não é vítima da raiva, mas da culpa, expiação, e da ignorância mascarada de sabedoria. Mas, fazendo justiça ao seu nome, &lt;strong&gt;"Do Amor e Outros Demónios"&lt;/strong&gt; é também um contundente retrato do corromper da razão que acarreta o amor por consumar, a queda enfim, que a sua perda potencia. Assim, grita com razão Cayetano, como o grita também Corso (O Clube Dumas) e todos os amantes feridos de more, que o amor é o maior dos demónios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contado numa prosa leve, a riqueza de pormenores em &lt;strong&gt;"Do Amor e Outros Demónios" &lt;/strong&gt;nunca se faz à custa de narrações maçudas ou pretensiosas, e apesar do vincado de cada personagem, Márquez sabe deixar ao leitor apenas o suficiente para ele próprio&amp;nbsp;completar a&amp;nbsp;imagem na sua cabeça, em vez de lhe impor a sua própria visão das personagens, sem margem para grande apropriação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pessoalmente, é o tipo de atitude que nos faz integrar a trama nas nossas próprias convicções e memórias, vivendo-a mais intimamente do que quando toda a imaginação em desfile pelas páginas parece da exclusiva propriedade do autor e ao leitor resta ser um passivo receptor de um relatório. Não admira portanto que &lt;strong&gt;"Do Amor e Outros Demónios"&lt;/strong&gt; tenha sido devorado em somente três dias por parte de alguém que é confessamente um leitor lento e com pouco tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis uma história de grande magnetismo e poder sentimental que servirá de excelente porta de entrada para a obra de Gabriel García Márquez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-5821546566648869730?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/5821546566648869730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/04/do-amor-e-outros-demonios-gabriel.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5821546566648869730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5821546566648869730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/04/do-amor-e-outros-demonios-gabriel.html' title='Do Amor e Outros Demónios - Gabriel García Márquez'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-tcJFBTETgu8/TZpOdGWh0XI/AAAAAAAAAC4/1L-rCj3uCFQ/s72-c/doamoreoutrosdemonios.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-2935252160409169646</id><published>2011-04-02T01:51:00.001+01:00</published><updated>2011-04-20T18:01:26.340+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Os Demónios de Berlim - Ignacio Del Valle</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-C6dkEIEeprw/TZZywlXMt8I/AAAAAAAAAC0/sNNm8mKwFKk/s1600/osdemoniosdeberlim.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" r6="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-C6dkEIEeprw/TZZywlXMt8I/AAAAAAAAAC0/sNNm8mKwFKk/s1600/osdemoniosdeberlim.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Los demonios de Berlín&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Ignacio Del Valle&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução: &lt;/strong&gt;Alcinda Marinho&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Janeiro de 2011&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://portoeditora.pt/"&gt;Porto Editora&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789720043047&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recipiente do &lt;em&gt;"Premio de la Crítica de Asturias 2010"&lt;/em&gt;, &lt;strong&gt;"Os Demónios de Berlim"&lt;/strong&gt; do Espanhol Ignacio Del Valle é o terceiro livro do autor publicado em Portugal e traz-nos de volta a personagem de Arturo Andrade, fictício voluntário Espanhol da Legião Azul, unidade herdeira da Divisão Azul que combateu nas fileiras das Waffen SS, e já figurando em &lt;strong&gt;"O Tempo Dos Imperadores Estranhos" &lt;/strong&gt;e &lt;strong&gt;"A Arte de Matar Dragões"&lt;/strong&gt;, onde os seus dotes de detective ganham fama.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de tudo o mais, &lt;strong&gt;"Os Demónios de Berlim"&lt;/strong&gt; é um hábil romance policial e de espionagem que tem a guerra como pano de fundo, quando nos últimos dias da hecatombe NAZI, o&amp;nbsp;tenente Arturo Andrade se encontra ainda em Berlim à procura de Ewald von Kleist, que acaba por encontrar morto na Chancelaria, apunhalado, e com um peculiar bilhete no bolso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O encontro do cadáver não é senão o início das atribulações de Arturo, recrutado para uma colaboração entre as SS e a Kripo que tentam encontrar na sitiada capital do Reich os comandos Aliados que parecem ter assassinado von Kleist. No entanto são grandes os segredos que a investigação revela, e Arturo acaba por se deparar com o programa nuclear Alemão e um segredo tão precioso que os homens matam e morrem por ele, mesmo naqueles dias do fim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Os Demónios de Berlim"&lt;/strong&gt; é claramente bem investigado. Os aficionados de história não encontrarão grandes incongruências ou lacunas na narrativa quanto aos rumores e mitos do armamento NAZI de final de guerra, desde os óbvios Messerschmitt 262 a jacto, até à velada menção dos inovadores aparelhos de visão infra-vermelha, como o "Vampir", ou Zielgerät 1229, acoplado à espingarda de assalto StG 44, ou os seus equivalentes em utilização nos tanques &lt;em&gt;Panther&lt;/em&gt;. Ignacio não pretende saber tudo, as suas personagens são frequentemente colocadas perante tecnologia que só o leitor poderá conhecer graças ao seu conhecimento &lt;em&gt;a posteriori&lt;/em&gt;, e como tal não recebe nome, apenas insinuações. Ao mesmo tempo, as tácticas, a geografia de Berlim, o equipamento utilizado pelos combatentes, tudo é congruente com a realidade e fruto de uma pesquisa louvável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A escrita de Ignacio Del Valle em &lt;strong&gt;"Os Demónios de Berlim"&lt;/strong&gt; tem como jóia da coroa as expressões e atitudes tipicamente Espanholas que conferem aos seus personagens um cunho especial e com isso preenche um mundo duro e impiedoso com humor inesperado. O estilo bastante gráfico e ao mesmo tempo metafórico de Ignacio é possuidor de grande vigor e elegância, com especial atenção à descrição dos acontecimentos por vezes mais pelo tipo de sentimento que suscitam, que pelo detalhado da sua pormenorização. Dir-se-ia assim uma descrição algo mais pessoal, ainda que o realismo esteja presente e os apontamentos anedóticos sejam frequentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, e apesar do seu passado, Arturo Andrade demarca-se bem do fanatismo sufocante do núcleo duro das SS. É um pragmático com algo de idealista, sem no entanto ser um cordeiro, em claro contraste e oposição ideológica a personagens como o &lt;em&gt;Sturmbannführer&lt;/em&gt; Bauer, produto finalizado e polido da endoutrinação NAZI.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas como hábil contador de histórias que é, Ignacio Del Valle prende o leitor com um emaranhado de tramas que se entrecruzam e se sucedem à mesma velocidade e com o mesmo grau de caos dos últimos dias do III Reich, o que só contribui para a imprevisibilidade do enredo. Sucedem-se as frustrações e os desvios, sendo rara a ocasião em que uma artimanha nos parece demasiado óbvia ou o seu resultado demasiado artificial, olhando-se para trás sem aquela constatação tão frequente num policial de que só propositadamente provas ficaram por ignorar ou erros inverossímeis se viram cometidos em nome das necessidades narrativas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De resto, com facto e ficção a complementarem-se de forma credível, o autor não se deixa deslumbrar pelas possibilidades mais loucas da mitologia NAZI e fornece-nos um final de uma sobriedade bastante irónica, tendo em conta&amp;nbsp;o preço elevado pago pela manutenção dos segredos desvendados. Como a hecatombe que lhe serve de pano de fundo, o final é em si mesmo um logro colorido com a paranóia e delírios ideológicos daqueles tempos confusos, não é sequer um final verdadeiramente "feliz", por mais que o leitor seja compelido a desejá-lo&amp;nbsp;como prémio pelos&amp;nbsp;esforços hercúleos de Arturo para preservar algo que lhe é mais caro que impérios e os seus messias: a mulher que ama.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo somado, &lt;strong&gt;"Os Demónios de Berlim"&lt;/strong&gt; é um excelente romance de espionagem/policial, tragável às goladas e viciante até um desfecho digno do enredo que deixará o leitor com um grande grau de satisfação. Para quem - como eu - toma aqui contacto com este autor, é o tipo de livro que aguça o apetite para as suas obras restantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-2935252160409169646?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/2935252160409169646/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/04/os-demonios-de-berlim-ignacio-del-valle.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2935252160409169646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2935252160409169646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/04/os-demonios-de-berlim-ignacio-del-valle.html' title='Os Demónios de Berlim - Ignacio Del Valle'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-C6dkEIEeprw/TZZywlXMt8I/AAAAAAAAAC0/sNNm8mKwFKk/s72-c/osdemoniosdeberlim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-5537596041437169341</id><published>2011-03-12T00:45:00.001Z</published><updated>2011-04-02T01:42:54.106+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Meridiano de Sangue - Cormac McCarthy</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-bHffxP7Lqdo/TXrB5sTUsoI/AAAAAAAAACw/-i-G_YFC7Dg/s1600/Meridiano+de+sangue.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" q6="true" src="https://lh5.googleusercontent.com/-bHffxP7Lqdo/TXrB5sTUsoI/AAAAAAAAACw/-i-G_YFC7Dg/s1600/Meridiano+de+sangue.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ficha Técnica:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Blood Meridian or the Evening Redness in the West&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Cormac McCarthy&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times;"&gt;&lt;strong&gt;Tradução: &lt;/strong&gt;Paulo Faria&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2ª edição, Outubro 2010&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.relogiodagua.pt//" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Relógio D'Água Editores&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;9789727087976&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está finda a leitura de um dos livros mais difíceis que digeri em tempos recentes, &lt;strong&gt;"Meridiano de Sangue"&lt;/strong&gt;, do conceituado Cormac McCarthy.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vários títulos, este é um livro extraordinário, mas de uma brutalidade perturbadora, quer pelo seu realismo, quer pela banalidade da morte. Das muitas críticas que li a esta obra peculiar, foi sendo recorrente a dificuldade com que a primeira parte é lida, como se houvesse uma demora em ir ter ao assunto, mas aqui diverge de imediato a minha apreciação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A narrativa é rica e complexa, plena de intensidade, e se parece haver falta de rumo ou de acção, as personagens são, página a página, testemunhas de atrocidades e desgraças, mortes atrás de mortes, tão comuns a cada passo quanto a vida que as testemunha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Baseado numa história verídica &lt;strong&gt;"Meridiano de Sangue"&lt;/strong&gt; segue a ascensão e queda de um grupo de caçadores de escalpes, mercenários que ganham a vida com contratos para o assassinato de índios perigosos, mas cuja falta de escrúpulos os leva a uma escalada de violência onde todo o escalpe é válido, de homem, mulher e criança, índio, Mexicano ou Americano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentimentalmente, a frieza é quase científica, a crueldade despudorada; McCarthy não se inibe de descrever o grotesco com o à vontade de alguém que já perdeu toda e qualquer empatia pelo seu irmão homem, numa narrativa profundamente alexitímica. Ia já a meio quando notei a mais completa ausência de algum tipo de sentimentos atribuídos à personagem central no livro, "o rapaz". O seu comportamento é distanciado, calculista e cauteloso, sobrevivência pura, conivente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do outro lado encontra-se o "juiz" Holden, personagem de aura sobrenatural, gigantesca, uma encarnação psicopática do mal, que deseja os vestígios de civilizações passadas e logo os desfaz, pelas suas próprias palavras, para as apagar da memória dos homens. Não nos surpreendemos quando as crianças desaparecem para jamais voltarem a ser vistas, ou então aparecem já mortas. Holden está por perto. Os seus diálogos altamente filosóficos são difíceis de compreender e seguir, as suas dissertações sobre a culpa, sobre o destino dos homens, a natureza da guerra, mas são cruciais para entendermos os rumos que tomam os acontecimentos. Neles, Holden revela a sua natureza, lança a suspeita sobre as suas intenções, e deixa no ar o inevitável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O seu discurso sobre um acontecimento só o ser quando há testemunhas define na perfeição as vidas descartáveis das personagens que vão surgindo e desaparecendo, uma vez cumprida essa sua utilidade, e acaba por enquadrar o fim da narração, visto apenas pelos olhos de testemunhas, uma vez que já não existem os olhos que nos guiaram até então, pois a última testemunha desapareceu. E este vazio, este "inconcretizado", depois de descrições tão gráficas, é ao mesmo tempo confuso, e natural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há muito que se pode dizer de &lt;strong&gt;"Meridiano de Sangue"&lt;/strong&gt;. O livro e as suas características são merecedoras de um ensaio literário muito para lá do meu nível. Direi simplesmente que é uma leitura, ora rebuscada e difícil, ora genial, ao mesmo tempo fascinante e perturbadora. Afinal, não há uma única personagem "boa", nem sequer um anti-herói, não há bons dias ou alegria fora do torpor alcoólico, e os homens morrem por tudo e por nada, pela glória e pela banalidade, pela necessidade e pelo capricho, no mais épico combate e no mais vil anonimato.&amp;nbsp;E assim,&amp;nbsp;exige por parte do leitor não apenas esforço, mas inclusivamente um &lt;em&gt;mindset&lt;/em&gt; capaz de a encaixar. Se o conseguirem, têm aqui uma narrativa para marcar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-5537596041437169341?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/5537596041437169341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/03/meridiano-de-sangue-cormac-mccarthy.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5537596041437169341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5537596041437169341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/03/meridiano-de-sangue-cormac-mccarthy.html' title='Meridiano de Sangue - Cormac McCarthy'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-bHffxP7Lqdo/TXrB5sTUsoI/AAAAAAAAACw/-i-G_YFC7Dg/s72-c/Meridiano+de+sangue.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1699562306852894171</id><published>2011-03-10T17:11:00.003Z</published><updated>2011-03-11T02:31:25.946Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>A censura sob outro nome</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem-me que não fica bem comparar Os Homens da Luta a Zeca Afonso ou qualquer um dos cantores de Abril.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois então muito me admira que nesta nação de acomodados e desmobilizados onde a iniciativa popular e a participação democrática parecem ser anacronismos caídos em desuso, os mesmos defensores do dogma de Abril, os mesmos que defendem a intocabilidade e perpetuação dos seus ícones, negando às novas gerações legitimidade para as suas próprias aspirações e ícones, levantaram-se agora para a criação de abaixo-assinados que impeçam os justos e democráticos vencedores da edição Portuguesa do Eurovisão, de se apresentarem na final. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mais baixa e reptiliana justificação é a invocação do regulamento que proíbe gestos e temas políticos. Dizem-me inclusivamente que a Geórgia já foi desclassificada por isso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma correcção:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Geórgia não foi excluída do concurso. Com uma letra anti-Russa, a Geórgia foi convidada a alterar as partes mais "belicosas" do seu tema, ao que a Geórgia respondeu com uma honrosa e muito nobre recusa e auto-exclusão do concurso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É com toda certeza um grande exemplo de verticalidade a que por cá não parecemos estar habituados. Mas se desejarmos prosseguir o argumento se não ser permitida uma música política...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma lembrança:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"Com bandarilhas de esperança/afugentamos a fera/estamos na praça/da Primavera. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nós vamos pegar o mundo/pelos cornos da desgraça/e fazermos da tristeza/graça. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Entram velhas doidas e turistas/entram excursões/entram benefícios e cronistas/entram aldrabões/entram marialvas e coristas/entram galifões/de crista. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Entram cavaleiros à garupa/do seu heroísmo/entra aquela música maluca/do passodoblismo/entra a aficionada e a caduca/mais o snobismo/e cismo..."&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entram empresários moralistas/entram frustrações/entram antiquários e fadistas/e contradições &lt;br /&gt;e entra muito dólar muita gente/que dá lucro as milhões./E diz o inteligente/que acabaram as canções.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim cantava Fernando Tordo em 1973, e se não temos o hábito de nos erguermos pelos nossos direitos, então tenhamos a dignidade de não nos erguermos pelo hábito da censura. Se é pecado comparar um com os outros, não sejamos para o Jel o que o regime tentou ser para o Fernando Tordo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque vi ainda ontem as estranhas palavras de desprezo de alguém que se dá ares de intelectualmente credível, explicar que nas ruas nada se resolve, que foi a Imperatriz Leopoldina quem aboliu a escravatura no seu palácio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu lamento a ignorância de todos nós, perante esta grandiosidade intelectual. Lamento que parte do mundo não saiba que é nos palácios e nas altas instâncias dos governos que tudo se resolve. Peço perdão por não nos deixarmos de pescoço esticado, mergulhados em fé pelas boas intenções dos príncipes e imperadores a quem devemos tudo sem termos de lhes pedir responsabilidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afinal, nem os elegemos, nem nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos todos pobres de espírito se marcharmos na rua, porque não foi nas ruas de Lisboa que o 25 de Abril se espalhou, não foi nas ruas que as sufragistas conquistaram o direito de voto, não foi na rua que se fez uma República.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou talvez tenha sido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ouvindo Miguel Sousa Tavares, que do lado poético da família pouco parece ter herdado, fica-se com a sensação que ninguém desfilou, nem no Maio de 68, nem nas ruas do Oriente Próximo. Ouvindo este estranho personagem de memória selectiva, dir-se-ia que foi no Palácio de Cartago que mudou a Tunísia, que foi em Ras el-Tin que o Egipto se revirou, ou que foi em Tesheen que a Síria iniciou a sua convulsão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou talvez não tenha sido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que mal tem que estas gerações peçam salários condignos e estabilidade profissional?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não a pediram os nossos pais e avós antes de nós, e não a pedirão os nossos filhos também?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que mal tem que se deseje emprego e remuneração conforme ao diploma?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por acaso foram-nos dados, ou por outro lado, terão sido pagos e obtidos com trabalho e esforço? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que mal têm os diplomados e os universitários com ambição?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não nos disseram todos que a educação era um imperativo do país e positivo para a economia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não gosto nada destes discursos lerdos e retrógrados, que mais parecem retirados dos debates parlamentares do Estado Novo com a sua defesa do honesto ignorante. Que haja desajuste entre o mercado e a formação, sou capaz de o aceitar, mas não aceito de modo algum que nos enfiem pela goela a retórica do bem nacional pelo qual estudamos e nos esforçamos, só por uma espécie de altruísmo em nome da pátria, sem esperar qualquer reconhecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde quando se tornou crime ou reprovável uma geração ou várias, aspirarem a melhor do que aquilo que têm?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que coisa asquerosa esta! Num país que viu a vitória dos Liberais, a primeira República do século XX, que derrubou depois a sua ditadura sem medo destes arautos da desgraça que nos dizem que é má ideia cantar na Alemanha uma música de revolta porque eles têm uma esmola para nós e não gostam de pobres mal agradecidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com toda a certeza, será a música d'Os Homens da Luta a irritar a Alemanha e os seus contribuintes. Não o downgrade para "junk" feito pela Standard &amp;amp; Poor's a algumas empresas públicas, não o nosso orçamento, não o nosso despesismo em grandes obras de lucro duvidoso, não o benefício massivo das empresas amigas. Não. Será uma música. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta era e democracia, temos medo de uma música como simples fascistas têm medo dos livros por queimar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com que direito negam às novas gerações as suas lutas e ícones, as mesmas gerações que em 1974 não aceitaram essas mesmas imposições por parte das gerações que então governavam e lhes diziam que na rua nada se resolvia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Revira-me o intestino, que sectores da sociedade pretendam colocar as novas gerações a competir com mortos sacrossantos e lutas dogmatizadas, como se só essas tivessem valor e legitimidade e tudo o que se seguir não passar de capricho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que fácil é para os que lutaram por reformas condignas esquecerem que os que a eles seguirão, poderão não ter essa reforma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que fácil é para os que já têm empregos estáveis e salários adequados, menosprezarem aqueles que com igual ou melhor formação, também os desejam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que ignóbil é esta inveja lusitana de achar que toda a gente tem menos razão que nós, que toda a gente ganha demais para o que faz, excepto nós próprios, injustiçados, mal pagos, incompreendidos. Que inútil que é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz até parecer que estes jovens são diferentes de todos os outros, que todas as revoluções do passado foram feitas apenas por velhotes e anciãos, que foram idosos que marcharam sobre Washington, que foram palacianos quem aguentou os tanques em Tian'anmen, que foram reformados quem cantou a Revolução Cantante, que foram avós quem martelou a queda do muro de Berlim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dir-se-ia até que a crise económica só está a afectar estes jovens irresponsáveis, e não há desempregados nem precários de 40 e 50 anos, que não podem já ter esperança de algum dia viverem o mínimo semblante de estabilidade, para si, para os seus filhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se invistam como defensores de um Abril santificado, decidindo qual&amp;nbsp;a liberdade que os vossos herdeiros podem ou não desejar ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem deixem de compreender a luta de outros, só porque os vossos problemas não são os mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1699562306852894171?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1699562306852894171/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/03/censura-sob-outro-nome.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1699562306852894171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1699562306852894171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/03/censura-sob-outro-nome.html' title='A censura sob outro nome'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-6348978097674695296</id><published>2011-03-06T01:34:00.000Z</published><updated>2011-03-06T01:34:06.584Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Homens da Luta...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;...no Eurovisão...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não vivemos os tumultos do Oriente Próximo, e tudo parece sereno neste manso país, mas dia 12, alheios a este oásis e à ópera da vã glória do nosso sistema político, desfilam os representantes da geração à rasca, e tenho de admitir que há algo de brilhante nisso. Algo de intrinsecamente intervencionista de um modo que deixaria honrados os mentores de Abril. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não será também uma revolução cantante, mas ver Os Homens da Luta apurados para esta edição do Festival Eurovisão da Canção, é realmente algo que me dá tremenda alegria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perturbam-me os comentários de raiva, a incredulidade por esta surpreendente e muy estranha cousa, porque parece ter escapado à internet e aos fóruns que esta vitória não é nada mais do que um manifesto político da mais alta expressividade. É uma afirmação por parte de alguns segmentos da nossa sociedade,&amp;nbsp;a rejeitar a submissão ao &lt;em&gt;panem et circenses&lt;/em&gt; de dirigentes e até de uma certa mentalidade comum que adora olhar para os confetti's carnavalescos mesmo que pise estrume, porque falar de coisas tristes não sabe nada bem, é um incómodo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade é que se as pessoas que se mostram revoltadas por este acontecimento tivessem o discernimento para o entender como o acto de rebeldia que é, como o gesto de afirmação política que é, ele nem sequer seria necessário. Se todos tivessem maior e mais ajustada revolta e mobilização, Os Homens da Luta seriam redundantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns talvez alimentassem o secreto desejo de pelo menos neste festival não sermos a cauda da Europa. Até podemos ser em ordenados, qualidade de vida, em confiança no futuro, mas dá-nos gana este tipo de glórias nacionais por procuração, uns Cristianos Ronaldos, o seu equivalente na música ligeira. Talvez esses fiquem frustrados com tudo isto, mas para os restantes, o que este ano se verá na Alemanha não é seguidismo musical, mas um protesto muito claro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejamos as coisas como elas são.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-6348978097674695296?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/6348978097674695296/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/03/homens-da-luta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6348978097674695296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6348978097674695296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/03/homens-da-luta.html' title='Homens da Luta...'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-2215357186461362818</id><published>2011-02-22T17:57:00.002Z</published><updated>2011-03-11T19:15:11.948Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>The Graveyard Book - Neil Gaiman</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-PejNMekLoIA/TWMEQSNm6DI/AAAAAAAAACo/WRjndlfqeQA/s1600/graveyardbook.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" j6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-PejNMekLoIA/TWMEQSNm6DI/AAAAAAAAACo/WRjndlfqeQA/s1600/graveyardbook.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;The Graveyard Book&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Neil Gaiman&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;2009&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; Bloomsbury&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 978-0-7475-9862-6&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para transcender o seu tempo e se tornar um clássico de onde até os adultos têm muito que aprender, as histórias para crianças têm de ter um certo "&lt;em&gt;je ne sais quoi&lt;/em&gt;", uma moralidade vincada, uma lição preciosa, personagens tridimensionais e profundas, e uma escrita que desafie idades de grupos alvo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim acontece com Mogly em &lt;strong&gt;"O Livro da Selva"&lt;/strong&gt;, obra marcante do genial&amp;nbsp; e versátil Rudyard Kipling. É precisamente &lt;strong&gt;"O Livro da Selva"&lt;/strong&gt; que inspira a história de &lt;strong&gt;"The Graveyard Book"&lt;/strong&gt;, que nos é trazida por Neil Gaiman,&amp;nbsp;criador de &lt;strong&gt;"Coraline"&lt;/strong&gt;, e um dos mais prolíferos autores de contos e&amp;nbsp;argumentistas de banda&amp;nbsp;desenhada da actualidade, direi mesmo, um dos mais versáteis também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo começa com o homicídio de uma família, escapando apenas um bebé&amp;nbsp;cuja fuga o leva até ao cemitério&amp;nbsp;histórico no topo&amp;nbsp;da colina onde os habitantes o tomam sob a sua protecção. Aí, Nobody Owens aprende sobre o mundo através dos conhecimentos anacrónicos de gentes de outras eras, goza da "liberdade do cemitério" e aprende a desaparecer, assombrar, trava amizade com uma&amp;nbsp;bruxa que só queria um nome na pedra tumular, conhece personagens caricatas, enfrenta perigos e descobertas sob a tutela de uma das mais fascinantes personagens em todo o livro, Silas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silencioso, noctívago e ponderado, Silas da pele de cor de mármore é o guardião&amp;nbsp;de Nobody, o único habitante do cemitério capaz de o abandonar&amp;nbsp;à vontade, e o seu traço reservado,&amp;nbsp;sagaz e profundamente&amp;nbsp;sábio, torna-o um personagem inesquecível e cativante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas há perigos sempre à espera de Nobody, enquanto aprende a ler através das pedras tumulares, ou tenta explorar o mundo à medida que cresce à espera do inevitável confronto com o passado e com o misterioso "The Man Jack", que lhe matou a família e continua à sua procura. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque é "Bod" tão importante para &lt;em&gt;The Man Jack &lt;/em&gt;e para os temíveis&lt;em&gt; Jacks Of All Trades&lt;/em&gt;, saberemos no fim, mas a delícia da história é como sem realmente perdermos&amp;nbsp;o rumo, cada capítulo nos fala de uma criança a crescer num mundo habitado pelas criaturas do nosso imaginário infantil, de vampiros a&amp;nbsp;fantasmas, de lobisomens a mortos-vivos, mas todos eles com um colorido bastante particular, habitantes de catacumbas e cavernas esquecidas, onde habitam generais romanos, espíritos celtas, e aqueles cujos nomes já não figuram em lado algum. Então, o desfecho do livro é bem mais do que o acertar de velhas contas. Para "Bod" é um ritual de passagem, a sua chegada à vida adulta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De resto, Neil começa a escrever a história com o 4º capítulo, e não faz questão de seguir uma continuidade linear em cada um, tornando-os assim não meros capítulos encadeados, mas contos das várias fases da vida de "Bod". Para crianças, são aventuras excitantes, para adultos, serão curiosidades e sublimes atmosferas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O espírito de &lt;strong&gt;"O Livro da Selva"&lt;/strong&gt; está bem presente, e &lt;strong&gt;"The Graveyard Book"&lt;/strong&gt; é uma leitura terna e bela, ao mesmo tempo intensa e imaginativa. A atmosfera sombria do cemitério nunca é totalmente fria, a morte não é fatídica, os mortos não deploram a sua não-vida, e toda essa envolvência é tratada com respeito e reverência por Neil Gaiman. Serão com certeza poucos os autores capazes de abordar sem medo a majestade e beleza pacífica de um local que a mente colectiva associa apenas à perda e desolação, e Neil Gaiman consegue-o na perfeição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sua narrativa é de facto o equivalente literário do romantismo sombrio que Tim Burton costuma colocar na tela, e um cemitério não é realmente o local previsível para se criar uma criança, mas é na imaginação de Gaiman, é com certeza um local fascinante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro não se encontra ainda traduzido para Português, e em Inglês apresenta-se em duas versões, uma ilustrada por Dave McKean, e a outra por Chris Riddell. Na hora de escolher, as ilustrações poderão ser o grande diferenciador, já que ambos usam abordagens diferentes, a de McKean mais estranha e expressiva, a de Riddell mais clássica. Qualquer que seja o caso, &lt;strong&gt;"The Graveyard Book"&lt;/strong&gt; é um dos mais - se não o mais - preciosos trabalhos de Gaiman, e uma leitura mágica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Actualização:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Como o leitor Ubik, fez o favor de me indicar, este excelente e peculiar livro já se encontra à venda em Portugal por mãos da Presença. Parece-me adequado acrescentar portanto a informação adequada e correcta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título: &lt;/strong&gt;A Estranha Vida de Nobody Owens&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Neil Gaiman&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; Editorial Presença&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN: &lt;/strong&gt;9789722343596&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-80wacvThloc/TXp0bj07JZI/AAAAAAAAACs/bfSgXiakunw/s1600/A+estranha+vida.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" q6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-80wacvThloc/TXp0bj07JZI/AAAAAAAAACs/bfSgXiakunw/s1600/A+estranha+vida.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Obrigado pela correcção, Ubik.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-2215357186461362818?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/2215357186461362818/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/graveyard-book-neil-gaiman.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2215357186461362818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2215357186461362818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/graveyard-book-neil-gaiman.html' title='The Graveyard Book - Neil Gaiman'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-PejNMekLoIA/TWMEQSNm6DI/AAAAAAAAACo/WRjndlfqeQA/s72-c/graveyardbook.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-572497213835880931</id><published>2011-02-21T23:01:00.000Z</published><updated>2011-02-21T23:01:06.562Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>O colapso no Oriente Próximo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espalham-se como brasas ao vento as revoltas e rebeliões nos países Muçulmanos do Norte de África, e sem abordar as minhas preocupações anteriormente expostas neste blogue, expresso-me acima de tudo pelo extraordinário destes movimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Frequentemente nesta nação de brandos costumes nos dizem que o "povo" já não tem poder, que as manifestações na rua, as greves não servem de nada e costumo contrapor que tal não é verídico. O "povo" tem uma voz como nunca teve e facilmente faz cair governos, se assim o desejar. Pois se consegue derrubar ditaduras, também o conseguirá fazer a democracias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que situações como a da Líbia ou do Egipto não seriam possíveis (nem desejáveis ou necessárias) em Portugal. Não imagino que as forças da lei, servas de um Estado de Direito, usassem de tão dura repressão, ainda que nestes tempos que correm, incidentes como o da Ponte 25 de Abril ou&amp;nbsp;da Marinha Grande teriam sem sombra de dúvidas efeitos bem mais incendiários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na Líbia, tal como no Egipto e na Tunísia, também no Barhain, o mundo está a aprender que nenhum regime consegue realmente cortar os acessos e isolar os manifestantes para depois os eliminar em silêncio. Repressão silenciosa é um luxo de que os regimes abusivos já não podem usufruir e o o seu fim inicia-se quando os primeiros manifestantes jazem mortos no chão. Se antes da alvorada da internet esses seriam os mortos esquecidos, hoje em dia são apenas as fagulhas que cada bastonada espalha em volta para criar novos incêndios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pergunto-me o que diria Foucault deste estado de coisas, posto que se restringe de uma nova forma a legitimidade do Estado em vigiar e punir, quando em massa os seus cidadãos decidem que não são criminosos nem desviantes e aos governos resta apenas negociar ou ruir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na Líbia joga-se agora um sinistro jogo de cadeiras, em que Kadhafi é abandonado em série pelos seus diplomatas, fiéis servidores de longos anos, que parecem ter visto a luz morna de uma nova moral, ou cheiram já a água salgada nos porões deste navio que se afunda, e procuram os últimos lugares disponíveis nos botes. Dir-se-iam tentáculos que tentam pertencer a outro polvo, ainda que devesse ter mais fé nestes homens renascidos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas dê por onde der, um povo parece mais forte que um exército, a rede social mais poderosa que a espada, e há algo novo e admirável nisso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-572497213835880931?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/572497213835880931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/o-colapso-no-oriente-proximo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/572497213835880931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/572497213835880931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/o-colapso-no-oriente-proximo.html' title='O colapso no Oriente Próximo'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-810913025721998190</id><published>2011-02-12T02:30:00.000Z</published><updated>2011-02-12T02:30:13.531Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Sonho Febril - George R. R. Martin</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DhALkX2oTzk/TVXvzixtK_I/AAAAAAAAACk/_duEnvCcEvs/s1600/sonho+febril.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-DhALkX2oTzk/TVXvzixtK_I/AAAAAAAAACk/_duEnvCcEvs/s1600/sonho+febril.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;Fevre Dream (Trad. Ana Mendes Lopes)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; George R. R. Martin&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Outubro 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.saidadeemergencia.com/" target="_blank"&gt;Saída de Emergência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 978-989-637-275-0&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;George R. R. Martin é mais conhecido por &lt;strong&gt;"As Crónicas do Gelo e Fogo"&lt;/strong&gt;, mas ando tão distanciado do género Fantasia, que quis apenas ver como se dava o autor Norte-Americano neste género mais sombrio e abordei o tema de mente livre, sem comparações com a sua obra mais conhecida.&amp;nbsp;A verdade é que se dá extremamente bem e, como&amp;nbsp;os luxuosos navios de pás do Mississipi, &lt;strong&gt;"Sonho Febril"&lt;/strong&gt; foi um livro que me alcançou os sonhos e ultrapassou todos os concorrentes, como a mítica corrida entre o Natchez e o Robert E. Lee.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A premissa é simples: Abner Marsh, capitão no Mississipi, director de uma companhia de navegação, está praticamente na ruína após a perda de vários dos seus barcos às mãos de um rigoroso inverno. Então quando um estranho lhe propõe construir o navio dos seus sonhos, em troca de não se meter nos seus assuntos, Abner pouco hesita e dá largas às suas ambições. Mas&amp;nbsp;o velho capitão&amp;nbsp;rapidamente começa a desconfiar dos hábitos noctívagos do seu novo sócio, das suas paragens demoradas, e dos cadáveres que vão ficando ao longo da viagem, tornando o confronto inevitável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adivinha-se desde logo uma história de vampiros num mundo literário que já está a transbordar deles, mas há uma certa mística em &lt;strong&gt;"Sonho Febril"&lt;/strong&gt;, logo que olhamos para o livro, principalmente para um indefeso amante de tudo o que é naval, como eu. Mas o precioso na história desenvolvida por Martin, é a homenagem aos vampiros mais clássicos, pensados para adultos, não para adolescentes com problemas existenciais e sonhos húmidos reprimidos. Não é apenas por ser George R. R. Martin, mas a presença da poesia de Byron&amp;nbsp;dá-nos certeza que o género vampírico será tratado com a dignidade dos grandes clássicos Vitorianos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por vezes fico com a sensação que Martin reforça o dramatismo dizendo duas e três vezes a mesma coisa, mas ainda assim &lt;strong&gt;"Sonho Febril"&lt;/strong&gt; foi uma leitura frenética do princípio ao fim. Muito fluidos na história estão pormenores históricos da vida dos homens do rio, os pequenos truques e manhas, e todo o Mississipi ganha vida com essa aura de Mark Twain que nos é prometida muito honestamente pela sinopse.&amp;nbsp;É-nos traçado um retrato vivo e por vezes crú do velho Sul nos dias finais da escravatura e do romantismo dos barcos a vapor no fim da sua época áurea, e muito ajuda que o culminar do livro se dê durante um evento histórico bastante celebrado&amp;nbsp;(nada de spoilers). Para leitores relativamente dentro desses pormenores históricos, o livro tem uma fragrância muito apelativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, se a história é orientada pelos desígnios das "gentes da noite", não se centra simplesmente nelas ao ponto de se tornar míope, sendo muito mais do que um romance de vampiros, um romance com vampiros que nos mantém agarrados pelo inesperado dos rumos diversos que o enredo vai tomando. Assim se gera um livro para devorar, intrigante, excitante e&amp;nbsp;cheio de adrenalina, bem estruturado e uma lufada de ar fresco na &lt;em&gt;bandwagon&lt;/em&gt; dos vampiros. Não admira: editado pela primeira vez no já distante 1982, não foi contaminado com modas nem mercantilismos e ao o ler, este é um pormenor a levar em conta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Grato à Saída de Emergência por mais esta excelente aposta da sua colecção Bang!, a dar finalmente palavras Portuguesas a uma história já com 30 anos que&amp;nbsp;resistiu incólume&amp;nbsp;ao peso da idade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-810913025721998190?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/810913025721998190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/sonho-febril-george-r-r-martin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/810913025721998190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/810913025721998190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/sonho-febril-george-r-r-martin.html' title='Sonho Febril - George R. R. Martin'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-DhALkX2oTzk/TVXvzixtK_I/AAAAAAAAACk/_duEnvCcEvs/s72-c/sonho+febril.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1894880655392775727</id><published>2011-02-05T02:53:00.000Z</published><updated>2011-02-05T02:53:52.161Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Indomável - Charles Portis</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TUy7WS5lfrI/AAAAAAAAACg/dY2t_tIDQZc/s1600/truegrit.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TUy7WS5lfrI/AAAAAAAAACg/dY2t_tIDQZc/s1600/truegrit.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;True Grit&amp;nbsp; (Trad. Fátima Andrade)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Charles Portis&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Janeiro de 2011&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.presenca.pt/" target="_blank"&gt;Editorial Presença&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789722344784&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é de todo meu hábito comprar livros relacionados com filmes acabados de lançar. Contudo, com dificuldade em me manter agarrado à leitura de Camilla Läckberg, e a deliciosa leitura de &lt;strong&gt;"The Graveyard Book"&lt;/strong&gt; de Neil Gaiman deixada na cidade errada por esquecimento, precisava de uma leitura capaz de me viciar e &lt;strong&gt;"Indomável"&lt;/strong&gt; tem representado para mim um &lt;em&gt;page turner&lt;/em&gt; como não há memória.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar da adaptação ao cinema por parte dos irmãos Coen ser já a terceira que vê este livro de 1968, o interessante é mesmo a sua edição em língua Portuguesa, pela&amp;nbsp;Editorial Presença. Se a&amp;nbsp;iniciativa ao estilo &lt;em&gt;tie-in&lt;/em&gt; com o filme tiver o sucesso que levou o livro a #1 na lista de vendas do mês de&amp;nbsp;Janeiro nos EUA, então adivinho que muitos Portugueses irão agora encontrar um livro de qualidade assinalável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A narrativa de Portis é de inacreditável facilidade digestiva&amp;nbsp;e, pela sua leveza, quase que nem nos apercebemos da quantidade de informação, pormenores e humor que estamos a absorver. A história move-se depressa, e quando não são os acontecimentos que se sucedem, são os diálogos vivos e eriçados, sempre decididos ("gritty"! Percebem?).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Central à história é Mattie Ross, que sai de casa aos 14 anos em perseguição do criminoso que lhe matara o pai. Na sua demanda acaba por angariar a ajuda de um reluctante &lt;em&gt;marshal&lt;/em&gt;, Rooster Gogburn, homem áspero, cego de um olho, consumidor de whisky e com um passado nem sempre claro. Nenhum homem no velho Oeste se&amp;nbsp;permitiria seguir para território índio com uma rapariguinha de 14 anos atrelada, mas Mattie é uma rebelde com uma teimosia só suplantada pelo seu talento para a negociação. Perante aquela criatura teimosa e astuta, Cogburn na verdade nunca teve hipótese de decidir de qualquer outro modo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sua irascibilidade, a personagem de Mattie é apaixonante e possui uma força superior a qualquer personagem de qualquer um dos livros para já figurando neste blogue. Como idosa, numa América bem diferente daquela da sua infância, Mattie narra a sua aventura de um modo bem definido pelas suas próprias palavras:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Dizem que o meu artigo é demasiado longo e «digressivo»"&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é. Mattie faz frequentes comparações entre o passado e o presente, divaga constantemente na sua apreciação dos Democratas, considerações sobre confissões religiosas e citações Bíblicas, sem nunca realmente perder tempo ou se desviar da história. A sua assertividade é cheia de humor e tem todas as características de uma velha "gaiteira", mas o delicioso em &lt;strong&gt;"Indomável"&lt;/strong&gt; é como esta personagem tão perfeitamente conjuga a sua dupla faceta de criança e idosa. Acima de tudo, Mattie tem uma voz muito própria; toda a energia da juventude, todo o saudosismo da velhice, sobressaem com grande credibilidade e agarram irrevogavelmente o leitor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De Mattie, Cogburn e LeBoeuf, podemos dizer que são em grande medida estereótipos, mas o que mais poderiam ser um &lt;em&gt;ranger&lt;/em&gt;&amp;nbsp;do Texas, um &lt;em&gt;marshal&lt;/em&gt; do Arkansas e a vilha de um criador de gado, que não expressões bem vincadas do &lt;em&gt;habitus&lt;/em&gt; de Bourdieu, com hábitos, vícios, características típicas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A virtude de &lt;strong&gt;"Indomável" &lt;/strong&gt;é que não tenta levar o estereótipo demasiado a sério, e os pequenos tiques e rotinas não deixam de ser retratados com um certo parodiar da realidade, um realçar do caricato e não se nota em definitivo que se trata de um livro de 1968. &lt;strong&gt;"Indomável"&lt;/strong&gt; é intemporal e imune à passagem de modas e estilos de escrita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar da sua passagem à acção mais rápida, do passo mais acelerado e dos diálogos mais frequentes, parece-me que não deixa de haver alguns traços de semelhança entre Portis e o genial Cormac Mccarthy. Talvez não seja coincidência que &lt;strong&gt;"Indomável"&lt;/strong&gt; seja o primeiro filme dos irmãos Coen baseado num romance, desde &lt;strong&gt;"Este País Não é Para Velhos"&lt;/strong&gt;, romance precisamente de Mccarthy. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não percam&amp;nbsp;mais tempo e obtenham este livro. Tem todos os ingredientes para uma leitura viciante e voraz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1894880655392775727?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1894880655392775727/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/indomavel-charles-portis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1894880655392775727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1894880655392775727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/indomavel-charles-portis.html' title='Indomável - Charles Portis'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TUy7WS5lfrI/AAAAAAAAACg/dY2t_tIDQZc/s72-c/truegrit.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1565102107703196946</id><published>2011-02-04T02:42:00.001Z</published><updated>2011-02-04T16:55:24.965Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Para onde os ventos sopram.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parece-me que estamos no início do fim da idade da inocência das revoluções no Oriente Próximo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por momentos, esquecemo-nos que somos apenas ocidentais e que a nossa concepção do bem e do mal é nossa, não necessariamente a de outros, ou sequer a correcta. E foi fácil, vendo a revolução Tunisina, pensar que estávamos perante um novo Muro de Berlim em queda, ou a Revolução Cantada da Estónia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas mesmo aí, uma caríssima amiga notou uma certa censura nos nossos meios de comunicação social. Passava-se a mensagem do fim de uma ditadura, um ansioso clamor pela liberdade e democracia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, para lá do idealismo Ocidental e o seu apego à democracia, os Tunisinos estavam apenas empobrecidos, esfomeados, economicamente desesperados, presos numa crise que por alguns meses quase pensávamos que estava a ser ultrapassada. Afinal, estão a iniciar-se os colapsos de alguns países economicamente relevantes para nós, com custos imediatos para Portugal, como o preço do petróleo em subida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim, agarramo-nos ao idealismo de que isto abria o caminho à democracia nestes países Islâmicos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A manifestação das mulheres Tunisinas contra o regresso do líder do partido Islamita Ennahda, mal recebeu atenção, mas foi para mim um sinal de alarme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora queimam-se múmias no Egipto e a mudança cheira a motins em grande escala, num país que se estima possuir cinco milhões de filiados no partido Islamita da Irmandade Muçulamna, o melhor organizado, o melhor preparado para eleições, e que já manifestou o desejo de por fim ao tratado de paz com Israel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E no nosso embevecimento por acharmos que todas as civilizações verão inevitavelmente a luz da nossa sabedoria democrática, esquecemo-nos que ditaduras são de facto estes países, mas ditaduras convenientes para os regimes Ocidentais, em países bastante mais ocidentalizados que muito do restante mundo Árabe. São tipos simpáticos que nos vendem petróleo e nos compram Magalhães, amigos tão arduamente encontrados, chatos homicidas tolerados, que agora nos são roubados. Pobres de nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esquecemo-nos que não há nestes países qualquer tradição democrática, nem sequer republicana. Não considero ditaduras militares ou de outro género consistentes com&amp;nbsp;a noção de "República". Não&amp;nbsp;o são.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembrei-me imediatamente&amp;nbsp;de um velhote no Iraque, em 2003, que declarava com essa arrogância bacoca que só&amp;nbsp;os ignorantes teimosos têm a felicidade de possuir, que&amp;nbsp;não queriam (os Iraquianos) a democracia para nada. Não há democracia no Corão, então não interessa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imaginamos que se os filmes da revolta aparecem no YouTube e as mensagens no Facebook, então todos os que lutam na rua são combatentes da liberdade, moderados,&amp;nbsp;partilhando os nossos princípios&amp;nbsp;e temperança. Genuinamente? Nem todos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto nos mostram lutas ideológicas quando deveriam mostrar (e mostram, cada vez mais, inevitavelmente) a face de uma crise cujas consequências se precipitam como uma torrente de água encosta abaixo, escondem também que para os governos Europeus e Ocidentais no geral nem tudo são rosas, nem só a esperança existe. Há com toda a certeza um nome atravessado em todos, Irão, país que antes da revolução de 1982 era uma ditadura sim, em muito semelhante às ditaduras que agora colapsam, ocidental, onde as mulheres podiam andar de cara destapada e conduzir um automóvel. Por então a&amp;nbsp;revolução em direcção à liberdade rapidamente adquiriu &amp;nbsp;uma nova face.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também agora, para lá de todos os discursos de um ocidente autocêntrico, são necessárias intervenções rápidas e assertivas, diplomacia inteligente capaz de impedir que estes países se transformem em teocracias infinitamente mais perigosas e destruidoras dos direitos humanos do que qualquer uma das ditaduras até agora ameaçadas. Tranquiliza-me pouco que a Tunísia tenha aderido às principais convenções internacionais sobre direitos individuais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretanto sucedem-se os tiros no Cairo, e é a isto que está reduzida a nação onde um dia se ergueu uma das mais magníficas civilizações humanas. É irónico considerar que as mulheres possuíam mais direitos 5000 anos atrás em pleno Egipto Antigo, do que hoje em dia em qualquer um destes países do Norte de África. Esperemos que se a revolução se espalhou, não se espalhe agora também o sangue.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1565102107703196946?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1565102107703196946/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/para-onde-os-ventos-sopram.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1565102107703196946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1565102107703196946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/02/para-onde-os-ventos-sopram.html' title='Para onde os ventos sopram.'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-5329374266428210059</id><published>2011-01-25T22:51:00.003Z</published><updated>2011-01-26T00:58:08.398Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>"A Voz Secreta das Mulheres Afegãs - O Suicídio e o Canto" - Sayd Bahodine Majrouh</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TT9SarPFsLI/AAAAAAAAACY/IMQk_Ymlp8I/s1600/A_voz_secreta.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TT9SarPFsLI/AAAAAAAAACY/IMQk_Ymlp8I/s1600/A_voz_secreta.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Le Suicide et le Chant (Trad. Ana Hatherly)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Sayd Bahodine Majrouh&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2005&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.cavalodeferro.com/" target="_blank"&gt;Cavalo de Ferro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9728791763&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sou particularmente descrente no divino, nem tenho por hábito desrespeitar religiões alheias, mas não me sinto inclinado para a deferência perante qualquer crença que coloque uma divindade potencial acima da dignidade humana do indivíduo, muito menos da mulher. O mesmo vale para correntes filosóficas ou sociais onde um distinção seja feita em direitos e deveres, baseada em qualquer coisa mais que o mérito ou a dignidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi neste contexto que adquiri muito fortuitamente &lt;strong&gt;"A Voz Secreta Das Mulheres Afegãs - O Suicídio e o Canto"&lt;/strong&gt;, tradução portuguesa&amp;nbsp;de uma recolha de canções populares das mulheres&amp;nbsp;pashtun, levada a cabo&amp;nbsp;por Sayd Bahodine Majrouh, poeta e erudito Afegão, que acaba assassinado em 1988.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os &lt;em&gt;landays&lt;/em&gt; são formas poéticas muito básicas, duas linhas apenas, nem sempre rimando, mas constituem para as mulheres oprimidas e secundarizadas um grito de revolta, porventura o único que realmente possuem dentro da cultura pashtun. E nesse sentido são extraordinários os 130 &lt;em&gt;landays&lt;/em&gt; aqui reunidos, auxiliando-se o leitor com explicações bem peculiares quanto ao contexto em que na sua generalidade eles foram produzidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com uma caríssima amiga conversava há já algum tempo, a suprema ironia do Médio Oriente Muçulmano ser um ávido consumidor de afrodisíacos. Ou talvez não seja realmente ironia; uma sociedade opressora da mulher não pode realmente esperar obter dela prazer e alegria excepto se a drogar e fizer batota no jogo do amor. E para o mundo muçulmano, a feminilidade é um pecado apenas superado pelo pecado da sexualidade feminina. Para imporem as suas convicções e a sua autoridade, cometem-se as maiores barbaridades, a excisão clitoriana apenas um exemplo de mutilação por parte de homens supostamente tementes a um deus que equipa as mulheres com peças a mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Casar homens de 80 anos&amp;nbsp;com crianças de 13 não é anormal, mesmo que isso as condene à morte durante o parto, e nisso alguns países do Norte de África já começam a evoluir, com a luta que se espera por parte dos clãs patriarcais. E dir-se-ia que as mulheres Muçulmanas - as boas, pelo menos - não têm sexualidade fora dos desejos do seu marido, mas o quadro aqui pintado é de mulheres revoltadas contra a sorte que as casa com crianças e velhos, sem nada poderem dizer ou fazer:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Gente cruel que vedes um velho me levar para a sua cama &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E perguntais-me porque choro e me arranco os cabelos!"&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A acutilância do sarcasmo é por vezes louvável:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Nunca tomarei um velho por amante&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que perde a noite em projectos e de dia se declara valente"&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E neste contexto, a esmagadora maioria dos &lt;em&gt;landays&lt;/em&gt; mostra mulheres presas a casamentos com "terríveis pirralhos", idealizando ou dedicando secretas rimas aos seus amantes:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Meu Deus, que fazes tu de mim?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As outras são flores desabrochadas e tu deixas-me em botão"&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O teu amor é de água, é de fogo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As chamas consomem-me e as ondas engolem-me"&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mulher aprisionada marca encontros furtivos, convida o amante e encontrá-la enquanto o horrível pirralho dorme,&amp;nbsp;desafia a virilidade do seu marido-dono do único modo que pode, e se o amante tem medo, queixa-se. E se a imagem é de uma mulher vergada, felizmente submissa, os &lt;em&gt;landays &lt;/em&gt;mostram alguém que joga com o homem o jogo da honra e tanto o critica, quanto usa a sua masculinidade contra ele próprio:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O horrível pirralho não faz nada, nem amor nem guerra&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À noite, com a barriga cheia, vai para a cama e ressona até de madrugada"&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Ó meu amor, se nos meus braços tremes tanto&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que farás quando do choque das espadas saltarem mil faíscas?"&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No exílio, sem os campos onde trabalha, reduzida à tenda como explica o livro, a mulher perde ainda mais humanidade, pois perde todas as funções que desempenha e sem elas pouco mais é do que um valor, um objecto. Os &lt;em&gt;landays&lt;/em&gt; escritos no exílio após a invasão Soviética falam de amores distantes na guerra, da saudade de casa. Para a mulher Muçulmana não se fala de virgens&amp;nbsp;ou paraíso prometido, a sua morte é o regresso ao nada. E menciona-se a aparente distância entre as mulheres Muçulmanas e os seus filhos (que o digam os seguidores de Bowlby, cujas teorias do &lt;em&gt;attachment&lt;/em&gt; não encaixam bem na cultura do Médio Oriente), mas que amor pode reservar uma mulher ao filho que não é mais do que um reflexo do odiado marido, que lhe bate e maltrata e não guarda por ela mais respeito que o marido?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por isso não se estranha, que a mulher tão fortemente apoie as guerras do homem, que pior que ser casada à força, só casada à força com um covarde:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Se não tiveres feridas no meio do peito&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficarei indiferente, mesmo que tenhas as costas esburacadas como um passador"&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De um erotismo só igualável pelo seu arrojo, estas pequenas expressões de revolta de mulheres aparentemente submetidas, torna-se uma leitura tocante e ao mesmo tempo com algum humor. São sonhos que de outro modo não se expressam e eventualmente não se realizam. Fazem-me regressar a velhas ruminações, sobre como num local a condição feminina é uma condenação, noutros é uma auto-condenação. Que tipo de injustiça é esta em que uns desperdiçam aquilo que outros tanto desejariam possuir sem no entanto conseguirem, pagando por esse simples querer os mais altos preços?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo não deixo de pensar com alguma melancolia e receio, que os amantes com que estas mulheres sonham, são apenas tão homens quanto os seus maridos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seja como for, &lt;strong&gt;"A Voz Secreta das Mulheres Afegãs" &lt;/strong&gt;é um manifesto de luta e irreverência, cantado e ecoado por mulheres que podem esperar passar pela vida sem dela obterem satisfação. Deixa-me revoltado, mas também agradado pela arte ainda conseguir manter intacta um pouco da alma daqueles que mal têm direitos, ainda que nesta poesia popular não exista a palavra "alma", reservada que estará para os escritos dos eruditos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ás vezes, talvez a culpa da cornadura seja realmente de quem a ostenta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-5329374266428210059?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/5329374266428210059/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/voz-secreta-das-mulheres-afegas-o.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5329374266428210059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5329374266428210059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/voz-secreta-das-mulheres-afegas-o.html' title='&quot;A Voz Secreta das Mulheres Afegãs - O Suicídio e o Canto&quot; - Sayd Bahodine Majrouh'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TT9SarPFsLI/AAAAAAAAACY/IMQk_Ymlp8I/s72-c/A_voz_secreta.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-3317689329164099403</id><published>2011-01-25T04:46:00.004Z</published><updated>2011-01-25T14:11:01.595Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Dos Cornudos: suas espécies e tipos - Charles Fourier</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TT5SxOQkkwI/AAAAAAAAACU/DvPkwWfc-DI/s1600/dos+cornudos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TT5SxOQkkwI/AAAAAAAAACU/DvPkwWfc-DI/s1600/dos+cornudos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Tableau Analytique du Cocuage (Trad. Helder Guégués)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Charles Fourier&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2004&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.cavalodeferro.com/" target="_blank"&gt;Cavalo de Ferro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789728791445&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Charles Fourier (1772-1837) foi um personagem peculiar. Socialista utópico, repudia a revolução industrial; libertário, cunha o termo "feminismo", insurgindo-se frequentemente contra&amp;nbsp;o tratar da&amp;nbsp;mulher como uma mercadoria disponível para compra e "posse exclusiva".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contra essa exclusividade, dizendo-se amar demais as mulheres para casar, a sua tipologia dos cornudos é também a marca daquele que foi dos primeiros a defender o amor livre, opondo-se à castração das paixões humanas que o matrimónio impõe. Não admira por isso, que os cornudos sejam homens; detêm o poder no casamento e não deixam de ser para Fourier os culpados da encornadura. O adultério é &lt;em&gt;serious business&lt;/em&gt;. A contra-reforma e o estabelecimento do sacramento do matrimónio, lança os adúlteros para a fogueira; tradicionalmente é sempre a mulher a levar com o pior da história, castigada como adúltera, mas de modo algum justiçada se adulterada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não admira que desse em... histérica.&amp;nbsp;E curiosamente a cura para o histerismo feminino parece ter sido sempre muito fácil, uma massagem simples nos genitais,&amp;nbsp;à qual&amp;nbsp;os médicos se furtavam como podiam (ou não estivéssemos a falar de cornos), e nesse caminho tão&amp;nbsp;idiossincrático da medicina Ocidental em que o médico interpõe entre si e o paciente toda a espécie de aparelhos (mas também ninguém gosta de um ginecologista de sorriso ansioso), inventou-se o vibrador. Não consigo imaginar melhor cura para qualquer doença, uma em particular de que os homens raramente sofreram, mas infelizmente o mito das enfermeiras que dão uma ajuda tem-se mantido desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brinco. Mas foi com toda a seriedade possível que o catálogo Sears publica em 1918 o primeiro anúncio a um vibrador portátil "muito útil e satisfatório para uso doméstico", motorizado pela mesma "varinha-mágica" com que se poderiam bater os ovos, misturar a manteiga... sem mudar o vibrador, claro. Nada mais prático (&lt;a href="http://ambergis.files.wordpress.com/2008/08/sears2.jpg"&gt;http://ambergis.files.wordpress.com/2008/08/sears2.jpg&lt;/a&gt;)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que parece, o primeiro título para &lt;strong&gt;"Dos Cornudos"&lt;/strong&gt; foi "o jogo dos gansos retomado dos gregos", peculiaridade que rapidamente fez luz quando se notam algumas referências à tragédia Grega. É de sublime ironia como o homem Grego, que tinha a esposa, a concubina e a cortesã, pareça ter sofrido de portentosas astes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agamémnon é encornado por Clitemnestra depois de voltar de uma guerra travada porque Menelau foi encornado a toda a força por Helena. Mas Atreu, pai de Agamémnon, havia já sido encornado pela sua esposa Aerope, dando a comer ao encornador Tiestes os seus próprios filhos. Já Ulisses chacina uma vintena de pretendentes para não ser ele próprio encornado e a Odisseia não é nada mais do que uma corrida contra a encornadura iminente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os Gregos não estavam seguros nem dos seus próprios deuses. Que o diga Anfítrio,&amp;nbsp;encornado pelo próprio Zeus. E não&amp;nbsp;terá a mãe de Alexandre&amp;nbsp;O&amp;nbsp;Grande engravidado antes do casamento, fazendo de Filipe II da Macedónia um &lt;em&gt;"cornudo antecipado"&lt;/em&gt;?&amp;nbsp;Já Afrodite cometeu adultério com Ares enquanto era casada com Hefesto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seja como for, a nossa sociedade patriarcal vem sofrendo do pânico comum face à possibilidade de encornadura, quer no seu acto mais banal de uma caçadeira em nome da honra, quer sublimando-o como Verdi em "Stiffelio" ou Rossini em "Otello". Não era possível partir-se em direcção às violações e pilhagens, sem fechar a virtude da esposa a cadeado. Sem o adultério, a produção Brasileira de telenovelas reduzir-se-ia a nada, as revistas cor-de-rosa entrariam em colapso, ninguém saberia que existe uma realeza no Mónaco, e os jogadores de futebol teriam de se contentar com os ordenados altos, sem os benefícios mais carnais da profissão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, entre cornudos em potência ou consumados, um terço de todos os livros que li têm-nos, mas há literatura bem mais histriónica onde e encornadura é o ex libris. De Shakespeare a Maupassant e Flaubert, o adultério é uma presença tão forte na literatura clássica, que um romancista desesperado, bem poderia abrir &lt;strong&gt;"Dos Cornudos"&lt;/strong&gt; em qualquer página e encontrar a personagem central da sua próxima história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E elas abundam, pelo menos no que diz respeito aos encornados, pois com&amp;nbsp;80 tipos diferentes, é difícil não encontrar um adequado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há-o desde o #2 (o &lt;em&gt;corno presumível&lt;/em&gt;) que tanto sofre com a possibilidade de ser corno, que as precauções extras levam a sua esposa a cumprir-lhe o destino mais rapidamente, até ao #10 (&lt;em&gt;cornudo vítima&lt;/em&gt;), o tipo simpático e coitado que não merece o que lhe acontece. Mas há também o &lt;em&gt;cornudo regenerador&lt;/em&gt;, que tanto se dedica às causas da sociedade que não presta atenção à sua própria casa, o &lt;em&gt;cornudo recíproco&lt;/em&gt; que terá como máxima que "quem vai&amp;nbsp;à guerra, dá e leva".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há o &lt;em&gt;corno respigador&lt;/em&gt; que apanha os restos e em igual nível de subserviência, o &lt;em&gt;corno tutelado&lt;/em&gt;, aquele cuja mulher usa as calças. Depois temos o &lt;em&gt;corno místico&lt;/em&gt; que rodeia a mulher de homens santos até que "algum libertino lhos põe na testa para maior glória de Deus". E não ficam de fora os óbvios - particularmente óbvios - como o &lt;em&gt;corno por prescrição&lt;/em&gt;, que passa a vida fora de casa em viagens longas, até que a esposa vencida se vê forçada a "aceitar os reforços de um caridoso vizinho".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas há também esse fantástico &lt;em&gt;cornudo porta-estandarte&lt;/em&gt;, o feio, crédulo, estúpido e francamente mau, que tem a sorte (ou azar) de despojar uma bela mulher, mas cujo carácter "faz tombar uma chuva de cornos sobre a sua cabeça".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E hoje estão muito em voga, os &lt;em&gt;cornudos póstumos&lt;/em&gt;, aqueles que uns 10 meses depois de mortos ainda têm filhos e acabam cornudos no cá e no além.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem esquecer o &lt;em&gt;cornudo bombo da festa&lt;/em&gt;, ou o &lt;em&gt;cornudo de repouso&lt;/em&gt;, aquele que "tem uma mulher&amp;nbsp;tão feia que nem ele nem os outros a imaginam capaz de arranjar um amante", Fourier faz pantanas do grande temor masculino e - como homem - acabo a rir-me, não tanto da categorização "científica" do filósofo&amp;nbsp;Francês, mas mais do ridículo do homem eternamente desconfiado, mas que a isso ele próprio se condena, na sua aspiração a exclusivo proprietário de algo. Somos peculiares criaturas, sem dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fournier é francamente mauzinho, um perverso gozador com a desgraça alheia cuja culpa notoriamente atribui aos próprios vitimizados. Talvez tenha razão, afinal deitamo-nos na cama que fazemos (Fourier diria que se deitam na cama que fazemos...), e amigos meus que me lêem agora e me conhecem, perdoem-me, mas com&amp;nbsp;tantos tipos de&amp;nbsp;cornudo à escolha, obviamente pensei em alguns de vós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me levem a mal, que já fui&amp;nbsp;pelo menos um #30 (corno enfeitiçado), despromovido a #40 (cornudo desemburrado).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-3317689329164099403?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/3317689329164099403/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/dos-cornudos-suas-especies-e-tipos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3317689329164099403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3317689329164099403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/dos-cornudos-suas-especies-e-tipos.html' title='Dos Cornudos: suas espécies e tipos - Charles Fourier'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TT5SxOQkkwI/AAAAAAAAACU/DvPkwWfc-DI/s72-c/dos+cornudos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-337083006946946302</id><published>2011-01-22T02:31:00.001Z</published><updated>2011-01-22T02:33:31.694Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Os Dias de Saturno - Paulo Moreiras</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TTpBLdarTTI/AAAAAAAAACQ/LlRskCrXxeg/s1600/osdiasdesaturno.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" s5="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TTpBLdarTTI/AAAAAAAAACQ/LlRskCrXxeg/s1600/osdiasdesaturno.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Paulo Moreiras&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;2009&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://quidnovipt.blogspot.com/"&gt;Quidnovit&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896281502&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 7 de Novembro de 1699, reúnem-se no Convento de Cristo dois grandes amigos alquimistas: Domingos Rodrigues, cozinheiro do rei D. Pedro II e autor do primeiro livro de cozinha publicado em Portugal; e o médico da Casa Real João Curvo Semedo, um dos mais conceituados do seu tempo. Ambos vêm para assistir do terraço do convento a um eclipse do Sol — fenómeno misterioso que dificilmente voltarão a presenciar durante as suas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim começa a sinopse do interessantíssimo &lt;strong&gt;"Os Dias de Saturno"&lt;/strong&gt; de Paulo Moreiras, dono de uma bibliografia &lt;em&gt;suis generis&lt;/em&gt;.&amp;nbsp;Lisboa é, na charneira do século XVIII, uma metrópole onde o passado encontra o presente e as portas do mundo se abrem para a Europa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com uma pesquisa profunda que se&amp;nbsp;traduz numa&amp;nbsp;atraente prosa, Paulo Moreiras descreve de modo bastante visual as características marcantes da capital Portuguesa, puxando para ela o leitor até&amp;nbsp;este se encontrar perfeitamente imerso na "princesa das cidades". &lt;strong&gt;"Os Dias de Saturno"&lt;/strong&gt;, facilmente se torna um roteiro para a cidade, com pontos facilmente reconhecíveis, caminhos e percursos verosímeis e exactos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda a escrita de Paulo Moreiras é aqui jovial e aguerrida, invocando essa assertividade tão Lisboeta que ainda hoje caracteriza as suas gentes, mas a sua maior virtude será porventura a profusão de termos arcaicos que nunca nos deixam esquecer que esta não é uma história deste século. O risco é frequentemente duplo: linguagem e princípios modernos anacrónicos com a época em que se desenvolve a trama, ou tantos termos históricos que só um historiador desvenda os segredos da narrativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;strong&gt;"Os Dias de Saturno"&lt;/strong&gt; raramente nos deparamos com essa necessidade de verificar um significado que nos ilude, enquanto o realismo das expressões está assegurado. É precisamente por isto que o livro se torna uma leitura deliciosa e empolgante, para não dizer apaixonante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, a minha opinião acaba por ser a mesma que a de uma caríssima amiga a quem emprestei o livro: a história está incompleta. O&amp;nbsp;clímax&amp;nbsp;carece de "coice", talvez pela ligeireza com que se desenvolve, talvez como parece pequeno, perdido no enredo bastante maior. Seja o que for, o enredo que deveria fazer deste um livro um romance &lt;em&gt;"fascinante sobre o amor e a sua impossibilidade, com doses iguais de&amp;nbsp;humor e dramatismo"&lt;/em&gt;, acaba pouco desenvolvido, surpreendentemente, tendo em conta o alto nível da narrativa geral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda assim, pela cativante e realista descrição de uma Lisboa já distante, os seus hábitos e suas gentes, pelo humor&amp;nbsp;tão peculiar, &lt;strong&gt;"Os Dias de Saturno"&lt;/strong&gt; é um livro cheio de iguarias linguísticas a sorver com apetite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-337083006946946302?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/337083006946946302/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/os-dias-de-saturno-paulo-moreiras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/337083006946946302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/337083006946946302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/os-dias-de-saturno-paulo-moreiras.html' title='Os Dias de Saturno - Paulo Moreiras'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TTpBLdarTTI/AAAAAAAAACQ/LlRskCrXxeg/s72-c/osdiasdesaturno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-7624385132464512954</id><published>2011-01-21T20:03:00.001Z</published><updated>2011-01-21T20:03:41.084Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Divulgação'/><title type='text'>II Congresso de Sociologia da Educação - Educação, Territórios e (Des)Igualdades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Faculdade de Letras da Universidade do Porto acolhe&amp;nbsp;nos próximos dias 27 e 28 de Janeiro o II Congresso de Sociologia da Educação - Educação, Territórios e (Des)Igualdades, onde serão debatidos alguns dos desafios e constrangimentos apresentados ao sistema educativo e à instituição escolar em si mesma, bem no centro de polémicas passadas e recentes, e desafiada por um processo (tímido, quiçá contraditório) de autonomia e descentralização.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Haverá com toda a certeza motivos de interesse para todos os quadrantes das ciências sociais e humanas que tenham por interesse de investigação a escola moderna, não apenas para sociólogos, algo que eu próprio não sou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por questões inerentes à sua elegibilidade para publicação posterior, é possível que a comunicação que farei em conjunto com uma meritória colega não esteja disponível online antes do congresso, facto pelo qual apresento as minhas desculpas.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas outros textos de apoio começarão em breve a aparecer no blogue oficial do encontro em &lt;a href="http://encontrosociologiaeduc.blogspot.com/"&gt;http://encontrosociologiaeduc.blogspot.com/&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-7624385132464512954?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/7624385132464512954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/ii-congresso-de-sociologia-da-educacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7624385132464512954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7624385132464512954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/ii-congresso-de-sociologia-da-educacao.html' title='II Congresso de Sociologia da Educação - Educação, Territórios e (Des)Igualdades'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1446535888202921218</id><published>2011-01-21T19:18:00.003Z</published><updated>2011-01-22T02:53:51.261Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Divulgação'/><title type='text'>Feira do Livro na Gare do Oriente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Francamente não tive estímulo suficiente para abrir os cordões a uma bolsa extremamente apertada em vésperas de renovação da bolsa da FCT, mas está já presente desde anteontem na Gare do Oriente mais uma Feira do Livro, de livros em fim de edição, que não deixará de conter boas aquisições para os mais diversos leitores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns &lt;em&gt;thrillers&lt;/em&gt;, incluíndo &lt;strong&gt;"A Caixa em Forma de Coração"&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;"Pânico"&lt;/strong&gt;, uma boa presença da obra de Bernard Cornwell (representado com packs de &lt;strong&gt;"Sharpe"&lt;/strong&gt;), além da excelente trilogia &lt;strong&gt;"As Crónicas do Senhor Senhor da Guerra"&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;"Stonehenge"&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;"O Último Reino"&lt;/strong&gt;, captam sempre o olho, a par com autores mais clássicos, incluíndo Boccaccio, Kafka, Hemingway ou Balzac (não percam o precioso &lt;strong&gt;"Os Funcionários"&lt;/strong&gt;):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A melhor definição do funcionário público, julgo ser portanto esta: Um homem que vive do seu ordenado e que nada mais sabe fazer do que mexer, remexer e escrevinhar em papéis. Se os funcionários apenas servem para escrevinhar e remexer em papéis não devem ser grande coisa como homens. Conclusão fácil e intuitiva. Oh, caros inimigos da burocracia! Até quando continuareis a proferir estas frases tão frívolas como os próprios funcionários. Pensem comigo, uma porca, um prego, uma tacha, um arame, uma anilha, uma vareta não têm para nós qualquer valor e todavia perante elas o mecânico pensa: «Sem estas bugigangas, a máquina não funcionava.»"&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já agora, procurem pronunciar Balzac em Francês, com o "Z" bem orgulhoso. Não anglicizem a coisa. Ninguém merece ser pronunciado "ballsack".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Francamente, é deste tipo de críticas mordazes e acutilantes que sinto saudades nesta nova era&amp;nbsp;de ideias&amp;nbsp;regurgitadas e discursos fáceis. Dificilmente alguém no mundo seria capaz de crítica social tão empolgada e inflamatória quanto um realista&amp;nbsp;Francês de meados do século XIX, seja ele Balzac, Flaubert (também presente na feira, já agora), ou Zola. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas dificilmente se encontra rival para a demolidora assertividade de Eça, inquestionável génio do insulto elegante recheado de crítica certeira, e só é pena que frases tão cáusticas quanto "isto não é um país, é um sítio e&amp;nbsp;ainda por cima, mal frequentado" não encontre justos sucessores nestes temos actuais. Mais do que pena, chega a ser revoltante a sua actualidade... Sem reconhecer de modo algum o mundo em que vivemos, toda a sua tecnologia e avanços, Eça poderia berrar a frase numa qualquer tasca e obter aprovação unânime.&amp;nbsp; Sem demérito da sua imortalidade cultural, haja quem renove o seu espírito, em vez de apenas o ecoar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Títulos tão peculiares quanto o interessantíssimo &lt;strong&gt;"Os Bons Velhos Tempos da Prostituição em Portugal"&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;"Breve Tratado das Artes da Cópula"&lt;/strong&gt;, ou &lt;strong&gt;"O Vinho do Porto"&lt;/strong&gt; de Camilo e... OK... como é que consegui dar um salto de prostituição a vinho... ah... entendo. Seria&amp;nbsp;piada fácil. Vou abster-me dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adiante, saudei com agrado a presença da colecção de pequenos livros da extinta Gravi, cuja edição de &lt;strong&gt;"Herbert West: Reanimador"&lt;/strong&gt; já tive a oportunidade de mencionar no blogue, e que desta feita se encontra disponível na sua quase totalidade, constituindo uma oportunidade única para quem quiser apanhar pequenos textos de Cervantes, Gógol, Boccaccio, Henry&amp;nbsp;James, R.&amp;nbsp;L. Stevenson, Tchekov, Thomas Hardy, Joseph Conrad, etc.,&amp;nbsp;e que irão aparecendo aqui pelo blogue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num país que tão frequentemente acusamos de iliteracia e falta de cultura (e contra mim falo), iniciativas como esta feiras no Metro de Lisboa são meritórias e não há cá desvalorizar livros que se vendem baratos (ok... não é uma verdade universal), e não constituem novidade. Ninguém pode dar-se ao luxo de snobismo literário, e se alguém pode, então certamente não deveria. E nisto, nós cá por Lisboa somos privilegiados por comparação à generalidade do país, mas também por comparação ao (algum)&amp;nbsp;estrangeiro. Recordo-me de uma certa rapariga Brasileira&amp;nbsp;conhecida por instantes em Santa Apolónia, apequenada pela imponente mochila de viagem, numa disparidade&amp;nbsp;inercial que parecia desafiar o mais básico preceito da física.&amp;nbsp;Mais do&amp;nbsp;que perdida, sem saber que comboio devia apanhar, confessava-se&amp;nbsp;comicamente deslumbrada pela possibilidade que nos assiste de comprar livros baratos numa simples mudança de linha de metro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Clamava que por lá não há iniciativas destas, pelo menos não nesta intensidade e constância, o que para ela marcava sem dúvida um claríssimo sinal de civilidade e cultura. Devolvi-lhe o sorriso agradável e não ousei destruir-lhe a fantasia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo a crueldade desumana para déspotas Africanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1446535888202921218?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1446535888202921218/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/feira-do-livro-na-gare-do-oriente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1446535888202921218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1446535888202921218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/feira-do-livro-na-gare-do-oriente.html' title='Feira do Livro na Gare do Oriente'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-473646121710215234</id><published>2011-01-19T00:34:00.001Z</published><updated>2011-01-19T00:54:06.472Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>A Caixa Em Forma de Coração - Joe Hill</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TTYup1lxQVI/AAAAAAAAACM/EzXqCD4765M/s1600/724292_caixaformacoracao.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TTYup1lxQVI/AAAAAAAAACM/EzXqCD4765M/s1600/724292_caixaformacoracao.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;The Heart-Shaped Box&amp;nbsp;(Trad. Isabel Alves)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Joe Hill&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;2008&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.civilizacao.pt/"&gt;Civilização Editora&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789722625555&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Gosto de comprar as primeiras obras de alguém que ainda nem é bem escritor, apenas alguém que escreveu um livro. É uma compra quase no vazio, não há ainda muito a dizer do autor, não estamos contaminados com expectativas ou conhecimento prévio e as proclamações de "o novo..." ou "o herdeiro de..." não me tocam o suficiente para me sentir vítima de engodo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi precisamente o caso de Joe Hill, com &lt;strong&gt;"A Caixa Em Forma De Coração"&lt;/strong&gt;, criticada aqui, não por ser uma leitura recente, mas a propósito da chegada ao mercado Português de &lt;strong&gt;"Cornos"&lt;/strong&gt;, o segundo livro do jovem autor Norte-Americano. Que podemos então esperar de Joe Hill?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;strong&gt;"A Caixa Em Forma De Coração"&lt;/strong&gt;, encontramos "Judas" Coyne, estrela (de)cadente de Death Metal, coleccionador ávido de &lt;em&gt;recuerdos&lt;/em&gt; macabros, que vão da corda usada num enforcamento, a um filme de &lt;em&gt;snuff&lt;/em&gt;, passando por um livro de receitas para canibais e desenhos dos Sete Anões feitos por um &lt;em&gt;serial killer&lt;/em&gt; na prisão.&amp;nbsp;Mas&amp;nbsp;a mais recente&amp;nbsp;aquisição de Coyne é um fantasma comprado num site de leilões&amp;nbsp;online, que lhe chega às mãos na forma do fato do homem morto. Quando os acontecimentos estranhos começam a surgir, Coyne e a sua companheira, "Georgia",&amp;nbsp;não tardam a descobrir que talvez o fato estivesse sempre destinado às suas mãos, um engodo ao qual o coleccionador protagonista não conseguiria resistir. Roupa no e(vil)Bay... apanha-nos de cada vez. Não é, Ana?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez habituado a uma legião de perturbados, adormecido pelo seu próprio gosto pelo macabro, Coyne demora a compreender que há algo mais transcendente naquele fato, que não o meramente grotesco ou imaginativo, mas&amp;nbsp;tanto ele quanto Georgia percebem&amp;nbsp;que&amp;nbsp;não podem livrar-se do fato, e não podem ficar com ele. Só uma solução lhes resta: encontrar a origem do fato e desvendar a causa de tão profundo desejo de vingança, numa viagem contra o tempo que se pode revelar mais longa que a vida dos protagonistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A seu favor, a premissa é interessantíssima e a colocação de todos os elementos da história deixa-nos facilmente agarrados durante a primeira parte do livro. Hill retrata com credibilidade as personagens e o seu ambiente,&amp;nbsp;sendo muito intensa a aura &lt;em&gt;southern&lt;/em&gt; que com &lt;strong&gt;"Cornos"&lt;/strong&gt; parece ser a imagem da sua escrita. Além do mais, é bom notar que os diálogos são interessantes, quando tão&amp;nbsp;facilmente conseguem ser o que faz ou parte a&amp;nbsp;verosimilhança de um personagem.&amp;nbsp;&lt;strong&gt;"A Caixa Em Forma De Coração"&lt;/strong&gt; é o que podemos classificar de &lt;em&gt;page turner&lt;/em&gt;, narrado em passo acelerado e cheio de acção, com uma atmosfera agradavelmente sinistra, reminiscente de Stephen King.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em seu detrimento,&amp;nbsp;o enredo torna-se decididamente previsível umas boas páginas antes do desfecho, por vezes chega até a patinar sem parecer ir a lado algum, o que na altura atribuí apenas a alguma inexperiência editorial. Mas existe também uma certa falta de profundidade que é quase "Americana" na sua tipicidade, em que nem acidentes, demolições ou&amp;nbsp; destroços causam grande alarido a ninguém, num mundo vazio de tudo que não os protagonistas da história. Francamente, os buracos abundam na trama, muitas perguntas ficam por corresponder, a coerência perde-se um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é este um bom primeiro esforço? Sem dúvida. Pelo menos se não esperarmos encontrar ali o próximo expoente máximo do Gótico Americano. &lt;strong&gt;"A Caixa Em Forma De Coração"&lt;/strong&gt; é leitura interessante que aguça o apetite para &lt;strong&gt;"Cornos"&lt;/strong&gt;, esperando-se que a imaginação bastante peculiar de Hill e a sua escrita fluida&amp;nbsp;se encontrem agora embrulhadas numa construção de enredo mais coesa e segura. Se podemos julgar um livro pelo seu antecessor, &lt;strong&gt;"Cornos"&lt;/strong&gt; é um livro a investigar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-473646121710215234?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/473646121710215234/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/caixa-em-forma-de-coracao-joe-hill.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/473646121710215234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/473646121710215234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/caixa-em-forma-de-coracao-joe-hill.html' title='A Caixa Em Forma de Coração - Joe Hill'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TTYup1lxQVI/AAAAAAAAACM/EzXqCD4765M/s72-c/724292_caixaformacoracao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1226769224736381058</id><published>2011-01-14T05:19:00.000Z</published><updated>2011-01-14T05:19:23.367Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>O desarranjo.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este blogue não tem por agora assim tantos seguidores. Na verdade são tão poucos que consigo ouvir o eco das minhas próprias teclas, mas por respeito há que explicar que a minha parca contribuição para o blogue se deve a um computador avariado e à transcrição de entrevistas para o doutoramento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acreditem: é sumamente enfadonho. Aliás, lascas de bambu sob as unhas, eléctrodos nas sagradas partes, nem mesmo o suplício da água têm algo que se compare a esta eternidade de teclas crepitantes. Então de momento não tenho particular empatia pelos prisioneiros interrogados à bruta, antes lamento o árduo trabalho que terá o burocrata inocente que não se alistou num regime despótico para este tipo de agruras, quando tiver de transcrever os interrogatórios. Tudo o que ele queria era uma vida honesta de despotismo e conivência, favores e chantagem, mas a sua paga são artroses e dores lombares. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém chora o sofrido burocrata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ao fim de algumas horas a olhar para o ecrã, corpo e mente cansados, pouco sobra para agarrar um livro e degustá-lo adequadamente. Mas algo sobra, sobra sempre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis porque não têm sido&amp;nbsp;tão&amp;nbsp;frequentemente importunados com as minhas&amp;nbsp;ruminações.&amp;nbsp;Camila Läckberg, Neil Gaiman, Andrés Neuman, Arthur Machen e as instruções de um Messerschmitt da Airfix (Googlem...) são as leituras actuais, embora o estilo frio e tecnicista deste último não me excite&amp;nbsp;particularmente. MAS: tem figurinhas! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ironias de lado, têm-me passado pelas mãos algumas press releases que me fazem pensar estar perante as próximas grandes estrelas no mundo do Heavy Metal. Não. Quem me dera. Arrisco anemia, se os meus ouvidos continuarem a sangrar deste modo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem, apesar dos exageros de um &lt;em&gt;copywriting&lt;/em&gt; demasiado empolgado, é verdade que os meus ouvidos já pedem para ser... lidos (?) e entretanto a &lt;a href="http://www.rockheavyloud.com/"&gt;http://www.rockheavyloud.com/&lt;/a&gt; também sofre com esta avaria informática, já que a máquina maldita levou com ela o Dreamweaver e as configurações. Bem... e os últimos de Deicide, Crowbar, Turisas, Falkenbach, Legion Of The Damned e Battlelore, que só hoje&amp;nbsp;tive a oportunidade de voltar a obter junto das editoras. Sinto-me como... hum... eu próprio... numa loja de brinquedos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É isso então. Estou vivo, dedos transformados em ganchos, não me sinto particularmente bem, não tenho nada de particularmente importante para dizer, excepto: não fazemos devoluções dos 5 minutos que acabaram de perder ao lerem este post até aqui. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1226769224736381058?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1226769224736381058/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/o-desarranjo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1226769224736381058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1226769224736381058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/o-desarranjo.html' title='O desarranjo.'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-6816278471835395663</id><published>2011-01-11T04:30:00.001Z</published><updated>2011-01-11T13:28:43.090Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Herbert West: Reanimador - H. P. Lovecraft</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TSvcsLVe3CI/AAAAAAAAACI/wqHQdjcxjos/s1600/Herbert_West_Reanimador.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TSvcsLVe3CI/AAAAAAAAACI/wqHQdjcxjos/s1600/Herbert_West_Reanimador.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Herbert West: Reanimator (Trad. Isabel Rocha)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; H. P. Lovecraft&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;2008&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; Quasi Edições&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789895523801&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que se faz quando os prazos nos fogem de sob os pés e o congresso parece mais perto que o término do artigo que nele somos suposto apresentar, transformando a leitura diária num exercício de tenacidade contabilizado ao minuto nos instantes antes da luz se apagar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Socorremo-nos de livros pequenos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desta vez, de um gigante, H. P. Lovecraft, ícone supremo, e um dos mais influentes nomes na literatura de horror. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num mundo repleto de vampiros adolescentes e alminhas torturadas, sinto que a real genuinidade da literatura de horror e romances góticos se encontra neste período riquíssimo de transição entre os séculos XIX e XX, era Eduardiana, de grande expansão tecnológica e englobando o horror da Primeira Guerra Mundial. É o contexto em que surgem nomes como Arthur Machen, W. C. Morrow, Arthur Conan Doyle, William Hope Hodgson, Rudyard Kipling, Aleister Crowley, Algernon Blackwood, Lord Dunsay,&amp;nbsp;ou Marjorie Bowen, entre outros cujos nomes certamente deveriam figurar na colecção de qualquer amante de literatura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas no meio dessa constelação, Lovecraft permanece único. A sua escrita é certamente típica da época, com uma forte adjectivação emotiva -&amp;nbsp;geradora de suspense onde hoje as histórias são frequentemente mais gráficas e menos misteriosas -, ou recorrendo&amp;nbsp;à narração na primeira pessoa. Contudo, os seus temas lidam magistralmente com a manutenção da sanidade em condições extremas até o real se confundir com o alucinante, lidam com o improvável e inacreditável,&amp;nbsp;e fazem-no com uma intensidade e profundidade que só estão acessíveis aos melhores dos melhores. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;strong&gt;"Herbert West: Reanimador"&lt;/strong&gt;, Lovecraft claramente reconstrói os conceitos atrás de &lt;strong&gt;"Frankenstein"&lt;/strong&gt; de Mary Shelley, exagerando a história quase ao ponto de a tornar rocambolesca, mas desse modo quase casual com que os grandes nomes mudam a história,&amp;nbsp;acaba por&amp;nbsp;tornar este conto num marco da sua carreira. É em &lt;strong&gt;"Herbert West: Reanimator"&lt;/strong&gt; que surge pela primeira vez a universidade fictícia do Miskatonic, onde leccionarão personagens de algumas das suas histórias mais conhecidas. Mas é também&amp;nbsp;aqui que surge a temática Zombie, já com as suas características cristalizadas: o canibalismo, a violência gratuita e grotesca, entre outras características que hoje temos como indissociáveis do género. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ler as aventuras de Herbert West, na sua arreigada visão académica da vida como mecanicista, enquanto procura devolver cadáveres à vida com os mais funestos e terríveis resultados, mais do que um prazer literário, é ver história a ser feita, é ver a semente pérfida sem a qual não floresceriam grandes clássicos enraizados na nossa mente colectiva literária e até cinematográfica, dos clássicos de Romero, aos &lt;em&gt;cash cow&lt;/em&gt; de Resident Evil, não esquecendo o excelente&amp;nbsp;"28 Dias Depois" ou o recente sucesso de "The Walking Dead".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A única estranheza desta edição de baixíssimo custo da Quasi Edições (custou-me uns&amp;nbsp;gloriosos 1,50€) é retomar na íntegra (como não poderia deixar de ser) a estrutura com que a história foi originalmente serializada, pelo que cada episódio começa com uma resenha do anterior. A grande vantagem do formato é o vislumbrar de como cada capítulo termina com um "cliffhanger" que torna impossível não começar a ler o próximo. Lovecraft sabe perfeitamente manter o leitor em suspense.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Herbert West: Reanimator"&lt;/strong&gt; inclui ainda &lt;strong&gt;"Celephaïs"&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;"A Oliveira"&lt;/strong&gt; e é francamente uma excelente leitura dentro do género. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, a Quasi Edições declarou insolvência e faliu no início do ano passado. Possuo uma pequena colecção das suas curtas histórias de escritores marcantes e recomendo vivamente&amp;nbsp;a sua compra, enquanto durarem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-6816278471835395663?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/6816278471835395663/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/herbert-west-reanimator-h-p-lovecraft.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6816278471835395663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6816278471835395663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/herbert-west-reanimator-h-p-lovecraft.html' title='Herbert West: Reanimador - H. P. Lovecraft'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TSvcsLVe3CI/AAAAAAAAACI/wqHQdjcxjos/s72-c/Herbert_West_Reanimador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1302036650831521997</id><published>2011-01-11T02:31:00.001Z</published><updated>2011-01-11T02:31:49.703Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>O Hipnotista - Lars Kepler</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TSu_qHLbJKI/AAAAAAAAACE/ucRS8QxaoNI/s1600/kepler-hipnotista.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TSu_qHLbJKI/AAAAAAAAACE/ucRS8QxaoNI/s1600/kepler-hipnotista.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Hypnotisören&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Lars Kepler&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Maio 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://portoeditora.pt/"&gt;Porto Editora&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789720040664&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os policiais Nórdicos estão sem dúvida em alta na língua Portuguesa e &lt;strong&gt;"O Hipnotista"&lt;/strong&gt;, de Lars Kepler, será um dos mais recentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por esta altura toda a gente saberá que "Lars Kepler" não é mais do que um pseudónimo utilizado por um casal que, após um longo historial de leitura de policiais, resolveu a escrever o seu próprio livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E &lt;strong&gt;"O Hipnotista"&lt;/strong&gt; é efectivamente uma bem conseguida colecção de todos os truques de suspense e trama usuais num &lt;em&gt;thriller&lt;/em&gt;, acabando por tecer uma história bem estruturada que nos prende e mantém curiosos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Central no enredo é o Erik Maria Bark, envolto num passado misterioso de hipnotista envolvido num escândalo que por algum tempo fica por revelar ao leitor, actualmente a viver problemas familiares. Um dia, Bark é solicitado pelo inspector Joona Linna para voltar a utilizar os seus dotes de hipnotista na tentativa de resolver um terrível crime em que toda uma família foi assassinada e, enquanto um dos filhos está em estado grave no hospital, a segunda filha do casal permanece desaparecida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem o saber, o seu envolvimento levará Bark a ter de enfrentar todos os fantasmas de um passado cujas cicatrizes tentara arduamente cicatrizar e esquecer, com consequências nefastas para a sua própria família quando o seu filho é raptado durante a noite. Doravante, &lt;strong&gt;"O Hipnotista"&lt;/strong&gt; é uma rápida sucessão de eventos que deixam sempre algo por responder para o capítulo seguinte, gerando uma história dentro da história sem percebermos se as duas estão relacionadas ou não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se bem que inicialmente a narrativa parece preocupada em "ensinar" algo ao leitor - traço comum à imensos policiais -, posteriormente a sua montagem e encadeamento são as suas grandes virtudes, agarrando o leitor e incitando-o a mudar a página. No entanto, chegados ao fim da história fica-se com a sensação que o óbvio passou frequentemente ao lado, e meros artífices narrativos desembocam em soluções inesperadas para becos sem saída.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, se as personagens são interessantes, os seus relacionamentos não se livram de clichés por vezes limitados a uma fase embrionária. A relação de Bark com a esposa é forçada, pouco profunda. Ironicamente, o modo óbvio como as personagens parecem irremediavelmente fadadas a obedecer a necessidades narrativas de modo por vezes forçado, mesmo contra toda a sensatez e racionalidade, é quase como se uma voz exterior lhes dissesse "ignora, vira as costas", quase como se estivessem... hipnotizadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tornou-se moda comparar qualquer romance Nórdico ao trabalho de Stieg Larsson, mas &lt;strong&gt;"O Hipnotista"&lt;/strong&gt; não tem nenhuma das mensagens e implicações sociais e pessoais de &lt;strong&gt;"Millenium"&lt;/strong&gt;. É um policial de leitura compulsiva, fácil de compreender no seu sucesso,&amp;nbsp;mas é mais um Alka Seltzer para o leitor casual de policiais, que um&amp;nbsp;gourmet para o degustador habituado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1302036650831521997?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1302036650831521997/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/o-hipnotista-lars-kepler.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1302036650831521997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1302036650831521997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/o-hipnotista-lars-kepler.html' title='O Hipnotista - Lars Kepler'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TSu_qHLbJKI/AAAAAAAAACE/ucRS8QxaoNI/s72-c/kepler-hipnotista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-5385569214067131932</id><published>2011-01-03T14:00:00.000Z</published><updated>2011-01-03T14:00:07.874Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Não detestam o proselitismo religioso?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A minha pobre mãe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vá, sejam empáticos. Acontece que, sem sermos ricos, somos os orgulhosos donos de uma viatura Volvo que nos merece o respeito e a admiração que talvez só encontramos no amor de um&amp;nbsp;agricultor pela sua vaca mais tetuda, viatura essa que deu por si com a porta metida para dentro. Nada de particularmente interessante, não fosse o acidente ter-se dado na sequência da visita por parte da nobre senhora a uma das suas missas semanais, limitando os possíveis ofensores a um punhado de condutores de elevados patamares morais cuja capacidade de encontrar o divino parece transcender a sua capacidade de vigiar o pára-choques.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Consta que "ai meu Deus" terá sido a sua primeira exclamação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se não bastasse, árdua trabalhadora como é, decidiu esta semana encerar os móveis com um conhecido produto em spray cuja eficácia só rivaliza com a sua capacidade de transformar os pavimentos em armadilhas mortais. Obra feita, a minha caríssima progenitora lembrou-se que se esquecera de acender a vela à virgem, erro que imediatamente corrigiu. Infelizmente, transportando a chama sagrada na mão, incorreu naquilo a que&amp;nbsp;na gíria das &lt;em&gt;interwebz&lt;/em&gt; costumamos chamar um &lt;em&gt;face plant&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contava-me emocionada o seu sofrimento, esperando empatia do seu queridíssimo filho, explicando-lhe como ficara aflita no chão, tomada de assalto pela dor, e implorando à virgem que a ajudasse a levantar-se de novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Mas mãe, não teria sido mais útil pedir à virgem que te&amp;nbsp;tivesse impedido de cair e abrir a testa?"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A perfídia! A traição! A rebeldia! Ninguém cria um filho para ouvir perguntas deste estúpido calibre!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, graças à virgem que não se aleijou mais, e terá sido a virgem quem salvou a casa de um incêndio quando a vela - em plena queda&amp;nbsp;- se apagou... como que... por milagre. Já que estava com a mão na massa, podia ter transformado o fumo em dinheiro, para variar do mais usual percurso do dinheiro que se esfuma. A química consegue, a virgem não. Que má sorte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Proselitismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deus tem francamente a vida feita fácil. Está em todo o lado, pode fazer tudo, e quando não faz, faz apesar de tudo, porque esse é o seu plano. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em meados do século XIX, os Milleritas seguiam as crenças do seu nada louco e obviamente visionário líder, William Miller, que defendia o regresso de Cristo no futuro próximo. Determinado o dia, a publicidade foi feita ao nível de lavagem de louça em massa numa ponte acabada de inaugurar. Sim, foi assim tão grande. Fantástico. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os Milleritas apressaram-se a tentar salvar o mundo, outros doaram todas as suas posses, que por aquela altura não&amp;nbsp;incluíam consolas de jogos ou smartphones, mas conta-se que houve quem se privasse de preciosas escarradeiras e penicos. E assim, despojados de tudo, aguardaram a chegada de Cristo a 22 de Outubro de 1844. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E não aconteceu absolutamente nada. Juro-vos. Na verdade, se verificarem aqueles sites que dizem "neste dia, em ####", esta é das poucas instâncias em que está registado um não acontecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As reacções que se seguiram foram autênticos &lt;em&gt;lulz&lt;/em&gt;. Os Milleritas&amp;nbsp;viram-se insultados por criancinhas, inclusivamente atacados, e tornaram-se alvo de chacota suficiente para dez temporadas de Seinfeld. O interessante aconteceu a outro nível: entre os que se tinham refugiado em locais mais isolados, o fim do dia 22 fê-los rastejar para a próxima religião cheia de promessas. Mas entre os que se mantiveram perto de outros membros do culto, apressaram-se a surgir as justificações, re-interpretações de escrituras que não podiam estar erradas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sucederam-se novas datas, e com cada falhanço, uma nova teoria foi inventada com a simples intenção de manter a mesma fé, mesmo perante profecias que nunca se cumpriram. Se pensarem que os Milleritas desapareceram como os dinossauros, enganam-se: ainda hoje têm descendentes, os adventistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que tenho a dizer é: acreditam em Deus? Façam-lhe a vida difícil!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um miserável empregado de café que teve um dia de asco, a quem tudo corre mal, engana-se no nosso pedido, traz-nos a torrada com manteiga, e se por acaso se atreve a olhar-nos de lado leva uma reclamação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a uma entidade superior ninguém exige nada? Quero um livro amarelo para as igrejas, sinagogas e mesquitas. E se a vida está francamente má, devolvam-me as esmolas que deixei nas missas. Teria sido mais feliz se as tivesse usado para comprar os pirolitos e as petazetas que a minha fiel mãe me dizia serem capazes de me rebentar o estômago. Porra mãe! Guloseimas carbonatas vendidas no átrio da igreja ao Domingo de manhã?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deus certamente protege as criancinhas! Cristo expulsou os vendilhões do templo, mas qualquer septuagenária de meias elásticas pode vender lambarices mortais à saída da missa?!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A religião deu realmente em mansa. Coisas menos importantes resolveram-se à fogueira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se o funcionário da vossa gelataria favorita fosse omnipresente, omnisciente e omnipotente, mas tivessem de esperar na fila e de lhe dizer quais os sabores, começariam a desconfiar das duas primeiras. Se ainda por cima, em plena posse da sua omnipotência,&amp;nbsp;vos dissesse que não havia baunilha, armavam um escândalo! Como não? É omnipotente! Se não arranja é porque é preguiçoso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Haveria sarilhos por causa de uma bola de gelado... mas não por um cancro por curar, um atropelamento, um assassinato. Por isso não, que são trivialidades. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Frequentemente, a religião é um inacreditável exercício de equilíbrio entre loucura e sanidade, capaz de meter inveja a um esquizofrénico medicado. Se tiramos radiografia, "ai meu Deus que não tenha nada", se não tem, obrigado, se tem "ai meu Deus, cura-me". Se cura, obrigado, se não cura é porque tem um plano para nós. Assim o homem não falha!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Façam-lhe a vida difícil! Sinceramente, se Deus fosse sapateiro e não vos cosesse as sandálias, diriam que ele tinha planos maiores para vós? Se fosse um mecânico manhoso que vos cobrasse três vezes o valor da embraiagem, iam embora felizes porque se diz que aos pobres de espírito pertence o reino dos céus? Se fosse vosso empregado na fábrica e causasse um desastre, diriam simplesmente que escreve direito por linhas tortas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Exigimos menos a algo omnipotente, do que aquilo que por vezes aceitamos dos simples indivíduos que por nós dão o seu melhor e arriscam tudo, sabendo que sem a perfeição do divino, é bem possível que falhem. Até nos podem dar a mão e fazer tudo, mas não, obrigado: vou rezar mais um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E parece que a leitura recomendada de hoje é "Deus não é grande - Como a religião envenena tudo", de Christopher Hitchens, edição Portuguesa da D. Quixote.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-5385569214067131932?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/5385569214067131932/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/nao-detestam-o-proselitismo-religioso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5385569214067131932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5385569214067131932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2011/01/nao-detestam-o-proselitismo-religioso.html' title='Não detestam o proselitismo religioso?'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-6472439358914619484</id><published>2010-12-31T03:28:00.001Z</published><updated>2010-12-31T03:29:40.211Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Não Há Palavras - Zhang Jie</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TR1NU0RRbjI/AAAAAAAAACA/ckxa2qztjvA/s1600/naohapalavras.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TR1NU0RRbjI/AAAAAAAAACA/ckxa2qztjvA/s1600/naohapalavras.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Senza Parole (Ed. Portuguesa a partir do Italiano)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Zhang Jie&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Agosto 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.gradiva.pt/" target="_blank"&gt;Gradiva &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896163822&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não posso dizer com certeza o que me atraiu para &lt;strong&gt;"Não Há Palavras"&lt;/strong&gt;, quando o vi, último exemplar disponível no escaparate, danificado, algo encaracolado pela humidade da meteorologia adversa, e de aspecto nada dignificante. Talvez tenha sido a capa onde se confrontam a serenidade da China tradicional, e os arranha-céus do seu comunismo de mercado, ou o simples facto de ser a mais absoluta raridade encontrar autores Chineses traduzidos em Português.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei contudo o que me fez trazê-lo comigo. Bastam apenas algumas escassas linhas para percepcionarmos a elegante e expressiva escrita de Zhang Jie, desenvolvendo a narrativa numa prosa intimista e de poética beleza, profundamente meditativa e rica em considerações que transcendem o banal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;strong&gt;"Não Há Palavras"&lt;/strong&gt;, tomamos contacto o tecido moral e político da China durante a Guerra Civil, passando pela luta contra a invasão Japonesa, até&amp;nbsp;à Revolução Cultural, pelos olhos de Wu Wei, escritora que é primeiro amante e depois esposa do dirigente Hu Bingchen, apenas para o ver abandoná-la de novo em favor da sua primeira esposa, a manipuladora e azeda Bai Fan. Sucumbindo como a sua mãe e avó à loucura, acossada pelos rumores malévolos que tentam minar-lhe a reputação, Wu Wei revisita os lugares da sua infância e vida, narrando-nos num tom emocional as suas dores, as memórias onde não restam sorrisos e só os tristes eventos permanecem: as famílias destroçadas, os amigos perdidos, as cicatrizes omnipresentes de guerras já distantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Frequentemente, o livro fala-nos, parece adivinhar-nos o pensamento e reage, traçando um poderoso retrato de convulsões sociais e bélicas que não deixaram de favorecer homens e mulheres de forma desigual, e as suas histórias são também apontamentos de perda e sofrimento em lutas desiguais num mundo pouco solidário em que os homens abraçam os seus jogos de poder e arriscam perder tudo. Assim é o próprio Hu Bingchen, que jamais abandona totalmente os seus interesses políticos e a sua própria e auto-justificada&amp;nbsp;frieza,&amp;nbsp;frequentemente manipulando as&amp;nbsp;duas mulheres da sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Zhang Jie, apesar do expressivo quadro que pinta da condição feminina numa China em transformação, não preenche o livro de militância feminista.&amp;nbsp;A sua pesquisa é apurada, o ambiente envolvente, e a escrita refinada, assim resgatando as histórias de amor no interior do livro das garras da banalidade e lugares comuns com que o sentimento é tão&amp;nbsp;frequentemente banalizado. Na sua extensão multi-geracional e sobre o pano de fundo de alterações profundas e rápidas numa China milenar, as comparações com &lt;strong&gt;"Doktor Zhivago"&lt;/strong&gt; tornam-se merecidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"Não Há Palavras"&lt;/strong&gt; só pode ser descrito como uma brilhante aliança&amp;nbsp;entre escrita sublime, talento narrativo,&amp;nbsp;resultando numa&amp;nbsp;história magistral e poderosa&amp;nbsp;que forçosamente deixará a sua marca no leitor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-6472439358914619484?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/6472439358914619484/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/nao-ha-palavras-zhang-jie.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6472439358914619484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/6472439358914619484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/nao-ha-palavras-zhang-jie.html' title='Não Há Palavras - Zhang Jie'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TR1NU0RRbjI/AAAAAAAAACA/ckxa2qztjvA/s72-c/naohapalavras.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1959235259435011316</id><published>2010-12-30T01:01:00.001Z</published><updated>2010-12-30T01:05:57.228Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>A Luz Miserável - David Soares</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRvZP1OQCeI/AAAAAAAAAB8/tMCF4GsL8W4/s1600/aluzmiseravel.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRvZP1OQCeI/AAAAAAAAAB8/tMCF4GsL8W4/s1600/aluzmiseravel.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; David Soares&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Novembro 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.saidadeemergencia.com/" target="_blank"&gt;Saída de Emergência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896372798&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Classificar de "mestre" alguém cuja carreira está ainda no início (ou assim se espera), poderá parecer exagero, mas à medida que as suas linhas se multiplicam, a distância entre David Soares e Lovecraft, Machen ou Poe torna-se meramente cronológica. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"A Luz Miserável"&lt;/strong&gt; vê o regresso de David Soares aos contos curtos para nos dar mais uma dessas procissões do grotesco e do inesperado que o autor Liboeta tão bem sabe conduzir. No&amp;nbsp;seu imaginário&amp;nbsp;o mundo banal é povoado por criaturas que se assemelham a tratados de exobiologia, inusitadas e terríficas, cujo encontro com os incautos personagens tem frequentemente resultados de gelar o sangue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A capacidade de David Soares para tirar da sua cartola de horrores o surpreendente e assustador, tecendo-os com uma malha de credibilidade bastante coesa, está bem patente em &lt;strong&gt;"A Luz Miserável"&lt;/strong&gt;, que consegue tirar-nos o tapete de debaixo dos pés com admirável facilidade para nos manter constantemente em tensão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As surpreendentes bizarrias destas negras páginas têm sempre o realce acutilante do desprendimento, até frieza, com que são descritas, integrando o perfeitamente malévolo no que parece um inofensivo quotidiano.&amp;nbsp;O modo de pensar de David Soares é claramente "fora da caixa", pouco convencional, imprevisível até, mas a narrativa nunca perde o norte e fantasia mescla-se perfeitamente com realidade, criando estes mundos improváveis mas nada irrealistas, habilmente tecidos e onde as escassas páginas nunca deixam de ter espaço para mais uma reviravolta no enredo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"A Luz Miserável"&lt;/strong&gt; embebe o leitor em cenários de expressivo terror, para lhe deixar o cheiro a sangue fresco nas narinas e imagens de pesadelo na mente,&amp;nbsp;afirmando-se como&amp;nbsp;mais um expoente na literatura de horror de que David Soares se tem revelado um incontornável pilar. Excelente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1959235259435011316?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1959235259435011316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/luz-miseravel-david-soares.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1959235259435011316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1959235259435011316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/luz-miseravel-david-soares.html' title='A Luz Miserável - David Soares'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRvZP1OQCeI/AAAAAAAAAB8/tMCF4GsL8W4/s72-c/aluzmiseravel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-3429641690241008054</id><published>2010-12-25T20:56:00.000Z</published><updated>2010-12-25T20:56:05.659Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>A Rapariga Que Roubava Livros - Markus Zusak</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRZY4MzlwbI/AAAAAAAAAB0/v3cJt89AzGI/s1600/araparigaqueroubavalivros.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRZY4MzlwbI/AAAAAAAAAB0/v3cJt89AzGI/s1600/araparigaqueroubavalivros.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&lt;/strong&gt; The Book Thief&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Markus Zusak&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;2008&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://presenca.pt/"&gt;Editorial Presença&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789722339070&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Será talvez um dos meus grandes defeitos que compre os livros com base em instinto. Não é um talento, muito menos um apurado, nem sequer baseado em critérios claros,&amp;nbsp;mas todos nós passamos por esses instantes em que algo nos salta à vista e acorda a nossa atenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desconhecendo Markus Zusak, a premissa em &lt;strong&gt;"A Rapariga Que Roubava Livros"&lt;/strong&gt; captou-me. Num estilo sarcástico e altamente metafórico, conta-nos a tocante história de uma orfã (Liesel) de pais comunistas desaparecidos algures na massa de purgas políticas do III Reich. Liesel tem uma relação algo conturbada com os seus pais adoptivos, o pacífico pintor/acordeonista que é o seu pai, e a tenaz mulher que é a sua nova mãe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O percurso criminal de Liesel começa no funeral do seu próprio irmão, quando rouba um pequeno manual de coveiro. Doravante, resgatará até livros das fogueiras ideológicas do regime NAZI, e haverá de os ler nos piores dias dos bombardeamentos, encerrada numa cave com os seus assustados vizinhos. Mas o grande segredo de Liesel é o pugilista judeu escondido na sua cave, que lhe rabisca uma história nas páginas pintadas do "Mein Kampf".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A prosa de Zusak é terna e humorística, tocando-nos com o sarcasmo e a dor do cansado narrador da história: a própria morte, que frequentemente interrompe a narrativa com a sua mordacidade. Uma poderosa lição de sobrevivência e esperança, &lt;strong&gt;"A Rapariga Que Roubava Livros"&lt;/strong&gt; faz-nos sentir as personagens e apaixonar pela pequena Liesel e as suas leituras ilícitas, enfim, um grito de liberdade numa terra de grilhões apertados, onde o próprio pensamento tem pouco espaço para fugas. A ironia do poder da escrita é imensa, tanto para o mal, quanto para o bem, quando esse grande ícone do mal NAZI, o "Mein Kampf", se torna a expressão da amizade entre uma criança e um fugitivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazendo parte do Plano Nacional de Leitura, &lt;strong&gt;"A Rapariga Que Roubava Livros"&lt;/strong&gt; é,&amp;nbsp;claramente,&amp;nbsp;uma leitura dirigida a crianças,&amp;nbsp;e o seu olhar sobre a época NAZI's é por vezes algo simplificado, mas&amp;nbsp;como poderiam simples crianças compreender toda a dimensão do regime? Os seus olhos inocentes são as lentes do leitor, longe do pragmatismo adulto,&amp;nbsp;mostrando-nos como as ambições adultas frequentemente encontram no gume das suas lanças aqueles que menos deveriam sofrer as consquências. Será então um erro se&amp;nbsp;os adultos&amp;nbsp;não&amp;nbsp;desfolharem também este peculiar livro e as suas lições, já que estamos perante um desses livros bem capazes de nos ocupar um local no coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-3429641690241008054?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/3429641690241008054/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/rapariga-que-roubava-livros-markus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3429641690241008054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3429641690241008054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/rapariga-que-roubava-livros-markus.html' title='A Rapariga Que Roubava Livros - Markus Zusak'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRZY4MzlwbI/AAAAAAAAAB0/v3cJt89AzGI/s72-c/araparigaqueroubavalivros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-3008605126394444548</id><published>2010-12-22T19:13:00.002Z</published><updated>2010-12-22T21:32:41.706Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>O ser humano e o devir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os meus escassos conhecimentos de filosofia indicam-me que para os existencialistas, o homem é um ser projecto. Vive numa incessante caminhada em direcção ao devir, ao "vir a ser", um conceito que em si mesmo encerra a impossibilidade de algum dia chegarmos verdadeiramente a ser tudo o que queremos, porque jamais paramos a mudança, a renovação. Há igualmente uma irrepetibilidade, algo como dizer que tudo tem o seu tempo e espaço para acontecer ou não. O dia é sempre o dia, mas nenhum dia se repete; a chuva será sempre chuva, mas genuinamente a chuva de hoje não é a mesma chuva de ontem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É isso um projecto: o conjunto de medidas que queremos tomar para procurar chegar a um local e situação que desejamos. É um perspectivar as acções futuras a partir da nossa localização presente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque o futuro não é nada mais que um conceito metafísico e inatingível! Verdadeiramente não existe, senão por um algures espaço-temporal no qual projectamos ambições e desejos. A sua concretização é apenas um novo presente feito das consequências e concretizações das nossas decisões e acções no aqui e agora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há na frase "não deixes para amanhã o que podes fazer hoje" uma sapiência pouco apreciada, porque tudo o que podemos em determinado momento, não temos qualquer garantia que o possamos fazer em qualquer outro "hoje". É como estar sentado à beira de um rio e ver passar&amp;nbsp;algo valioso,&amp;nbsp;flutuando livremente. Ainda que o rio seja o rio, a corrente a corrente e a água, água, um rio não passa por baixo da mesma ponte duas vezes (para bater o recorde dos clichés neste post...). Nem as coisas valiosas. Pode ou não voltar a haver uma nota a passar naquele rio enquanto lá estivermos, mas se apostamos nessa possibilidade e esperamos, em vez de a agarrar agora, arriscamos obter apenas o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez decidamos simplesmente seguir o rio e manter o objecto debaixo de olho até o querermos. Mas que controlo temos sob a chuva que aumenta o caudal do rio e acelera a corrente até não a conseguirmos acompanhar? Que&amp;nbsp;fazer temos quando rio e caminho divergirem?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não podemos esperar tal coisa, ou que cada nova decisão abra um novo futuro, mas mantenha o alternativo intacto, como se num cilindro criogénico à espera que o descongelemos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem&amp;nbsp;temos frequentemente o benefício de voltar atrás como o Marty McFly, para voltarmos a ter não só a possibilidade de tomar as mesmas decisões, mas de as tomar com as mesmas consequências iniciais. Abdicar de algo agora, pode bem ser abdicar de algo para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E é frequentemente esse medo que nos impede de tomar decisões, agarrar oportunidades e avançar. Esperamos pelo futuro, por uma oportunidade que caia do céu, pelo momento certo para fazer algo. Nunca há um momento certo, há sempre algo a ganhar e a perder, a economia muda, os pais envelhecem, os amigos mudam-se, os acidentes acontecem, adoecemos, e a verdade é que encontramos sempre mais razões para não fazer aquilo que nos amedronta, apesar de o querermos. O cérebro é o órgão mais medroso do nosso corpo, e apenas nos resta optar por aquilo que queremos assegurar ou largar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Benditos Deolinda:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Agora não, que falta um impresso...&lt;br /&gt;-Agora não, que o meu pai não quer...&lt;br /&gt;-Agora não, que há engarrafamentos...&lt;br /&gt;-Vão sem mim, que eu vou lá ter...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando lá chegamos, a banda passou, o prédio foi demolido, a revolução já se deu ou fracassou. Só os coveiros podem gabar-se de chegar quando é tarde demais e ainda terem algo relevante para fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas como sabemos se a decisão é a melhor? Como sabemos se uma opção resulta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é, nem será essencial. Essencial é o que nos é essencial. Queremos fazer bem o que odiamos, ou falhar fazendo o que gostamos? Queremos ter sucesso no que não nos realiza, ou tentar o que nos realiza, ainda que no fim falhemos? Queremos ter muito dinheiro ou uma profissão que nos toque? O melhor carro e casa, ou uma pessoa e família em quem investir? Segurança ou independência? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ter tudo é quase verdadeiramente impossível e pensar o contrário é arriscar acabar com nada. Nem sempre é tão importante ter tudo, quanto é ter algo ou alguém que dê sentido ao que quer que seja que temos e não nos enganemos:&amp;nbsp;apesar do medo e dos riscos, é melhor quando nos arrependemos do que fizemos do que daquilo que não fizemos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos um ser de perguntas e resposta, somos o que sabemos, e dói menos uma má notícia, do que um "o que seria se..." para o qual nunca arranjaremos resposta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquilo que querem da vida, do futuro, é o que fazem no agora. Não esperem que aquilo de que abdicam hoje, esteja lá quando decidirem que já têm&amp;nbsp;capacidade para o conseguir, ou que quando chegarem a essa decisão, de facto possam lutar por isso. Se sim, porque tudo tem realmente o seu tempo e espaço, se calhar tê-lo-ão encontrado. Se for no agora, podem tê-lo perdido para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Morremos no presente e, para lá do fim da nossa carne, o futuro prossegue impassível e inatingível, agora apenas sem quem persiga os sonhos que ele embala e arrasta. Frequentemente, abdicar de algo agora, é aceitar que podemos viver sem isso, na pior das hipóteses, é arriscar terem de o fazer. Pondere-se e não se tomem decisões estúpidas, muito menos baseadas no medo, que de medo não se fazem os sonhos, nem se realizam as vontades, e&amp;nbsp;olhe-se sempre o projecto, decida-se o que nos é essencial, porque não há maior crime que abdicar do que queremos para mantermos a posse de algo que não nos realiza, completa, ou satisfaz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não há maior cristalização do homo homini lupus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu que o diga: passo mais tempo do doutoramento a pensar se consigo, do que a tentar consegui-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-3008605126394444548?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/3008605126394444548/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/o-ser-humano-e-o-devir.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3008605126394444548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3008605126394444548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/o-ser-humano-e-o-devir.html' title='O ser humano e o devir'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-3490831430055500806</id><published>2010-12-22T02:37:00.002Z</published><updated>2010-12-22T03:19:09.938Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>A Porta dos Infernos - Laurent Gaudé</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRFkQVzTb3I/AAAAAAAAABM/6_xTAhPH5-w/s1600/aportadosinfernos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRFkQVzTb3I/AAAAAAAAABM/6_xTAhPH5-w/s1600/aportadosinfernos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&lt;/strong&gt; La Porte des Enfers&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Laurent Gaudé&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;2009&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://portoeditora.pt/"&gt;Porto Editora&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789720042828&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida de Matteo a&amp;nbsp;Giuliana mudou no dia em que Pippo, seu filho, morreu baleado por uma bala perdida durante um tiroteio da máfia. Doravante, são um casal progressivamente mais distanciado, destruído pela sua tragédia pessoal e Giuliana só aceitará uma de duas coisas para reabilitar o seu marido: que ele lhe devolva o filho, ou mate o homem responsável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Incapaz de cometer homicídio na hora crucial, Matteo vê-se abandonado&amp;nbsp;por uma esposa enlouquecida e&amp;nbsp;cega a tudo que não a sua própria dor de mãe amaldiçoada. Matteo&amp;nbsp;vive então sem rumo ou alento&amp;nbsp;até ao dia em que o seu caminho se cruza com uma estranha trupe de indivíduos que se reúnem num bar que permanece aberto toda a noite: um travesti, um velho padre barricado na sua igreja, e um professor universitário que lhes garante ter encontrado uma porta de entrada para o inferno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Matteo não resiste à possibilidade, e acompanhado do padre, desce ao inferno na tentativa de resgatar o seu filho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que Nápoles possua uma porta para o inferno, não podia ser mais adequado, pois é precisamente no seu museu que sobrevive uma escultura de Hermes, Orfeu e Eurídice, evocativa do conto de Virgílio segundo o qual Orfeu desce ao Hades e encanta os deuses com a sua lira, convencendo-os a libertar Eurídice.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Matteo nunca deixou de amar Giuliana, apesar do desprezo a que o seu deturpado sentido de honra o condenou, e é a ela que pretende devolver o filho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas &lt;strong&gt;"A Porta dos Infernos"&lt;/strong&gt; é, acima de tudo, um hábil romance que mescla os pormenores mitológicos de forma credível com a realidade, e nos oferece uma atmosfera sombria e ao mesmo tempo dramática, profundamente humana. De particular interesse, é a viva descrição do desespero das almas num inferno a que Gaudé dá uma dimensão dantesca e tocante que gela o sangue do leitor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"A Porta dos Infernos" &lt;/strong&gt;é difícil de categorizar.&amp;nbsp;Efectivamente não é um simples romance sobrenatural, localizando-se na charneira de Orfeu e Dante, é profundamente dramático, quiçá por essas mesmas influências/inspirações, descrevendo de modo sumamente contundente a desagregação da vontade e do ser que sucumbe a uma dor tão poderosa quanto a da perda de um filho, deixando atrás de si um homem sem propósito, e uma mulher enlouquecida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De resto,&amp;nbsp;Gaudé é senhor de um estilo de escrita muito elegante e fluido, emocional,&amp;nbsp;que conduz o enredo a um ritmo compulsivo e viciante, capaz de nos prender ao livro e fazendo de &lt;strong&gt;"A Porta dos Infernos"&lt;/strong&gt; um&amp;nbsp;óbvio "page turner" insaciável, bem&amp;nbsp;capaz de nos tocar e deixar marca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-3490831430055500806?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/3490831430055500806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/porta-dos-infernos-laurent-gaude.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3490831430055500806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/3490831430055500806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/porta-dos-infernos-laurent-gaude.html' title='A Porta dos Infernos - Laurent Gaudé'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRFkQVzTb3I/AAAAAAAAABM/6_xTAhPH5-w/s72-c/aportadosinfernos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1368319195121919164</id><published>2010-12-21T01:47:00.000Z</published><updated>2010-12-21T01:47:25.024Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Sopro do Mal - Donato Carrisi</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRAEo1HrlKI/AAAAAAAAABI/nwYj2jdgdUY/s1600/sopro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRAEo1HrlKI/AAAAAAAAABI/nwYj2jdgdUY/s1600/sopro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&lt;/strong&gt; Il Suggeritori&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Donato Carrisi&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Junho 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://portoeditora.pt/"&gt;Porto Editora&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789720042781&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O estreante Donato Carrisi tem em &lt;strong&gt;"Sopro Do Mal"&lt;/strong&gt; uma premissa de qualidade e alguns tropeções de imaturidade, mas este não deixa de ser um livro merecedor da chancela Porto Editora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo começa quando numa floresta são encontrados os braços de seis raparigas raptadas recentemente, uma das quais permanece viva e é urgente encontrar. Mas então os cadáveres começam a aparecer, um por um, e, de cada vez, trazem consigo novas e perturbadoras revelações. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O desenrolar da acção é cativante, a atmosfera perturbadora e macabra, prendendo o leitor a cada nova página, graças&amp;nbsp;à boa prosa, ao constante fluir de novos e surpreendentes dados, e o perfeitamente surpreendente jogo do gato e do rato entre polícias e misterioso criminoso. Não admira portanto que &lt;strong&gt;"Sopro Do Mal"&lt;/strong&gt; seja uma espécie de fenómeno de vendas: é um livro que não se consegue largar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde a inexperiência de Carrisi falha, é nas personagens com que leva a cabo um enredo muito bem contado e cheio de promessa. Em poucas palavras, são típicas. Demasiado típicas. Lidos lado a lado, &lt;strong&gt;"O Sopro do Mal"&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;e &lt;strong&gt;"O Aprendiz"&lt;/strong&gt; (de Tess Gerritsen) têm precisamente a mesma personagem central: uma polícia com passado&amp;nbsp;de vítima,&amp;nbsp;sempre na defensiva para o facto de ser mulher não afectar as opiniões dos colegas, mas que irrevogavelmente acaba por ceder a sentimentos românticos.&amp;nbsp;Além da&amp;nbsp;peculiar tendência para se meter em armadilhas óbvias. Outras personagens possuem capacidades especialmente boas no seu currículo, mas não se assistem a situações onde estas sejam utilizadas de modo convincente para o leitor. É como a fama de James Bond como amante. Depreendemos que o senhor tem talento algures, mas só vemos o olhar antes, o cigarro depois, e nada pelo meio. Com essa quantidade de informção, até podemos pressupor que é virgem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, a certa altura, Donato parece esquecer-se das potencialidades do seu próprio guião e opta por uma explicação esotérica, de um modo quase incongruente, que deixa a sensação que tudo poderia ter sido rematado de modo bastante mais digno para o enredo. Por um lado, a tradução Portuguesa não deixa antever o móbil tanto quanto o título original, por outro, é a própria estrutura do romance que prepara o leitor para um policial que se pode considerar excelente, e depois nos espalma o esoterismo na face. A&amp;nbsp;grande virtude desta explicação do tipo "dieu le veut" é distrair de algumas incongruências e dificuldades dos eventos, que permanecem por explicar, como a quantidade de coisas que estiveram sempre nas barbas dos investigadores, ou a perfeita falta de empatia entre membros de uma "equipa", mas que não passarão despercebidas a leitores mais atentos e versados em thrillers.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar das críticas, Carrisi deixa bons apontamentos para o seu segundo livro a ser editado já em 2011, e &lt;strong&gt;"Sopro Do Mal" &lt;/strong&gt;é uma apetecível leitura para aqueles que gostam dos seus policiais macabros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1368319195121919164?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1368319195121919164/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/sopro-do-mal-donato-carrisi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1368319195121919164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1368319195121919164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/sopro-do-mal-donato-carrisi.html' title='Sopro do Mal - Donato Carrisi'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TRAEo1HrlKI/AAAAAAAAABI/nwYj2jdgdUY/s72-c/sopro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1266809736552825321</id><published>2010-12-20T13:05:00.000Z</published><updated>2010-12-20T13:05:38.792Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>O Rapaz Que Falava Com o Diabo - Justin Evans</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQ7S_Oy8rhI/AAAAAAAAABE/fjmapn5BOQk/s1600/justin+evans.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQ7S_Oy8rhI/AAAAAAAAABE/fjmapn5BOQk/s1600/justin+evans.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&lt;/strong&gt; A Good&amp;nbsp;and Happy Child&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Justin Evans&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Fevereiro 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.presenca.pt/"&gt;Editorial Presença&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789722343046&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque é que um homem normal, casado e feliz, sofre o mais insuperável dos medos só de pensar em tocar no seu filho recém-nascido?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;George Davis tenta o seu melhor para combater a estranha fobia, mas é impotente para&amp;nbsp;impedir o colapso do seu casamento e decide consultar uma psiquiatra. Aí, abrem-se as memórias de uma estranha infância no tradicionalista Sul da América, logo após a estranha morte do seu pai. Pela altura em que a sua mãe começa a receber as atenções de outros homens, o pequeno George não pode ficar menos que ciumento, mas esse é o menor dos problemas de uma criança que recebe as visitas de um estranho amigo imaginário que lhe conta segredos e intrigas sobre o seu pai e as suas actividades secretas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por trás da fachada de professor universitário do seu falecido pai, acabamos por descobrir um religioso fervoroso, exorcista experimentado, e o envolvimento de George com o oculto só poderá terminar em inevitável tragédia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Longe de ser linear, &lt;strong&gt;"O Rapaz Que Falava Com&amp;nbsp;o Diabo"&lt;/strong&gt; coloca as memórias ocultas do protagonista em choque com a psiquiatria moderna, e ao longo da narrativa, ambos lutam pela mente de George, definitivamente doente ou possuído, em qualquer um dos casos, prestes a perder definitivamente a sua sanidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste seu primeiro romance, Justin Evans sai-se bastante bem. Porções há, que são verdadeiramente macabras e assustadoras, enriquecidas por um conjunto de personagens que transpiram&amp;nbsp;a aura do&amp;nbsp;Sul, e se por vezes parecemos convictos de conhecer a resposta, essa nunca deixa de estar intimamente ligada às convicções de cada um. Evans parece estar relativamente bem por dentro dos meandros terapêuticos, pelo menos do que posso ajuizar como algo ligado à área, o que pode ter o efeito de fazer derrapar a leitura, mas fora esses casos pontuais, a narrativa é fluida e a um passo bastante agradável. Enfim, a tensão monta através de uma cadeia de recordações dolorosas e recalcadas, até culminarem num fim inesperado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Garantidamente, um livro de tensão e ansiedade para manter o sono à distância, e um desfecho perante o qual não saberemos por momentos o que foi que nos atingiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1266809736552825321?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1266809736552825321/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/o-rapaz-que-falava-com-o-diabo-justin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1266809736552825321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1266809736552825321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/o-rapaz-que-falava-com-o-diabo-justin.html' title='O Rapaz Que Falava Com o Diabo - Justin Evans'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQ7S_Oy8rhI/AAAAAAAAABE/fjmapn5BOQk/s72-c/justin+evans.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-8078851205192954670</id><published>2010-12-19T17:11:00.001Z</published><updated>2010-12-19T19:20:44.579Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Da condição de ser mulher.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na altura Natalícia em que estamos, por entre as prendas e a comida, as festas e as compras, há alguns que ainda celebram o nascimento de um messias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cristo, nascido do Espírito Santo ou não, tem uma porção do seu ser que não é nem esoterismo, nem religião, nem magia ou charlatanice. Nasceu de uma mulher, enfim, como a esmagadora&amp;nbsp;maioria de nós. É verdade: pasmem-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não era uma mulher qualquer: era virgem.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A&amp;nbsp;confusão gerada por tal acontecimento só viria a ser sanada muitos séculos depois, porque só após os milagres feitos, o senhor crucificado, uns&amp;nbsp;quantos templos queimados e algumas bibliotecárias apedrejadas, é que alguém se lembrou que como todos descendemos de Eva, nascemos em pecado, e mesmo a impoluta virgem que deu à luz o filho de Deus, nascera em pecado, não sendo - como Judia que era - baptizada. Para a virgem nascer sem pecado, os seus pais teriam igualmente de nascer sem pecado, mas afinal... eram apenas Judeus. E naqueles tempos toda a gente sabia que os Judeus sacrificavam criancinhas na Páscoa, cheiravam mal (resultado daquele hábito nojento de tomarem banho) e eram - enfim - simplesmente maus e conhecidos por fazerem... judiarias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A explicação para tamanha estranheza, só podia ser a sublime confluência de eloquência, patetice e pura magia por que a religião primordial era conhecida: como se Maria fosse um canceroso milionário num tanque criogénico, Deus tê-la-á preservado desde a sua nascença como livre de pecado e enchido o seu ser de graça santificante. Muito bem, o bebezinho acabou de nascer, e o rebarbado com alguns milhões de anos já está à espera da idade certa para a engravidar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deus, as mulheres, e os seus maridos. Para citar Adão, "Chamamos-lhe Cain. Apanhou-o enquanto eu estava a colocar armadilhas no Norte..."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só no século XIX se tornou dogma a imaculada concepção, e um dogma não é mais do que uma opinião informada que a Igreja Católica faz passar por inviolável lei, precisando para isso apenas aceitar outro dogma basilar: a infalibilidade do Papa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É interessante que durante todos esses séculos, a Igreja tenha maltratado e denegrido o género feminino, reduzindo-o frequentemente a meras máquinas reprodutivas e males necessários para manter a ordem social. Assim o disse Santo Agostinho, que temia que sem as mulheres trabalhadoras, a sociedade entraria em descalabro motorizado a luxúria. Não há qualquer menção à ida para o céu ou recompensa para aquelas que afinal tão meritório serviço prestavam à sociedade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem tão pouco todos os nascimentos&amp;nbsp;eram sagrados ou podia a mulher combater o imperativo divino do sexo reprodutivo. A mais reles prostituta podia acabar nas malhas da inquisição sob a acusação de utilização de métodos contraceptivos, métodos tão eficazes quanto tossir após o sexo, ou ficar por cima de cócoras. Já então, uma profissão de inúmeros perigos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não pretendo nesta ocasião discorrer grandemente sobre a evolução da sexualidade sob os auspícios Cristãos. Eventualmente numa ocasião futura. Mas numa&amp;nbsp;era em que, para alguns, as prostitutas não têm útero, nem as esposas vagina, numa filosofia em que todo o carácter de uma mulher pode ser reduzido a ser ou não virgem, chamou-me à atenção um vídeo que circula no Youtube de uma mulher que no Sudão é chicoteada em público, aparentemente por usar calças. Chicotes não são minimamente tão sensuais fora das letras de Sade, ou dos desenhos de Manara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia sem dúvida criticar a religião que manda chicotear mulheres por trivialidades, mas há no vídeo pormenores que transcendem a religião: enquanto a mulher suplica, aqueles na audiência, inclusivamente polícias, riem-se e fazem piadas. Não assistimos a um sério desempenho do dever, uma obrigação que se cumpre com zelo estóico. Antes, temos perante nós algo muito mais intrinsecamente humano que qualquer corrente religiosa: a mesquinhez, a covardia, a inqualificável hipocrisia de vermes que regozijam no sofrimento dos outros como única forma de se sentirem em posse de um poder que não têm. A malvadez e a perfídia não têm frequentemente os rostos disformes e retorcidos que os frenologistas do passado e os preconceitos do presente nos levam a pensar. São mais frequentemente os rostos da normalidade, de pais e filhos, do talhante, do merceeiro e do limpador de ruas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ali, como em tantos outros casos, a religião&amp;nbsp;não é senão a legitimação de um certo sadismo pessoal com que compactuam por vezes leis e dogmas, mas olhando para um Portugal que não chicoteava as suas mulheres, mas também não punia quem o fazia, ainda me pergunto quantas vidas por cá recebem tratamento pior com a conivência social de que entre marido e mulher não se mete a colher, e quantas mais há que a penas e injúrias se submetem, castradas e infantilizadas, até se esquecerem que têm mãos e pernas, que amor não é cárcere, e ninguém nos bate para nosso próprio bem?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-8078851205192954670?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/8078851205192954670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/da-condicao-de-ser-mulher.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/8078851205192954670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/8078851205192954670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/da-condicao-de-ser-mulher.html' title='Da condição de ser mulher.'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-290186333548134140</id><published>2010-12-19T02:40:00.001Z</published><updated>2010-12-19T02:40:31.846Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Marina - Carlos Ruiz Zafón</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQ1u9j9-7tI/AAAAAAAAABA/N8uzVXAfrOI/s1600/Marina.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQ1u9j9-7tI/AAAAAAAAABA/N8uzVXAfrOI/s1600/Marina.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&lt;/strong&gt; Marina&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Carlos Ruiz Zafón&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Setembro 2010&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.planetaeditora.pt/"&gt;Planeta Editora&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896571191&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há os escritores que contam bem histórias razoáveis e&amp;nbsp;os que contam razoavelmente boas histórias, mas há-os que são verdadeiros tecelões de emaranhados literários que nos sugam e prendem porquanto durar o enredo. Quem já travou conhecimentos com a prosa de Carlos Ruiz Zafón, quase certamente lhe reconhecerá&amp;nbsp;esses dotes de hábil contador de boas histórias, e não encontrará nada menos que isso em &lt;strong&gt;"Marina"&lt;/strong&gt;, romance já de 1999, mas que só agora chega a Portugal, pelas mãos da Planeta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Marina é uma história de amor, pois sim, mas misturada com a mística e fantasia da adolescência a despontar, marcada por instantes que desenham a vida futura, contada com a aura do romance Fantástico Vitoriano de amores trágicos e despeitados, arqui-inimigos e cientistas loucos. Há em &lt;strong&gt;"Marina"&lt;/strong&gt; um tanto de Mary Shelley, em interessantes pormenores, no que parece ser eventualmente uma justa&amp;nbsp;e maravilhosa homenagem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo começa quando Óscar abandona o seu colégio em mais uma das suas escapadelas que o levam a caminhar à descoberta da Barcelona na viragem da década de 70, mas desta vez os seus passos levam-no para um velho casarão onde conhece Marina, que lá vive com o seu pai, velho pintor eternamente marcado pelo falecimento da sua esposa cujos quadros preenchem as paredes, num tipo de enquadramento que invoca nomes como Henry James ou Arthur Machen, e relembra a literatura do fim do séc. XIX, quando o romantismo se cruzava com as potencialidades assustadoras de uma ciência que emergia num mundo ainda cheio de superstições, medos e tabus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Doravante, os dois jovens desenvolvem uma curiosa amizade e um amor platónico, pontuados pela altivez e segredos de Marina, e a curiosidade de Óscar, quando ambos dão por si dentro de uma história de terror, a partir daquele fatídico dia em que seguem uma estranha viúva do cemitério até à sua mansão abandonada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre o horror e o idílico, entre o sonho e a realidade, &lt;strong&gt;"Marina"&lt;/strong&gt; é uma deliciosa história dentro de uma história, pintada com a imaginação juvenil dos protagonistas, que dá o seu próprio cunho heróico a cada estranha experiência do quotidiano. E à medida que descobrimos a emblemática Barcelona, as suas velhas sombras e glórias passadas, a história é ao mesmo tempo bela, e tensa, com apontamentos grotescos de terror e descrições bastante gráficas e&amp;nbsp;de grande carga dramática,&amp;nbsp;mas é a maior virtude do livro, que tenha um fim, merecedor do enredo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem nunca leu um livro cujo fim deixasse a desejar ou parecesse uma pobre justificação para tudo o lido até então? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em &lt;strong&gt;"Marina"&lt;/strong&gt;, quando tudo parece ter terminado, descobrimos que há tanto ainda para descobrir, tantos pontos finais a colocar, que quando a última linha da última página enfim se encerra, Zafón deixou tudo no seu devido lugar. Sabemos que aquele fim era o único possível, e não deixamos de sentir uma certa gratidão pelo que acabamos de viver. Profundamente tocados, os olhos humedecerão e o peito apertará, mas não sabemos bem se é de tristeza ou alegria pela humanidade do livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se algum dia leram um daqueles livros que, uma vez terminado, desejam continuar a ter nas mãos, uma daquelas histórias após a qual apenas se fecham os olhos e nos deixamos mergulhar nos pensamentos e emoções que ficaram para trás, &lt;strong&gt;"Marina"&lt;/strong&gt; é precisamente um desses livros, e iremos lembrá-lo como lembraremos uma das frases&amp;nbsp;quintissenciais de Marina, que só lembramos aquilo que nunca aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-290186333548134140?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/290186333548134140/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/marina-carlos-ruiz-zafon.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/290186333548134140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/290186333548134140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/marina-carlos-ruiz-zafon.html' title='Marina - Carlos Ruiz Zafón'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQ1u9j9-7tI/AAAAAAAAABA/N8uzVXAfrOI/s72-c/Marina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-2944908231571299534</id><published>2010-12-17T04:20:00.001Z</published><updated>2010-12-17T04:21:36.136Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>A Escultora - Minette Walters</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQrk2T7FjzI/AAAAAAAAAA8/KH7cD3EIwPs/s1600/escultora.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQrk2T7FjzI/AAAAAAAAAA8/KH7cD3EIwPs/s1600/escultora.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Ficha Técnica:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;The Sculptress&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Minette Walters&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Outubro 2009&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.relogiodagua.pt//" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Relógio D'Água Editores&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;9789896411237&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minette Walters é - à data deste texto - uma das mais experientes escritoras Britânicas de literatura criminal, mas embora este &lt;strong&gt;"A Escultora"&lt;/strong&gt; date já de 1994 e tenha garantido à autora alguns prémios, só em 2009 chega a Portugal, cortesia da Relógio D'Água.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo começa com um crime perfeitamente resolvido: uma mãe e a sua doce filha, assassinadas brutalmente pela segunda e desprezada filha, com tais requintes de sadismo que Olive Martin passou a ser conhecida como "a escultora". Com a própria Olive a considerar-se culpada do hediondo crime, nada parecia haver a acrescentar, até que Rosalind Leigh é enviada para a entrevistar, iniciando um perigoso e sinuoso caminho através do qual as suas próprias suspeitas e percepções de incongruências no caso a levarão a desmontar um crime, onde nada é o que parece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inicialmente a autora&amp;nbsp;começa por colocar as cartas na mesa muito lentamente, dando-nos tempo&amp;nbsp;para conhecer a personalidade estranha de Olive e os fantasmas das tragédias recentes na vida de Roz. Neste passo calmo, Walters como que nos quer fazer ganhar confiança nas suas personagens, enganando-nos com a sensação que não há mesmo nada a descobrir de novo. É um livro sobre nada. O que poderia correr mal? Então, subitamente, a narrativa muda de ritmo quando as investigações de Roz a levam contactar um dos detectives do caso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Doravante, seguem-se as histórias cruzadas, as intrigas e as surpresas. Cada passo traz novas revelações e suspeitas, e Walters conduz-nos com mestria ao longo de uma história de inúmeros cantos escuros e inesperadas mudanças de direcção. Frequentemente o leitor se encontrará mergulhado naquela familiar sensação de que resolveu o enigma e&amp;nbsp;nada poderia ser mais óbvio, para logo a seguir perder a certeza de tudo, mesmo até ao grande desfecho, e, aí também, há sempre uma sombra de dúvida deixada no ar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim de contas, &lt;strong&gt;"A Escultora"&lt;/strong&gt; nunca perde o norte ou a credibilidade, mas tem aquele carácter duplo tão interessante nos bons thrillers, que é deixar-nos realmente surpreendidos, ao mesmo tempo que&amp;nbsp;deixa suficiente espaço ao leitor para ele próprio ir criando o caso na sua cabeça, até ao ponto em que a última linha se encerra e algo nos fica na mente a dizer-nos que sabemos algo mais do que as próprias personagens. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da montagem ao desenvolvimento do enredo, até ao seu clímax, estamos perante um policial magistralmente construído e por não nos dar a comida feita, nem nos manter constantemente nos carris, por haver espaço em &lt;strong&gt;"A Escultora"&lt;/strong&gt; para não ser apenas a história que Minette conta, mas a que montamos na nossa mente, é que este &lt;em&gt;thriller&lt;/em&gt; cativa e prende,&amp;nbsp;deixando atrás de si uma clara sensação de satisfação mal atingimos o fim pelo qual ansiamos, compulsivamente devorando o livro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-2944908231571299534?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/2944908231571299534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/escultora-minette-walters.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2944908231571299534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/2944908231571299534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/escultora-minette-walters.html' title='A Escultora - Minette Walters'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQrk2T7FjzI/AAAAAAAAAA8/KH7cD3EIwPs/s72-c/escultora.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-5994210859550899969</id><published>2010-12-16T00:48:00.003Z</published><updated>2010-12-16T03:02:24.543Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Sobre o Suicídio - Karl Marx</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQlg9MyZ07I/AAAAAAAAAA4/d0se-xXkROI/s1600/karl+marx.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQlg9MyZ07I/AAAAAAAAAA4/d0se-xXkROI/s1600/karl+marx.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Karl Marx&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Outubro 2009&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; Padrões Culturais Editora&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789898160683&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Vivemos numa sociedade em que a igualdade dos sexos é, se não de facto, pelo menos de jure, ou se calhar nem tanto. Como um todo, chocamo-nos com os abusos das mulheres, aceitamos como naturais os seus direitos, autonomia e auto-determinação, e crispamo-nos perante os exemplos culturais onde o que acreditamos como garantido, afinal não o é.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mas temos nós, como homens e mulheres, noção de quão recente é este presente, ou da responsabilidade que temos perante o passado? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Durante milénios, a feminilidade foi reduzida a pouco mais que perversidade e tentação. A tradição Judaico-Cristã não é particularmente funesta para com a mulher; das duas primeiras mulheres na Bíblia, Lilith é a insubmissa, a rebelde&amp;nbsp;banida, e Eva a origem do pecado, a causadora de todos os males. Controlar, castrar, o feminino, era um imperativo espiritual, condição para a salvação da humanidade no além, e entre as coxas lascivas da mulher, o homem afirmava-se vítima indefesa perante a perdição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Por sua vez, haverá os que dirão que a opressão religiosa da mulher não é senão uma justificação de controlo social paternalista, que atinge nas caças às bruxas um expoente notório. A sexualidade inerente às acusações, as suas vítimas mais usuais, os actos de perversão sexual e cópula demoníaca descritos no Malleus Maleficarum fariam Sade rejubilar e fazem pensar em pouco mais que mentes doentias, projectando fantasias e taras sob uma máscara de rectidão moral. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Marx não é nome que surja na nossa mente ao lermos a introdução anterior. Há tanto a dizer sobre o socialismo e as suas teorias económicas e sociais que tudo o resto parece perder-se na bruma, e efectivamente dentro do Marxismo, as opiniões sobre o feminismo dividem-se, entre os que consideram essa corrente como burguesa, e os que censuram a falta de atenção dada à opressão da mulher por comparação à do proletariado em geral. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;É neste sentido que &lt;strong&gt;"Sobre o Suicídio"&lt;/strong&gt; se torna interessante. Trata-se efectivamente de um texto que não é de Marx, mas um conjunto de excertos por ele recolhidos, de entre as memórias do arquivista de polícia Jacques Peuchet, que nelas expõe bastantes exemplos de casos de polícia numa vertente de crítica social, enfim o mesmo livro de memórias que terá inspirado Alexandre Dumas a escrever &lt;strong&gt;"O Conde De Monte Cristo"&lt;/strong&gt;. Sobre estes casos, Marx tece os seus comentários, até se confundirem (ou quase) as opiniões de dois homens em campos ideológicos bastante diferentes: um, monárquico; o outro, comunista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ambos concebem o suicídio como expressão de uma sociedade que funciona mal, onde a opressão económica é apenas uma das muitas formas de opressão social. Em particular, e pela natureza dos casos escolhidos por Marx, o texto é uma crítica feroz à opressão feminina; a classe social teve pouco que ver com o desfecho das histórias, por comparação à condição feminina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;As palavras em &lt;strong&gt;"Sobre O Suicídio"&lt;/strong&gt; são plenamente contemporâneas, pelo menos tão significativas quanto alguns textos científicos sobre o assunto, e não deixam incólume a sociedade que combate o suicídio com filosofias inúteis aos desesperados e ameaças de castigos, mas que permanece impermeável à sua própria responsabilidade e papel. Dos casos ilustrados, a morte das mulheres dá-se por motivos que seriam, hoje em dia, perfeitamente inaceitáveis, inconcebíveis. Mas não inéditos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Do ponto de vista situacional, abre os olhos para&amp;nbsp;o pouco tempo nos separa daquilo que hoje criticamos em sociedades extremistas, mas que era a regra na nossa há menos de um século. Se é feita uma crítica de como o legislador dá às mulheres as garantias apenas mínimas, e à redução da esposa a uma propriedade que &lt;em&gt;"autoriza o marido ciumento a aferrolhar a sua mulher como o avaro faz com o seu cofre, pois ela simboliza apenas uma parte do seu inventário" &lt;/em&gt;(p27), em plenos anos 60 do século XX, pela lei Portuguesa, as mulheres podiam ser coercivamente devolvidas ao lar, não podiam administrar os seus próprios bens ou celebrar contratos, entre outros apontamentos de sapiência jurídica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Tudo isto merece cautela no momento de apontar o dedo, mas merece outra reflexão: há ainda hoje uma profusão de mulheres que se tratam como cofres de maridos e namorados, numa inferioridade auto-imposta que em nada honra as oportunidades e direitos acrescidos de que hoje usufruem. Não estando completamente erradicada, a&amp;nbsp;submissão da mulher ao homem foi em alguns casos substituída pela submissão a si própria, e se em &lt;strong&gt;"Sobre o Suicídio"&lt;/strong&gt; se destaca que a revolução Francesa não eliminou todas as injustiças e são as próprias famílias os algozes do seu próprio sangue, eis uma constatação que no mundo de hoje ainda tem validade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Enfim, uma leitura para ler, ponderar, e ganhar perspectiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;MT&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-5994210859550899969?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/5994210859550899969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/sobre-o-suicidio-karl-marx.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5994210859550899969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5994210859550899969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/sobre-o-suicidio-karl-marx.html' title='Sobre o Suicídio - Karl Marx'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQlg9MyZ07I/AAAAAAAAAA4/d0se-xXkROI/s72-c/karl+marx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-5487523310984062403</id><published>2010-12-15T13:06:00.003Z</published><updated>2010-12-15T23:51:23.720Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Difícil é Educá-los - David Justino</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQi7dHc66lI/AAAAAAAAAAw/k7MtYrMwyUE/s1600/david+justino.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQi7dHc66lI/AAAAAAAAAAw/k7MtYrMwyUE/s1600/david+justino.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;br /&gt;Autor:&lt;/strong&gt; David Justino&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Outubro 2010&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ffms.pt/"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Fundação Francisco Manuel dos Santos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789898424068 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;David Justino tem o mérito de ter algumas das publicações mais pertinentes e solidamente ancoradas publicações na área educativa. Alicerçando-se em dados estatísticos credíveis, segue frequentemente pistas de investigação de vincada utilidade pragmática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Difícil é Educá-los" é apenas o mais recente dos seus trabalhos publicados, sob a chancela da Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde o ex-Ministro da Educação discorre sobre o que tem sido o sistema educativo Português no último centenário, começando pelo atraso endémico da nossa alfabetização, que de algum modo abordei noutro prisma no meu post de duas noites atrás. Concretizando, em 1870 Portugal possuía uma taxa de escolarização de 13% por comparação aos 75% de França, percentagem que só em meados do século XX conseguiríamos efectivamente atingir, num colossal esforço de correr para tentar apanhar o comboio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este atraso tem sido sem dúvida alguma colmatado, e é neste sentido que o livro nos apresenta estatísticas interessantes quanto à evolução da população escolar, na lentidão idiossincrática do processo, para nos mostrar ainda em 2006, taxas reais de escolarização no ensino secundário, inferiores a 60%, o que coloca o país entre os últimos da OCDE em termos de taxas de conclusão do ensino secundário em qualquer faixa etária. São também traçadas as evoluções na composição do corpo docente, as questões mais económicas do investimento vs resultados, entre outras, e, de um modo muito claro que lhe é característico, o autor consegue condensar num número limitado de páginas, uma apreciável profusão de informação que é indispensável para todos os que possam ter a pretensão de conhecer a evolução da educação em Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Contudo, é no sétimo capítulo que surgem as reais questões chave. Parecerá um chavão dizer que há ainda imenso por fazer, mas a complexidade dos sistemas educativos parece deixá-los sempre nesta tão paradoxal posição de, por um lado, serem instituições resistentes à reforma, mas por outro terem constantemente de se adaptar a uma sociedade em movimento, em que a instituição escolar é por excelência uma geradora de capital humano. Trata-se de um equilíbrio por vezes precário, já que a instituição escolar não pode simplesmente transmutar-se a cada vez que o mercado de trabalho, a economia ou as orientações políticas mudam, arriscando perder uma certa continuidade e estabilidade que lhe é essencial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aborda-se principalmente a timidez do processo de autonomia e descentralização escolar em que o próprio Estado é frequentemente o criador de entraves à existência de uma real autonomia. Poder-se-ia dizer - e a interpretação é meramente pessoal, com base na própria leitura informada do autor deste blogue - que existe uma incompatibilidade de conceitos entre "autonomia" e o nível de legislação e decretado em seu entorno, observação que não seremos os primeiros, nem os últimos a fazer. Ou, complementarmente, concluímos recentemente que mais do que uma autonomia efectiva, se assiste a uma deslocação de responsabilidades entre Estado e Escolas, estas últimas “amarradas” a objectivos e metas centralmente delimitados e sob o controlo apertado das avaliações de desempenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo arrisca-se a incrustação dos discursos educativos com chavões tão estritamente decretados, que percam o seu valor real e as escolas não consigam – salvo alguns casos – realmente criar uma identidade própria, ou efectivar o que é destacado neste ensaio, “promover a diferenciação das respostas organizacionais, superar a dicotomia público-privado ao permitir que escolas comunitárias, associativas, cooperativas, internacionais ou municipais possam coexistir e competir na prossecução dos objectivos de diversificação e qualificação do serviço público de educação” (p116).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que todas as discussões politico-legais, há que ponderar o que queremos todos nós da educação, porque há poucas constatações mais fulcrais em David Justino, do que aquela em que nos diz que, para lá de todas as medidas e soluções, o sucesso e os resultados escolares estão intimamente ligados ao valor que a sociedade em si atribui à educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do seu nível técnico “Difícil é Educá-los”, é acessível a qualquer leitor que deseje aumentar o seu conhecimento sobre o Ensino em Portugal. Pertinente, rico, contém informações cujo valor transcende em muito o valor irrisório pelo qual o livro pode ser adquirido num local tão simples quanto um Super-Mercado, e as questões que lança são sem dúvida de elevada importância para o debate colectivo sobre o sistema de ensino em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MT&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-5487523310984062403?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/5487523310984062403/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/dificil-e-educa-los-david-justino.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5487523310984062403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/5487523310984062403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/dificil-e-educa-los-david-justino.html' title='Difícil é Educá-los - David Justino'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQi7dHc66lI/AAAAAAAAAAw/k7MtYrMwyUE/s72-c/david+justino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-9071685785717663007</id><published>2010-12-15T03:15:00.002Z</published><updated>2010-12-15T23:46:17.662Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>A Abadia Profanada - Montserrat Rico Góngora</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQlS4c_45GI/AAAAAAAAAA0/FPUwmsf4An4/s1600/abadia+profanada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQlS4c_45GI/AAAAAAAAAA0/FPUwmsf4An4/s1600/abadia+profanada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&lt;/strong&gt; La Abadia Profanada&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Montserrat Rico Góngora&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2010&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Editor: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.planetaeditora.pt/"&gt;Planeta Editora&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789896570842&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Heidegger foi um crítico da técnica moderna, bem distinta da tradicional pela falta de respeito pela natureza e recursos que explora. Um dos grandes erros da sua vida, o filósofo Alemão chegou a ver o NAZIsmo como uma possibilidade de defesa contra a técnica moderna, mas é precisamente com Nacional-Socialismo que entra em colapso a crença de que a ciência geraria invariavelmente um mundo melhor para todos. Na verdade, em vida, Heidegger vê o regime Hitleriano converter o avanço científico numa arma de extermínio de inqualificável brutalidade, procurando legitimar através da ciência as suas opções criminosas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Apesar de toda a máscara legal e científica, o regime NAZI pululava de charlatães pseudo-cientistas que alimentavam os delírios ocultistas do Führer e dos seus esbirros. Será neste espírito que, inspirado pelos escritos de Otto Rahn e lendas do Graal, Himmler visita a Abadia de Montserrat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sob este pano de fundo que o livro faz o cruzamento improvável das vidas de dois ideólogos NAZI’s com dois refugiados da guerra civil Espanhola, e rapidamente se percebe que a demanda pelo Graal não é mais do que um pretexto para a reflexão de dois homens sobre a sua vida e papéis no regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente há uma certa bipolaridade na narrativa. Por um lado, o modo profundo com que as personagens são retratadas é inegavelmente brilhante e interessante. O espírito de uma Barcelona que passa rapidamente da esperança à perfídia da guerra, as desilusões e vicissitudes de cada protagonista, os pequenos truques de sobrevivência aos tempos aziagos, tudo isto surge escrito de um modo que apaixona e capta, graças a um estilo dinástico com frequentes regressos ao passado e viagens por memórias. Por outro lado, a pesquisa apurada do autor fica mal integrada na forma quase poética com que os assuntos quotidianos são abordados, ao gerar longos diálogos técnicos e emaranhados entre os dois especialistas, que sobrecarregam o leitor com uma massa de informação demasiado extensa para digestão, demasiado parca para compreensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que com isto, Montserrat procure colocar em evidência a dimensão da loucura dos líderes Alemães e a profundidade da sua própria pesquisa, a consequência inevitável é uma lentidão penosa no desenrolar da história, e o soterrar do maravilhosamente desenvolvido aspecto humano da história sob o emaranhado tecnicista que deveria ser apenas o pretexto, não o ponto central. No fim de contas, este discorrer técnico surge desenquadrado com a mestria da construção das personagens, verdadeiramente a razão pela qual este livro se consegue ler até ao fim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;MT&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-9071685785717663007?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/9071685785717663007/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/abadia-profanada-montserrat-rico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/9071685785717663007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/9071685785717663007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/abadia-profanada-montserrat-rico.html' title='A Abadia Profanada - Montserrat Rico Góngora'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQlS4c_45GI/AAAAAAAAAA0/FPUwmsf4An4/s72-c/abadia+profanada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-950895558320718731</id><published>2010-12-14T02:43:00.004Z</published><updated>2010-12-15T13:10:16.028Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>Educação... de um modo ou de outro...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQbZR60jL7I/AAAAAAAAAAo/RZZ0XeBqIRs/s1600/books.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQbZR60jL7I/AAAAAAAAAAo/RZZ0XeBqIRs/s1600/books.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Parece que&amp;nbsp;fomos, eu e uma caríssima colega,&amp;nbsp;seleccionados para apresentar em congresso o trabalho que temos vindo a desenvolver na I&amp;amp;D. Congratulo-me com isso. Tem sido um trabalho algo laborioso em que procuramos de algum modo contribuír positivamente para o funcionamento escolar, por vezes necessitado de quem separe as águas entre o que é dito, o que é interpretado pelos restantes, e como podem as escolas adequar-se à imagem que de facto querem dar de si. Acima de tudo, a troca de impressões, os avanços teóricos e as aprendizagens facilitadas por alguém que me tem conquistado um crescente respeito, são realmente as questões que tornam o trabalho académico interessante e revigorante.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Não obstante o meu orgulho e comprometimento com uma melhor educação para todos, universal e livre... Educação: não é um colossal ninho de vespas?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;A sua evolução em Portugal é idiossincrática. Com fronteiras&amp;nbsp;e nacionalidade&amp;nbsp;estáveis, não passamos pelo processo de unificação nacional pela educação que viram a Rússia, Itália, Alemanha, ou a França, onde, até meados do séc. XIX o Francês de Paris era bem diferente do Francês de outras regiões do país.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Profundamente Católicos, não tivemos o empurrão para a alfabetização em que resultou a tradução da Bíblia e das cerimónias religiosas para o idioma vernáculo, nos Países Baixos, Alemanha, e nações Protestantes em geral.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Irrevogavelmente presos ao lucro das mercadorias do Brasil, assistimos impávidos e serenos, claramente desconfiados e desdenhosos, à motorização e industrialização das nações Europeias, algo que exigiu novas formas de gestão e competências cognitivas, tornando a capacidade de ler e escrever essencial para o manuseio das máquinas, o trabalho industrial em série e gestão fabril. Genuinamente não sentimos necessidade de nada disso porquanto o dinheiro continuasse a fluir. Quando ele estancou, encontramo-nos num beco sem saída.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Finalmente, a machadada final, um regime ditatorial indeciso entre o deslumbre pelo efeito endoctrinante da educação e as potencialidades subversivas das mentes educadas, confessando-se já nos anos 30, timidamente, que o melhor seria uma elite educada a governar as massas simples e puras, uma romântica imagem de lavradores e operários incultos e dóceis, impolutos na sua sagrada ignorância. Leiam-se os discursos na AR já entrados os anos 50 e não faltam os louvores ao nobre ignorante, ou as advertências quanto aos efeitos nocivos da educação, pois o conhecimento corrompe a honestidade e deturpa o carácter. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Houve consequências. Portugal estagna educativa e econonicamente a partir da segunda metade do séc. XIX, passando de pelotão da frente, para caracteristicas de países do Leste.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;O atraso educativo subitamente adquiriu um carácter endémico, quase um lastro genético, que não deixamos de combater com simples operações de cosmética estatística e panaceias, tão frequentemente tentadas anos depois de terem resultado mal nos seus países de origem. E não deixamos também de importar modelos e modas, esquecendo-nos quantas vezes que a essência dos modelos importados é serem originais e fruto de evoluções específicas, não corta-cola em colchas educativas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;A cosmética continuará talvez, mesmo quando um governo se cobre de glória pelos resultados recentes do PISA 2009, mas entre a embriaguez dos &lt;em&gt;media&lt;/em&gt; e a corrida dos vários sectores à fatia sobrante do mérito, alguém perguntou que influência pode a amostragem ter tido nos resultados (louváveis) dos alunos Portugueses, mais do que efectivas melhorias nas condições educativas nacionais? Forçosamente, ss conclusões&amp;nbsp;só poderão ser realmente apreciadas e os festejos iniciados quando mais dados se conhecerem. Não queria nada que o PISA fosse para a educação, o que o Photoshop é para a Maxmen.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Hoje vivemos numa desilusão "Bourdieunesca"; a educação não elimina invariavelmente as assimetrias, o capital social e cultural são cruciais para o sucesso superior das classes altas, os percursos escolares seleccionam e diferenciam. Não há genuinamente oportunidades iguais para todos, pois o acesso às oportunidades é diferenciado dos mais diversos modos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Mas entre a pedagogia e as ciências da educação, passando pela sociologia e psicologia, psiquiatria até, numa era de sobremedicação dos meninos mal comportados, dos chatinhos que fazem barulho e cansam os pais; entre os níveis macro, meso e micro (i.e.: o sistema de ensino, a instituição escolar, a turma e a sala de aula), agitam-se teorias e soluções que correm o risco de deixar confusos&amp;nbsp;aqueles de entre nós que - como eu - são profundamente ignorantes, indagando-se sobre se o problema deve vergar-se à solução e fazer-lhe a vontade, ou se é a solução que deve adequar-se ao problema.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Chega-se por vezes a ter a sensação que a Educação é um laboratório de química menos organizado que um jardim infância onde todos querem provar as suas teorias, que nem alquimistas educativos. Quando não resulta, a culpa é de uns ou de outros, professores, alunos, pais, sociedade. Mas entre o discurso político e o discurso académico, quem sobra para perguntar aos pais, professores e alunos o que de facto esperam que a escola forneça? O que querem os pais que a escola faça dos seus filhos, se é que têm sequer essa ideia presente?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 6pt; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos ouvimos os especialistas, e eu, como proto-especialista que sou, até gosto de ser ouvido. Mas neste emaranhado de ambições e interesses, quem ouve aqueles que sofrerão as consequências das experiências e modas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num mundo de rankings, o que é sequer o sucesso? Quantos alunos entram para medicina, ou quantos tiram positiva apesar de todas as adversidades? Devemos medi-lo num colégio privado que tira boas notas na meia dúzia de alunos que vão a exame, ou em escolas públicas que fazem centenas e por isso têm de tudo?&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-950895558320718731?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/950895558320718731/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/educacao-de-um-modo-ou-de-outro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/950895558320718731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/950895558320718731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/educacao-de-um-modo-ou-de-outro.html' title='Educação... de um modo ou de outro...'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQbZR60jL7I/AAAAAAAAAAo/RZZ0XeBqIRs/s72-c/books.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-540363891479434192</id><published>2010-12-13T04:31:00.000Z</published><updated>2010-12-13T15:20:03.168Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Divulgação'/><title type='text'>Colecção História e Sociedade</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQWc7ebASsI/AAAAAAAAAAk/53lG-kaYDBo/s1600/HistoriaSociedade.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQWc7ebASsI/AAAAAAAAAAk/53lG-kaYDBo/s1600/HistoriaSociedade.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É apresentada hoje, Segunda-feira,&amp;nbsp;pelas 18h na Livraria Almedina Atrium Saldanha, a colecção &lt;strong&gt;"História e Sociedade" &lt;/strong&gt;das Edições 70, dirigida por Diogo Ramada Curto, Miguel Bandeira Jerónimo e Nuno Domingos. São cinco os livros integrantes da colecção, de alguns autores de renome no campo da literatura técnica da área social: Maurice Halbwachs (&lt;strong&gt;"Morfologia Social"&lt;/strong&gt;), Pierre Bourdieu (&lt;strong&gt;"A Distinção - Uma Crítica Social da Faculade do Juízo"&lt;/strong&gt;), Nuno Domingos e Vitor Pereira (Org.) (&lt;strong&gt;"O Estado Novo Em Questão"&lt;/strong&gt;), Jack Goldstone (&lt;strong&gt;"História Global da Ascensão do Ocidente"&lt;/strong&gt;), Barrington Moore Jr. (&lt;strong&gt;"As Origens Sociais da Ditadura e da Democracia - Senhores e Camponeses na Construção do Mundo Moderno"&lt;/strong&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos perante um auspicioso início para esta colecção que apresenta desde já alguns títulos capazes de "agitar as águas" e avivar o debate social num momento da nossa história em que uma crise económica enche o ar de velhos &lt;em&gt;slogans&lt;/em&gt; de luta de classes e alguns pretendem prever o fim do capitalismo. Importa relembrar - agora que nos encontramos distantes&amp;nbsp;da sua já distante insipiência&amp;nbsp;- como surgiram&amp;nbsp;os Estados modernos, moldados muito mais que pela cultura, pela estrutura de classes nos respectivos países, onde as negociações de classe deram origem a regimes bem diferentes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com toda a certeza já o esquecemos e, mergulhados que estamos na retórica, ora paternalista, ora cataclísmica dos discursos mediáticos de governantes e formadores de opinião, talvez tenhamos já esquecido que - ao contrário do que o avançar dos tempos possa fazer pensar - o regime em que vivemos não é natural, uma imposição incontornável da natureza, mas a consequência cristalizada dos esforços e acções, lutas e confrontos de ideologias e interesses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao peixe basta saber nadar, e nesta democracia limitamo-nos a singrar ao sabor das correntes, funcionando no seu seio sem extensas considerações quanto à sua origem. Pois então, o Ser Humano é iminentemente histórico e o nosso presente não é mais que uma herança da qual somos causa e consequência. Importa conhecer os alicerces do edifício e, antes disso o seu projecto, ou mais difícil será encontrar nele o nosso lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-540363891479434192?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/540363891479434192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/coleccao-historia-e-sociedade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/540363891479434192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/540363891479434192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/coleccao-historia-e-sociedade.html' title='Colecção História e Sociedade'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQWc7ebASsI/AAAAAAAAAAk/53lG-kaYDBo/s72-c/HistoriaSociedade.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-422206686559216952</id><published>2010-12-12T21:48:00.000Z</published><updated>2010-12-13T15:20:17.913Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Uma Noite Em Lisboa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQVBH_ff4JI/AAAAAAAAAAg/0egtnJ2kb-Y/s1600/remarque.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQVBH_ff4JI/AAAAAAAAAAg/0egtnJ2kb-Y/s1600/remarque.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original:&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;Die Nacht von Lissabon&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Erich Maria Remarque&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Julho 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.saidadeemergencia.com/" target="_blank"&gt;Saída de Emergência&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 978-989-637-235-4&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que fazemos quando receamos que a dor e o sofrimento levem a nossa mente a apagar as memórias daquele que amamos um dia e agora nos deixou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contamo-las a quem as possa perpetuar sem que os seus sentimentos delas o procurem defender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É esse o móbil de &lt;strong&gt;"Uma Noite Em Lisboa"&lt;/strong&gt;, último romance do incontornável Erich Maria Remarque, uma dessas mentes brilhantes que&amp;nbsp;o regime NAZI fez sangrar para fora da Alemanha. Tudo acontece em Lisboa, quando um refugiado olha para um transatlântico que o pode levar para a salvação e um desconhecido surge com&amp;nbsp;a oferta de dois bilhetes. Em troca tem&amp;nbsp;apenas o mais estranho dos pedidos: quer contar-lhe uma história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num tempo em que o mundo&amp;nbsp;fervilhava com a guerra e as sombras escondiam inimigos, um homem impaciente por partir enfrenta o desconforto de ouvir as indagações de um outro que já não tem para onde ir. O&amp;nbsp;leitor rapidamente descobre uma história&amp;nbsp;que poderia parecer louca, de um homem que, por amor a uma esposa que deixara,&amp;nbsp;volta à mesma Alemanha de onde todos tentavam escapar quando&amp;nbsp;a guerra se adivinhava no horizonte e só os mais iludidos pareciam alheios à sua ameaça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas será o amor uma razão tão plausível e auto-suficiente, ou será&amp;nbsp;a coragem daquele estranho homem&amp;nbsp;apenas uma justificação para o seu sucumbir ao medo de continuar a fugir, numa vida sub-humana de&amp;nbsp;esconderijos, miséria, e sentimentos fingidos ou brandos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O seu acto trará consequências profundas e graves, e doravante o livro é um misto de nostalgia e policial tenso, história de amor e perseverança onde os protagonistas passam por separações e reuniões, desconfianças e conciliações. A dado momento, confundem-se salvador e salvado, e é necessário perguntarmo-nos em qual reside o acto de coragem, quem conduz de facto, e quem é conduzido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa escrita inteligente e mordaz, Remarque conhece bem a vida nocturna de uma Lisboa repleta de refugiados e espiões, onde Aliados e Alemães fazem jogos de diplomacia, e uma multidão procura reencontrar um semblante de vida,&amp;nbsp;retratando bem a cidade por onde ele próprio passou em direcção ao exílio. Os truques e estratagemas daqueles em fuga são apontamentos interessantes,&amp;nbsp;de interesse histórico, e &lt;strong&gt;"Uma Noite Em Lisboa"&lt;/strong&gt; permanece surpreendente do início ao fim, mesmo quando parecemos já lhe adivinhar a página seguinte. Uma das suas grandes virtudes será mesmo como a história se mantém dinâmica e transversal a vários géneros, com uma surpreendente quantidade de acção, sem a brandura ou superficialidade usuais do género.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, e sem tornar o seu estilo complexo ou comprometer o profundo realismo da narrativa, Remarque consegue ser mordaz com toque para as observações sarcásticas, e &lt;strong&gt;"Uma Noite Em Lisboa"&lt;/strong&gt; tem o tipo de frases e citações que dão vontade de rodear com um lápis e&amp;nbsp;ler de novo, verdadeiras pérolas que não podem ser esquecidas. É então uma escrita bastante rica, em que&amp;nbsp;a narração dos eventos se complementa com pertinentes considerações e frequentes evocações dos tempos que eram. Nenhum coloca essa questão, e seria talvez injusto para a essência do narrado, reduzi-lo à circunstancialidade de uma etiquetagem redutora de Judeu, Comunista, dissidente. Fazê-lo, seria imbuír cada etiqueta dos seus próprios clichés e características, e isso foi precisamente o que fizeram os algozes daqueles homens, reduzindo-os a categorias com que os virar uns contra os outros e o resto da sociedade contra eles. Seria talvez atribuír a grandeza dos actos a um tipo especial de indivíduo, quando não há nada de especial que necessite tornar qualquer uma das personagens um herói ou um ídolo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca chegamos a saber bem porque fugiram aqueles homens da Alemanha, nem é importante. No mundo sinuoso dos refugiados, ambos aprenderam que há um denominador comum a todos, maior que as diferenças que anteriormente poderiam separá-los: essa tragédia de repentinamente não serem já nada ou ninguém, sem propriedade ou casa, fugindo de um passado sem ao certo saberem se têm futuro, presos ao imediatismo do presente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fechamos o livro com um sentimento de admiração pelos protagonistas, num misto de simpatia e empatia, até identificação pelas razões que levam aquele estranho homem a abandonar a perspectiva de fuga só para poder contar uma história. É de facto uma história extraordinária, muito mais&amp;nbsp;do que&amp;nbsp;de amor, de encontro com a verdade dentro de nós, e de fazer o correcto, e perseverar no mais conturbado dos tempos, encontrando na confusão tempestuosa da guerra o farol que nos guia e nos impede de perder a sanidade mental.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-422206686559216952?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/422206686559216952/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/uma-noite-em-lisboa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/422206686559216952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/422206686559216952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/uma-noite-em-lisboa.html' title='Uma Noite Em Lisboa'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQVBH_ff4JI/AAAAAAAAAAg/0egtnJ2kb-Y/s72-c/remarque.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-301792719601076619</id><published>2010-12-12T19:49:00.000Z</published><updated>2010-12-13T15:20:30.596Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>O Tesouro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQUk9Fh2W1I/AAAAAAAAAAc/7eviCtyPcNQ/s1600/O+tesouro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQUk9Fh2W1I/AAAAAAAAAAc/7eviCtyPcNQ/s1600/O+tesouro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha Técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Herr Arnes Penningar&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Selma Lagerlöf&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Fevereiro de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.cavalodeferro.com/" target="_blank"&gt;Cavalo de Ferro&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 978-989-623-113-2&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Selma Lagerlöf será porventura uma das grandes escritoras da literatura Sueca, tornando-se em 1909 a primeira mulher a receber o Prémio Nobel da Literatura. E se é sobejamente conhecida pela icónica obra &lt;strong&gt;"A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson"&lt;/strong&gt; onde se destacam os seus dotes pedagógicos, Lagerlöf será, quanto a mim, um dos mais polivalentes autores do último século quanto à variedade temática de públicos alvo. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Mas parece-me existir, transversal à sua obra, um fio de vincada moralidade, que ela faz fluir através da sua escrita impregnada de figuras típicas de folclore e lendas, onde abundam as metáforas religiosas e espirituais. É precisamente a essência de um conto popular que estrutura este &lt;strong&gt;"O Tesouro"&lt;/strong&gt; cuja linguagem sobressai como profundamente tradicional e característica da época.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Em &lt;strong&gt;"O Tesouro"&lt;/strong&gt;, uma jovem inocente, órfã após&amp;nbsp;toda a sua família ter sido assassinada durante um roubo,&amp;nbsp;apaixona-se por um misterioso estrangeiro endinheirado e por ele decide deixar a sua terra, embriagada por promessas e juras.&amp;nbsp;Mas Elsalill vê-se assombrada pelas aparições da sua falecida irmã adoptiva que desperta em si sentimentos contraditórios sobre as intenções e passado do seu amado, e divide-a entre o amor e a consciência, entre a vontade de o proteger e o dever moral de o denunciar.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;O pano de fundo da trama é bem expressivo da espiritualidade e religiosidade comuns em Lagerlöf. Toda a zona se encontra encerrada por um Inverno mais duradouro e severo que o habitual, e são poucos os que não desconfiam do mau presságio que isso significa. Uma natureza punitiva, quase consciente, que se adapta e transforma face aos actos humanos, não é inédito e hoje em dia não é sequer original, mas Selma Lagerlöf não é uma escritora de fantasia e não se deixa subjugar pelo seu próprio estratagema; o esquema cósmico das coisas não é importante por oposição às personagens e aos dilemas com que se enfrentam. Antes, a natureza adquire o papel de uma lente amplificadora que&amp;nbsp;reflecte a ansiedade e agruras do espírito das personagens. Essas sim, têm o papel central, e o enredo resulta profundamente humano, captando bem as dúvidas e hesitações que facilmente fazem vacilar o indivíduo quando enfrenta as verdades inconvenientes, e o coração mergulha no silvado dilacerante dos sentimentos contraditórios.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Em suma, &lt;strong&gt;"O Tesouro"&lt;/strong&gt; esconde uma profundidade que as suas escassas páginas e a escrita ao estilo conto tradicional não deixariam à partida adivinhar. O seu fundo moral é vívido e continua, ainda hoje, volvidos mais de 100 anos, a conter uma metáfora perfeitamente actual para certos traços da humanidade que não mudam simplesmente com a cultura,&amp;nbsp;aquilo que há de mais visceral em nós, instintivo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;MT&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-301792719601076619?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/301792719601076619/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/o-tesouro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/301792719601076619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/301792719601076619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/o-tesouro.html' title='O Tesouro'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQUk9Fh2W1I/AAAAAAAAAAc/7eviCtyPcNQ/s72-c/O+tesouro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-1836094293368323348</id><published>2010-12-12T17:55:00.000Z</published><updated>2010-12-13T15:20:45.285Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Terror e Miséria do Terceiro Reich</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQULtvjQchI/AAAAAAAAAAU/C8MFt7wQrJU/s1600/Brecht.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQULtvjQchI/AAAAAAAAAAU/C8MFt7wQrJU/s1600/Brecht.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Título Original: &lt;/strong&gt;Furcht und Ellend des III Reich&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Bertolt Brecht&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; 2008&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; Biblioteca Editores Independentes&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789727952472&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os regimes fascistas da Europa dos anos 20 e 30 têm por suprema ironia a infelicidade de alguns terem sido gerados por democracias. De todos, nenhum se socorreu tão habilmente da propaganda e da moldagem de opiniões quanto o regime NAZI Alemão, talvez o primeiro a compreender o potencial dos emergentes meios audiovisuais de comunicação em massa, como a rádio e o cinema, criando icónicos exemplos com os filmes propagandísticos de Leni Riefensthal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas nenhum regime poderia ter sucesso se tudo o que o definisse fossem os grandes acontecimentos, a larga escala. A sua penetração e corrupção da mentalidade Alemã transcendeu em muito aquilo que os livros de história podem transmitir, aquilo que as gloriosas paradas podem deixar transparecer. O NAZIsmo espalhou-se como um rastilho porque não era feito por monstros desumanos, mas indivíduos comuns, gentes do quotidiano, e porque contaminou as mais sagradas esferas da vida individual; a família.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;"Terror e Miséria do Terceiro Reich"&lt;/b&gt;, pelo aclamado Bertolt Brecht, dá precisamente conta dessa desagregação mental do Alemão comum, dividido entre lealdades e medos, incapaz de decidir entre o correcto e o seguro. É, portanto, um livro que ultrapassa o verniz do regime para nos dar uma imagem tragicómica de como situações simples se tornam um emaranhado de riscos e consequências quando todas as respostas têm de ser ponderadas e nunca se sabe exactamente o que deve ser dito, ou de que modo o dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que acontece ao ser humano quando não pode confiar em ninguém, nem num filho ou num esposo e cada palavra é desmontada e analisada? Terá o nosso filho ido comprar caramelos, ou denunciar-nos às SS por algo que não dissemos, julgamos não ter dito, mas se calhar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entre os coniventes conscientes os acidentais, os cúmplices e os que só desejam sobreviver, a eloquente narrativa de Brecht mostra como a inocência pode ser um crime e torna-se uma procissão de personagens vergadas de palavras por dizer. As mais banais situações descambam em rocambolescos discursos com se tenta dar o dito por não dito, e tentar não dizer absolutamente nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobressai deste livro apaixonante, um retrato bem mais fiel e profundo dos mecanismos virais de propagação do NAZIsmo entre a conivência e a passividade e despersonalização, do que porventura qualquer um que possamos encontrar em livros de história, psicologia ou sociologia, porque em &lt;b&gt;"Terror e Miséria do Terceiro Reich"&lt;/b&gt; vive-se a perversão da personalidade naquelas situações demasiado banais e desinteressantes para caírem sob os olhares inquisitivos dos técnicos e estudiosos, aquelas situações que nós, numa democracia, não podemos sequer começar a imaginar como tendo qualquer ingerência de governos e autoridades. Mas por vezes o perigo está onde menos se espera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos perante um livro sublime onde a tragédia e a miséria se impregnam de cómica ironia, e a hipocrisia e crueldade tanto nos apertam o coração como libertam um sorriso. Muito mais do que um conjunto de histórias contadas, são histórias vividas. Fazendo parte do Plano Nacional de Leitura, é sem dúvida um livro que tanto os pais quanto os filhos devem ler, porque mostra a individualidade abafada pela ostentação do regime e os pequenos pormenores por trás da larga escala. O carácter viral do NAZIsmo, aquilo por que nos assusta, será precisamente porque não afectou apenas monstros e demónios dos quais nos distinguimos claramente, mas seres que facilmente nos venderiam pão ou comprariam fruta, o mais comum dos mortais, como nós e, como tal, por mais que digamos que nunca comunharíamos com tal ideologia, se calhar subsiste em nós esse medo visceral da contaminação, a quase abafada voz, que teme que a nossa moralidade não seja assim tão robusta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-1836094293368323348?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/1836094293368323348/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/terror-e-miseria-do-terceiro-reich.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1836094293368323348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/1836094293368323348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/terror-e-miseria-do-terceiro-reich.html' title='Terror e Miséria do Terceiro Reich'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQULtvjQchI/AAAAAAAAAAU/C8MFt7wQrJU/s72-c/Brecht.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-7377350536142880537</id><published>2010-12-12T05:36:00.000Z</published><updated>2010-12-13T15:21:04.299Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Críticas'/><title type='text'>Kanikosen - O Navio Dos Homens</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQQ1baVYtMI/AAAAAAAAAAM/owX9lLJpuG4/s1600/kanikosen.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQQ1baVYtMI/AAAAAAAAAAM/owX9lLJpuG4/s1600/kanikosen.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;"O Navio dos Homens"&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Ficha técnica:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Autor:&lt;/strong&gt; Takiji Kobayashi&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Edição:&lt;/strong&gt; Outubro de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Editor:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.clubedoautor.pt/" target="_blank"&gt;Clube do Autor&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;ISBN:&lt;/strong&gt; 9789898452023&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;Não é difícil subverter o indivíduo e a sua humanidade a valores abstractos que a retórica e a ideologia lhe dizem serem mais importante que os seus pequenos sonhos e frustrações, tudo aquilo que construiu ou fracassou a tentar. &lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;A crise económica parece ter ressuscitado o interesse neste livro escrito originalmente por Takiji Kobayashi, reconhecido escritor proletário do Japão da era Showa, morto em 1933 sob tortura, mas a degradação humana e o inferno terrestre que &lt;strong&gt;Kanikosen&lt;/strong&gt; descreve, se bem que de renovada relevância para a classe média a braços com cortes nos direitos e aumentos do custo de vida, nunca perdeu a relevância ao longo deste século. Algures, do Pacífico ao Índico, da Ásia à África, as impiedosas rodas dentadas da economia e ambição política nunca deixaram de encontrar os descartáveis e sacrificáveis infelizes sobre cujos ossos se pode construir uma riqueza e prosperidade adubadas a sangue e lágrimas.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;A brutalidade da vida a bordo do &lt;em&gt;Hakko Maru&lt;/em&gt; é um retrato realista da desumanidade gratuita, da malvadez gananciosa que despersonaliza cada um e o reduz a menos que um homem. Takiji tem uma escrita onde abundam as metáforas, mas o seu estilo literário é subtil e sem pretensões, de uma acutilância quase despercebida onde&amp;nbsp;a narrativa não tenta embelezar o horrível ou atenuar a indignidade quotidiana de homens reduzidos a sombras. Antes, é de um realismo sem pudores, gerando um relato cru e vivo das agruras daqueles homens, cujos diálogos&amp;nbsp;conseguem ser sagazes sem parecerem&amp;nbsp;anacrónicos em relação às suas origens e educação. Takiji poderia não ser um deles, mas compreende-os, conhece a sua língua, os seus dias, e transparece o afecto e o respeito que o autor nutre pelas suas personagens, verosímeis, e mais profundas do que a magreza ossuda dos seus corpos maltratados. Talvez por isso os acontecimentos falem por si e a prosa não procure exacerbá-los ou tornar-se mais importante que o que relata.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;É incómodo, francamente desagradável e penoso, observar como a humanidade se dilui e desaparece enquanto brincam connosco e nos mantêm naquele limiar de sofrimento a partir do qual nos limitamos a sobreviver como cascas vazias e mentes concentradas no próximo segundo de quasi-vida, numa apatia que faz de nós autómatos amorfos, obedientes. Quase nos esquecemos que somos humanos, então não esperamos ser tratados como tal, logo não haverá um punho erguido para o exigir, um grito de libertação para o reclamar. Em &lt;strong&gt;Kanikosen&lt;/strong&gt;, a humanidade está nos pormenores, nas pequenas insignificâncias a que nos agarramos para não esquecermos quem somos, não nos actos épicos ou fervorosas declamações. Mas &lt;strong&gt;Kanikosen&lt;/strong&gt; é também uma história de como um murmúrio se torna uma avalanche e como a humanidade pode ser recuperada quando está perto do seu último estertor, quando a sobrevivência individualista é substituída pela força da acção uníssona de um grupo.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;A linguagem em &lt;strong&gt;"O Navio dos Homens"&lt;/strong&gt; relembra facilmente o cunho Marxista do seu autor, com poucos nomes, e a maioria das personagens conhecidas pelo seu lugar na sociedade: o estudante, o patrão, o capitalista. Não perdem por isso a sua tridimensionalidade, nem o livro&amp;nbsp;a sua&amp;nbsp;pertinência, ao relembrar uma luta de classes porventura adormecida desde que o Marxismo sucumbiu a essas duas terríveis doenças: a institucionalização e o dogmatismo, e enfim a um capitalismo de promessas e sonhos de prosperidade, que dão hoje lugar a uma certa inquietude colectiva, quando nos assombra a noção que, volvidos 80 anos, não somos muito diferentes de pescadores num mar revolto, que enriquecem os seus chefes, sem todavia lhes ser reconhecido sequer o valor de uma das latas de caranguejo que as suas mãos enchem.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Kanikosen&lt;/strong&gt; arrasta-nos para a humanidade subvertida de seres que alguns de nós não hesitariam em manter afastados sob um olhar de desprezo, de asco pelo seu cheiro e aspecto, como se a sua condição pudesse infectar-nos pelo mero facto de estarmos conscientes da sua existência.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;"O Navio dos Homens"&lt;/strong&gt; é a mais crua e sublime história sobre os mais vis e desprezados homens, e do seu despertar para uma humanidade que quase lhes foi negada.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;MT.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-7377350536142880537?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/7377350536142880537/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/kanikosen-o-navio-dos-homens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7377350536142880537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/7377350536142880537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/kanikosen-o-navio-dos-homens.html' title='Kanikosen - O Navio Dos Homens'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQQ1baVYtMI/AAAAAAAAAAM/owX9lLJpuG4/s72-c/kanikosen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1990262094022966413.post-4706379948680230098</id><published>2010-12-12T04:23:00.000Z</published><updated>2010-12-13T15:21:13.781Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opinião'/><title type='text'>A guardiã da casa dos livros</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQRNt68J-PI/AAAAAAAAAAQ/9r0qe-iFXvU/s1600/seshatglyphs.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQRNt68J-PI/AAAAAAAAAAQ/9r0qe-iFXvU/s320/seshatglyphs.jpg" width="245" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Bem vindos a "O Papiro de Seshat".&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seshat era, na mitologia Egípcia - de resto uma predilecta paixão minha - a deusa da escrita e da sabedoria, tida como inventora da escrita e a protectora das bibliotecas e, como tal, representada com uma planta de papiro sobre a sua cabeça. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O efeito civilizacional da palavra escrita é nuclear na humanidade. Escrever, é em si mesmo um processo organizador do pensamento e da mente, uma capacidade que a professora Ivone Niza bem nos lembrava não ser inata, não ter pegada genética, portanto uma competência aprendida cuja mera presença ou ausência seria estruturante para o cérebro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa era de computadores e virtualidade, sem me esquecer da ironia de o dizer numa plataforma digital, esta motricidade da mão que agarra a pena,&amp;nbsp;o palpável do papel que desliza entre os dedos, devem ser lembrados pela força motriz com que investiram revoluções e reformas, mudaram mentalidades e criaram sonhos. A escrita é das mais sublimes formas de expressão humana e nutro por ela o maior respeito. Tentarei espelhá-lo aqui através das minhas palavras, e do meu apreço pelas palavras dos outros, sem limitações a géneros ou temas, conforme o vento sopra e a bússola do apetite me guia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não esperava vir a ter um blogue. Por falta de tempo, por falta de hábito ou insuficiência de pertinência, que seja, mas já há muito tempo que a ideia me havia sido sugerida por alguém que me é querido, e cujo incentivo me levou já há alguns anos a abraçar a paixão pela música e arriscar a aventura de participar num website dedicado à crítica e divulgação do rock de vertentes mais pesadas (&lt;a href="http://www.rockheavyloud.com/"&gt;http://www.rockheavyloud.com/&lt;/a&gt;). Enfim, uma grande mulher e preciosa amiga, dessas que poucos têm a sorte de conhecer, uma Ísis, uma Grania O'Malley conforme o humor, mas sempre fundamentalmente atenta, aos passos que fui dando e tropeções que sofri. Quis a sorte que a semente por ela lançada há largos anos desse fruto precisamente no dia do seu aniversário e não imaginava melhor altura, ou razão para a qual iniciar este blogue que tentarei manter aceso para os dois ou três desnorteados que possam passar aqui a cada mês por engano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;MT&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1990262094022966413-4706379948680230098?l=opapirodeseshat.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/feeds/4706379948680230098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/guardia-da-casa-dos-livros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/4706379948680230098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1990262094022966413/posts/default/4706379948680230098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://opapirodeseshat.blogspot.com/2010/12/guardia-da-casa-dos-livros.html' title='A guardiã da casa dos livros'/><author><name>MT</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06997808983306134602</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_AMCrBeVvQ9I/TQRNt68J-PI/AAAAAAAAAAQ/9r0qe-iFXvU/s72-c/seshatglyphs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
